Porto Murtinho vira polo logístico com 2 novos portos na Bioceânica

Porto Murtinho se prepara para ser o portal da Rota Bioceânica com dois novos terminais portuários, atraindo investimentos milionários e prometendo transformar a cidade em um centro logístico estratégico para o escoamento de cargas no Centro-Oeste. A expectativa é de um grande fluxo de veículos, impulsionando a economia local e regional.

Enquanto a Ponte Bioceânica avança em suas obras, Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, atrai investimentos privados que vão além da ligação rodoviária com o Paraguai. Dois novos terminais portuários às margens do Rio Paraguai reforçam a aposta na transformação do município em um centro logístico para exportação e importação de cargas no Centro-Oeste. A Hidronave South American Logistics e a PTP Group investem juntas mais de R$ 280 milhões na infraestrutura.

A cidade se posiciona como um ponto crucial para a Rota Bioceânica, um corredor logístico que visa integrar o Brasil aos mercados do Oceano Pacífico, através do Paraguai. Essa integração é vista como fundamental para o desenvolvimento econômico do Mato Grosso do Sul e de outras regiões do Centro-Oeste, facilitando o acesso a novos mercados e otimizando os custos de transporte. A expectativa é que Porto Murtinho receba mais de mil carretas por dia com a plena operação da rota.

Essa expansão ocorre em paralelo ao crescimento da movimentação de grãos na cidade, que já conta com operações da FV Cereais. O fortalecimento da Hidrovia Paraguai-Paraná é considerado estratégico para conectar o estado aos mercados do Atlântico e, por meio da Rota Bioceânica, ao Pacífico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa privada demonstra forte confiança no potencial logístico da região, apostando em infraestrutura moderna e eficiente.

Hidronave South American Logistics investe R$ 80 milhões em terminal

Um dos principais investimentos é da Hidronave South American Logistics, empresa que adquiriu o antigo porto da APPM (Agência Portuária de Porto Murtinho). A estrutura, retomada pelo Governo do Estado e leiloada em janeiro de 2025, recebeu uma reforma completa. Segundo o prefeito Nelson Cintra (PSDB), o investimento da Hidronave na recuperação da área foi de aproximadamente R$ 80 milhões.

O terminal passou por etapas importantes para obter a autorização definitiva da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Recentemente, um ato publicado no Diário Oficial da União habilitou o projeto da empresa, encaminhando o processo para análise de viabilidade locacional. Essa fase é crucial para verificar se o local atende às exigências de navegabilidade, segurança e planejamento portuário. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a ANTAQ esclareceu que a habilitação é um passo inicial e não a autorização final para implantação.

A Hidronave atua como operadora logística, utilizando barcaças para o transporte hidroviário. A empresa já movimenta minério produzido em Corumbá com destino à Argentina e ao Uruguai. A companhia tem participação brasileira e de um grupo grego, o que demonstra sua expertise internacional em terminais portuários.

PTP Group planeja terminal multifuncional de R$ 200 milhões

O segundo grande investimento privado vem da PTP Group, empresa argentina especializada em logística portuária e com atuação na Hidrovia Paraguai-Paranã. O grupo escolheu Porto Murtinho para instalar um terminal multifuncional voltado para a movimentação de grãos, fertilizantes e carga geral.

O empreendimento será implantado em uma área de 352,5 hectares às margens do Rio Paraguai. Na primeira etapa, serão utilizados 9,9 hectares. O terminal foi dimensionado para movimentar 2,85 milhões de toneladas por ano, incluindo 1,15 milhão de toneladas de grãos e 700 mil toneladas de fertilizantes. O complexo contará com armazéns, áreas para expansão de silos e estrutura para atracação de barcaças.

A PTP Group já obteve as principais licenças ambientais para iniciar a implantação, com previsão de início das obras após a liberação do desmatamento da área. O prefeito estima um investimento entre R$ 190 milhões e R$ 200 milhões, com um tempo de construção de dois a três anos. O projeto enfrentou um longo processo de regularização por envolver uma empresa estrangeira em área de fronteira, conforme relatou o prefeito, que acompanhou de perto o processo em Brasília.

Porto Murtinho como centro de transbordo e integração logística

Para o prefeito Nelson Cintra, os investimentos representam uma mudança no perfil econômico de Porto Murtinho. A cidade deixará de ser apenas o ponto brasileiro da Ponte Bioceânica para se tornar um centro de transbordo de cargas. “Nós estamos preparando a cidade para ser o portal da rota. Aqui haverá um grande centro de transbordo”, afirmou.

A expectativa é que mercadorias destinadas ao mercado internacional sejam consolidadas em Porto Murtinho antes de seguir viagem pela hidrovia ou pela malha rodoviária. Com a Rota Bioceânica em pleno funcionamento, o município deve receber um fluxo diário superior a mil carretas. Essa infraestrutura não apenas ampliará o escoamento da produção agrícola do Mato Grosso do Sul, mas também atenderá a operações de importação e exportação para países do Mercosul e outros mercados acessíveis pela Hidrovia Paraguai-Paraná. A visão é de um futuro promissor, com Porto Murtinho no centro das operações logísticas da região, conforme destacado pelo Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre o desenvolvimento local.