Carregadores de carros elétricos em casa: bombeiros alertam para riscos de incêndio

O aumento expressivo na venda de veículos eletrificados em Mato Grosso do Sul, com um crescimento de 67,75% entre janeiro e maio de 2026 comparado ao mesmo período de 2025, eleva a demanda por pontos de recarga residenciais e comerciais. No entanto, essa expansão acende um alerta crucial dos bombeiros sobre a necessidade de instalações elétricas seguras e adequadas para evitar acidentes graves.

Bombeiros alertam para riscos na recarga de carros elétricos em casa

Com a frota de carros elétricos e híbridos em ascensão no estado, a instalação de carregadores em residências, condomínios e comércios tornou-se mais comum. Contudo, a falta de atenção às normas técnicas e à segurança elétrica pode transformar um avanço tecnológico em um perigo iminente. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul enfatiza a importância de seguir recomendações para prevenir sobrecargas, superaquecimento e, consequentemente, incêndios.

O capitão Gabriel Ferreira Lopes, especialista em combate a incêndio urbano, destaca que a preocupação se estende a todos os tipos de veículos eletrificados, mas dá atenção especial aos equipamentos de micromobilidade, como bicicletas, patinetes e scooters. Estes, por serem frequentemente levados para dentro de casa e deixados carregando durante a noite, representam um risco maior em instalações elétricas antigas ou inadequadas.

A combinação de tomadas desgastadas, carregadores em mau estado e a ausência de dispositivos de proteção pode ser fatal. Conforme a orientação do Corpo de Bombeiros, a instalação de um ponto de recarga não se resume a adicionar uma simples tomada. É fundamental que o equipamento seja conectado a um circuito elétrico exclusivo, devidamente dimensionado para sua potência e protegido contra falhas.

Recomendações essenciais para uma instalação segura

Para garantir a segurança, o circuito do carregador deve contar com dispositivos como o DR (dispositivo diferencial residual), que protege contra choques elétricos, e o DPS (dispositivo de proteção contra surtos), que resguarda contra picos de energia. Além disso, é indispensável o uso de cabeamento compatível com a corrente exigida e um aterramento adequado. O capitão Gabriel compara a carga de um carregador à de um chuveiro elétrico, ressaltando que, quanto maior a potência, maior a corrente e, consequentemente, a necessidade de um dimensionamento correto da instalação.

Apesar de Mato Grosso do Sul ainda não possuir uma norma específica para sistemas de recarga de veículos eletrificados, as instalações devem seguir as normas técnicas brasileiras NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão) e NBR 17019 (infraestrutura elétrica para veículos elétricos). As normas do Corpo de Bombeiros, baseadas na Lei Estadual nº 4.335/2013, também devem ser observadas.

Avaliação do imóvel e custos envolvidos

O engenheiro eletricista Igor Visioli explica que o primeiro passo é verificar o consumo atual do imóvel e se a rede interna e o padrão de entrada suportam a demanda adicional do carregador. Se a capacidade não for suficiente, é preciso solicitar um aumento de carga junto à concessionária de energia. Após a análise, um projeto elétrico é elaborado, seguindo as normas técnicas, e a instalação do circuito exclusivo é realizada.

O custo médio para a instalação completa, incluindo projeto e execução, gira em torno de R$ 2 mil, mas pode variar conforme a distância do quadro de distribuição, a potência do carregador e a necessidade de adequações na rede elétrica. Em condomínios, a instalação pode demandar aprovação em assembleia e envolver custos adicionais em áreas comuns. O processo pode levar de alguns dias a algumas semanas, dependendo da complexidade e da necessidade de aprovações externas.

Condomínios e erros comuns a serem evitados

Nos condomínios, a instalação de múltiplos carregadores exige uma análise detalhada da demanda energética total do edifício. A instalação sem a devida autorização da administração e, em alguns casos, da assembleia, pode gerar problemas futuros. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as fiscalizações do Corpo de Bombeiros verificam a conformidade das instalações elétricas, podendo resultar na perda do certificado de vistoria e em penalidades caso irregularidades sejam encontradas.

Erros frequentes incluem o uso de carregadores rápidos em tomadas comuns, extensões ou adaptadores, além da instalação sem o dimensionamento correto da fiação e do disjuntor. A ausência de aterramento adequado é outro problema grave, que pode até invalidar a garantia do produto. O engenheiro ressalta que, conforme entendimento do Confea, somente engenheiros eletricistas estão legalmente habilitados para realizar essas instalações, garantindo a experiência, expertise, autoridade e confiabilidade exigidas.

Atenção especial às baterias de íon-lítio

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul tem se preparado para ocorrências envolvendo baterias de íon-lítio, que podem entrar em um processo de fuga térmica, gerando calor e gases inflamáveis. O combate a incêndios nesse caso foca no resfriamento das células da bateria para evitar a propagação do fogo. Para o Campo Grande NEWS, a segurança pessoal é sempre a prioridade máxima. Em caso de princípio de incêndio, desligue a energia, se for seguro, e utilize extintores adequados. Se não houver condições seguras de agir, abandone o local e acione os bombeiros imediatamente. A prevenção, com instalações elétricas seguras e adequadas, é a melhor forma de evitar acidentes, como atesta a experiência do Corpo de Bombeiros, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS em outras ocasiões.