O Peru deu um passo crucial para destravar um investimento bilionário no setor portuário. Um acordo territorial foi assinado entre a ProInversión, agência de promoção de investimentos do país, e a Shougang Hierro Perú, removendo o principal entrave para a construção de um terminal de contêineres e granéis no valor de US$404,8 milhões. O projeto, concessionado ao grupo chinês Jinzhao, estava suspenso desde abril, mas agora tem o caminho livre para avançar, conforme divulgado pela agência EFE.
A disputa girava em torno de direitos de mineração da Shougang sobre parte da área destinada ao novo porto. Com o acordo, a mineradora se compromete a não exercer tais direitos na zona portuária, garantindo que a terra permaneça sob a gestão do Ministério dos Transportes. Este desfecho positivo é visto como um marco para a infraestrutura peruana e um sinal de confiança para investidores estrangeiros, especialmente após a recente inauguração do megaporto de Chancay, também operado por uma empresa chinesa.
O terminal em Marcona tem um papel estratégico no escoamento de minérios, como ferro e cobre, provenientes de projetos como o Pampa de Pongo, da própria Jinzhao. Espera-se que a construção gere milhares de empregos e impulsione a economia das províncias do sul do Peru, beneficiando regiões como Ica, Ayacucho, Arequipa, Apurímac e Cusco. O projeto inclui ainda um fundo social destinado a atividades comunitárias no distrito de Marcona e na província de Nazca.
Construção com cronograma definido
A expectativa é que as obras do novo porto comecem em 2027, com a primeira etapa, que inclui a construção de um cais com dois berços, ponte de acesso e sistemas de armazenamento e carregamento, prevista para durar cerca de dois anos. O ministro dos Transportes, José Tangherlini, mencionou que o investimento para esta fase inicial pode variar entre US$127 milhões e mais de US$271 milhões, dependendo da fonte consultada. O projeto completo, com concessão de 30 anos, prevê dois cais, três berços e equipamentos para diversos tipos de carga.
O terminal tem potencial para se tornar o terceiro maior porto do Peru, ampliando a capacidade logística do país, que é um dos maiores produtores de cobre do mundo. A Jinzhao já apresentou um relatório técnico ao Senace, agência de certificação ambiental, propondo modificações no projeto que somam cerca de US$6 milhões, incluindo a instalação de duas correias transportadoras com capacidade para movimentar 3.050 toneladas por hora. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a empresa busca otimizar a operação para o transporte de concentrados de ferro e cobre.
Investimento chinês em infraestrutura peruana
Este projeto reforça a crescente participação da China no desenvolvimento de infraestrutura portuária no Peru. Após a operação do megaporto de Chancay pela Cosco Shipping Ports no início de 2024, o terminal de Marcona representa mais um passo na expansão da influência chinesa na região. Diferentemente do terminal de San Nicolás da Shougang, que é privado para uso próprio, o novo porto de Marcona será uma concessão pública, aberta a diversos operadores logísticos.
Luis Del Carpio, chefe da ProInversión, destacou que o acordo representa a concretização de um investimento que se traduzirá em infraestrutura, empregos e novas oportunidades para as famílias do sul do Peru. O terminal servirá a 29 províncias e 280 distritos, oferecendo uma nova rota marítima para as atividades produtivas e projetos de mineração da região. O impacto econômico e social esperado é significativo, conforme a ProInversión estima a geração de 1.500 empregos diretos e indiretos nos primeiros cinco anos.
Dúvidas e o futuro do porto
Apesar do otimismo, o jornal La República levantou questionamentos sobre o real benefício do porto para a região, além da exportação de minérios. A proposta de um fundo social de 3% da receita bruta, que pode ultrapassar 290 milhões de soles (cerca de US$85 milhões) ao longo de 25 anos, também gerou ceticismo quanto à garantia de aplicação dos recursos. Este é o primeiro contrato da ProInversión atuando como autoridade concedente, uma nova função para a agência. Conforme o Campo Grande NEWS checou em matérias anteriores, a transparência na gestão de fundos sociais é um ponto recorrente de debate no país.
Para investidores, a liberação do projeto é um sinal positivo, destravando uma concessão que estava parada há cinco meses. A expansão da infraestrutura portuária peruana, com forte presença chinesa, é um fator a ser observado. O Ministério dos Transportes do Peru considera o projeto de **utilidade pública e necessidade pública**, reforçando sua importância estratégica para o desenvolvimento nacional. O próximo passo é o levantamento formal da suspensão do contrato e a entrega da área para a San Juan Port, iniciando os estudos de engenharia e a preparação para a construção em 2027, como aponta o portal Reuters.
O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos deste importante projeto para a infraestrutura do Peru.


