Ponte Bioceânica: Acesso precário no Paraguai contrasta com avanço das obras
A grandiosa Ponte Bioceânica, um marco na integração da América do Sul, está prestes a ser inaugurada, prometendo revolucionar o comércio e a logística entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. No entanto, um obstáculo significativo se revela nos acessos: enquanto a estrutura principal avança a passos largos, as estradas que levam a ela, especialmente do lado paraguaio, ainda apresentam desafios consideráveis, com longos trechos de terra que se tornam intransitáveis em períodos chuvosos.
A reportagem do Campo Grande News percorreu os trajetos em Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, evidenciando as disparidades na infraestrutura. A promessa de redução de custos logísticos em até 30% e de encurtamento do tempo de transporte em até 15 dias, em comparação com rotas marítimas tradicionais, ganha contornos de realidade a partir da ponte, mas o caminho até ela ainda é um teste de paciência e resiliência. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a obra é fundamental para a Rota de Integração Latino-Americana (RILA).
Estradas de terra e desafios no lado paraguaio
A jornada para acessar a Ponte Bioceânica pelo lado paraguaio começa com um obstáculo inicial: a travessia de balsa entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, que custa R$ 150 por veículo. Após desembarcar, há um breve trecho de um quilômetro de asfalto pela rodovia PY15, o único pedaço pavimentado do percurso. Em seguida, a paisagem muda drasticamente, dando lugar a extensos trechos de chão batido, característicos do bioma Chaco.
Essa estrada de terra, que se estende por quilômetros, apresenta um cenário de vegetação adaptada ao clima seco. Em dias de chuva, o percurso se transforma em um verdadeiro desafio, tornando-se praticamente intransitável para veículos comuns e recomendando o uso exclusivo de caminhonetes. Embora exista um projeto para pavimentação, as obras ainda não foram concluídas, gerando incertezas para a fluidez do tráfego futuro.
Um ponto curioso é que o mapa muitas vezes direciona os condutores para a colônia menonita, uma comunidade conhecida por seu isolamento e privacidade. Cercas delimitam as propriedades, forçando os motoristas a buscarem rotas alternativas. A construção da ponte, nesse contexto, alterou a rotina da região, com a estrutura passando sobre áreas da comunidade, antes isoladas.
Acessos no Brasil recebem melhorias, mas ainda sem asfalto
No retorno ao Brasil, a situação é ligeiramente melhor. A travessia de balsa é mais rápida, durando cerca de cinco minutos. Em seguida, são aproximadamente 35 quilômetros de estrada de chão pela região de Bocaiuval. Apesar de ainda não pavimentada, essa via tem recebido melhorias, como terraplanagem e encascalhamento, visando minimizar os atoleiros durante o período chuvoso.
Essa estrada faz parte dos planos de expansão do município de Porto Murtinho, com o objetivo de urbanizar a ligação com a BR-267 e transformá-la em um dos principais acessos à ponte internacional. Mesmo em chão batido, o percurso brasileiro é considerado mais acessível, com melhores condições de tráfego e uma paisagem marcada por coqueiros e vegetação típica da região. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a infraestrutura de acesso é crucial para o pleno funcionamento da rota.
Obras da ponte em fase final e futuro incerto para acessos
Enquanto os acessos terrestres enfrentam seus desafios, a construção da Ponte Bioceânica em si entra em sua reta final. Segundo René Gómez, superintendente de Obras do Consórcio Binacional PYBRA, a etapa mais simbólica, a união definitiva entre os dois lados da estrutura, já foi concluída. Os serviços remanescentes incluem ajustes nos tirantes, levantamentos topográficos e acabamentos como calçadas, guarda-corpos, barreiras de proteção, ciclovia, pavimentação e iluminação ornamental.
No entanto, o acesso definitivo à ponte, tanto do lado brasileiro quanto do paraguaio, ainda depende de novas obras. No Brasil, está prevista a construção de uma nova rodovia e um microanel viário para conectar a ponte à malha rodoviária existente. Do lado paraguaio, a conclusão das vias de acesso é igualmente considerada fundamental. O Campo Grande NEWS buscou contato com o Governo de Estado para obter informações sobre o cronograma das rodovias de acesso e prazos de pavimentação, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Corredor Bioceânico: um futuro promissor
A Ponte Bioceânica é a peça central para viabilizar o Corredor Bioceânico, também conhecido como Rota de Integração Latino-Americana (RILA). Com mais de 3,2 mil quilômetros, esta rota conectará os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho se consolida como a porta de entrada brasileira para este corredor.
A expectativa é que o corredor se torne uma importante via de escoamento de produtos e circulação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos. A redução de custos logísticos em até 30% e a diminuição do tempo de transporte em até 15 dias, em comparação com as rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá, são os grandes atrativos deste projeto. A viabilização completa, contudo, depende da superação dos desafios de infraestrutura nos acessos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a integração logística é o principal objetivo da Ponte Bioceânica.

