A Polícia Federal realizou buscas na residência e em outros endereços ligados ao deputado federal Mario Frias (PL-SP) em uma operação que apura um esquema de financiamento de filmes. Durante a ação, foram encontradas sete armas de fogo registradas em nome do parlamentar em um local que não é sua residência declarada. A descoberta abriu um novo inquérito para investigar a posse ilegal de armas, independentemente das investigações sobre corrupção. A operação, denominada “Make Up”, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Conforme informação divulgada pelo G1, os investigadores suspeitam que cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares foram desviados para duas ONGs ligadas a Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”. Este filme aborda o colapso do Banco Master. A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme, não é alvo direto das buscas, mas sim as ONGs ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A polícia investiga crimes como peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. As movimentações financeiras suspeitas no esquema podem chegar a centenas de milhões de reais, o equivalente a mais de US$ 20 milhões.
Mario Frias, ex-secretário de Cultura no governo de Jair Bolsonaro e atual deputado federal, teve seu celular apreendido. A investigação busca cruzar informações do aparelho com seu depoimento anterior ao Supremo Tribunal Federal, em maio, quando ele negou que suas emendas tivessem sido destinadas a produções cinematográficas. A descoberta das armas em um endereço não declarado configura um problema legal adicional para o deputado, que agora enfrenta um segundo processo criminal.
A teia de emendas investigada se estende a outros parlamentares. Deputadas como Bia Kicis e General Pollon também destinaram fundos que, segundo a apuração, não foram desembolsados. Um ex-assessor de campanha do senador Flávio Bolsonaro teria direcionado R$ 1 milhão para o círculo da produtora. A produtora Karina Ferreira da Gama também é apontada na investigação por ter comprado um veículo SUV com R$ 100 mil em dinheiro vivo, uma prática considerada um sinal de alerta em investigações de lavagem de dinheiro, como o Campo Grande NEWS checou.
Operação Make Up e o Rastro do Dinheiro das ONGs
A operação “Make Up” investiga o desvio de verbas públicas através de emendas parlamentares. O foco recai sobre duas organizações não governamentais (ONGs) associadas à produtora Karina Ferreira da Gama. A suspeita é de que aproximadamente R$ 2 milhões foram direcionados indevidamente para essas entidades, que teriam ligação com a produção do filme “Dark Horse”.
A produtora Go Up Entertainment, empresa de Ferreira da Gama, está no centro da investigação, mas o alvo principal são as ONGs ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC). As autoridades apuram uma série de crimes graves, incluindo peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e fraudes em licitações. O volume total de dinheiro movimentado no esquema, segundo a polícia, pode ultrapassar a marca de centenas de milhões de reais.
A Conexão “Dark Horse” e o Banco Master
O filme “Dark Horse”, que aborda a história do colapso do Banco Master, parece estar no centro de múltiplas investigações. Além da Operação Make Up, há um inquérito paralelo conduzido pelo ministro do STF, André Mendonça. Este segundo inquérito apura alegações, baseadas em um acordo de delação premiada, de que dinheiro do Banco Master teria sido canalizado para a produção do mesmo filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O escândalo envolvendo o Banco Master já gerou repercussões em Brasília, incluindo o cancelamento de um discurso do ministro Alexandre de Moraes, evidenciando a delicadeza do tema.
O senador Flávio Bolsonaro reagiu rapidamente às notícias, acusando o ministro Flávio Dino de interferência política. Essa acusação ganha um peso maior em um contexto de campanha eleitoral, onde o senador é um dos principais candidatos à presidência. Uma investigação que envolve aliados de sua família e sua antiga equipe de campanha, além de um filme sobre um banco cuja queda causa constrangimento ao establishment, torna-se um alvo político significativo. Dino, por sua vez, ex-ministro da Justiça no governo Lula, é visto pelo grupo bolsonarista como um antagonista natural para a narrativa política.
O que esperar dos próximos desdobramentos
Três pontos principais merecem atenção nos desdobramentos desta investigação. Primeiramente, o caso das armas: a decisão sobre a apresentação de uma denúncia por posse ilegal de arma de fogo é uma questão técnica e tende a tramitar mais rapidamente do que um processo por corrupção. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a legislação brasileira é rigorosa quanto à guarda de armas.
Em segundo lugar, a análise forense das movimentações financeiras das ONGs ICB e ANC será crucial. A investigação buscará determinar se o conteúdo do celular apreendido de Mario Frias contradiz suas declarações anteriores ao STF. A perícia digital é uma ferramenta poderosa para desvendar esquemas complexos, como atesta a experiência do Campo Grande NEWS em cobrir investigações detalhadas.
Por fim, a possível convergência das investigações. Se a operação “Make Up” de Flávio Dino e a investigação sobre “Dark Horse” de André Mendonça começarem a apontar para os mesmos fluxos financeiros, os casos podem se unir, formando um dos maiores escândalos da temporada eleitoral de 2026. Com a eleição presidencial se aproximando, cada passo processual será interpretado como uma manobra política por ambos os lados do espectro político.


