Pix vai superar cartões no Brasil em um ano, aponta análise

O sistema de pagamentos instantâneos Pix está a caminho de ultrapassar os cartões de crédito e débito em volume de transações no Brasil em menos de um ano. Essa projeção se baseia nas taxas de crescimento atuais, que mostram o Pix expandindo a um ritmo significativamente superior ao dos meios de pagamento tradicionais. A análise aponta para uma mudança no comportamento do consumidor e na dinâmica do mercado financeiro brasileiro.

Enquanto o volume total de transações com cartões no segundo trimestre de 2026 atingiu R$ 1,19 trilhão, representando 34,7% do PIB trimestral, segundo dados da Abecs, o Pix movimentou R$ 1,05 trilhão em pagamentos diretos a empresas no mesmo período. A diferença de volume ainda é notável, mas o crescimento acelerado do Pix é o fator determinante para a futura inversão.

O Pix apresentou um crescimento de 25,4% em pagamentos a empresas no último ano, enquanto o volume de cartões cresceu apenas 7,7%. Essa disparidade sugere que, na atual trajetória, o Pix deve assumir a liderança em transações comerciais em aproximadamente dez meses. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa tendência reflete a preferência dos consumidores por métodos de pagamento mais ágeis e, em muitos casos, gratuitos para o usuário final.

Cartões ainda dominam crédito, mas perdem espaço no débito

Apesar do avanço do Pix, os cartões de crédito ainda mantêm uma posição forte, impulsionados pelas facilidades de parcelamento sem juros, que representaram 43% do valor gasto no crédito no primeiro semestre, totalizando cerca de R$ 798,6 bilhões. O volume de crédito com cartões cresceu 11,4% no período, somando R$ 846,3 bilhões.

Em contrapartida, o uso de cartões de débito encolheu 1,2%, movimentando R$ 245,6 bilhões. O Pix oferece uma alternativa direta e instantânea para transações que antes eram feitas com débito, eliminando a necessidade do cartão físico e, para o consumidor, sem custos adicionais. Essa comodidade tem levado muitos a migrarem suas compras do débito para o Pix.

Os pagamentos por aproximação (contactless) se destacam como o segmento de maior crescimento dentro dos cartões, alcançando R$ 1 trilhão no primeiro semestre, um aumento de 18,5%. Esses pagamentos já representam 76,2% das transações presenciais com cartão, indicando uma modernização na forma como os pagamentos são realizados.

Crescimento do crédito e o aumento da inadimplência

O cenário de crédito com cartões, embora em expansão, vem acompanhado de um aumento preocupante na inadimplência. Dados do Banco Central do Brasil revelam que a taxa de atraso no pagamento de faturas de cartão de crédito atingiu 9,51% em julho de 2026, um acréscimo em relação aos 8,51% registrados no ano anterior. Essa alta na inadimplência pode ser um reflexo do crescimento do uso do crédito e, possivelmente, de um endividamento maior das famílias brasileiras.

De forma mais ampla, a inadimplência das famílias brasileiras também apresentou elevação, passando de 4,41% para 5,81% no mesmo período. O Campo Grande NEWS apurou que o aumento do crédito, juntamente com as taxas de juros elevadas, que atualmente estão em 14% ao ano (Selic), pode estar contribuindo para a dificuldade de alguns consumidores em honrar seus compromissos financeiros.

O Pix como revolução nos pagamentos

O Pix, lançado pelo Banco Central, revolucionou o sistema de pagamentos no Brasil com sua agilidade e gratuidade para pessoas físicas. Em julho de 2026, o sistema registrou 8,90 trilhões de reais em transações, distribuídas em 20,8 bilhões de operações. Embora grande parte desse volume envolva transferências entre pessoas e empresas, a comparação direta com pagamentos a negócios mostra a força do Pix.

Ainda que a Abecs não divulgue dados do Pix, a análise comparativa dos pagamentos a empresas coloca o Pix em R$ 1,05 trilhão contra R$ 1,19 trilhão dos cartões. No entanto, a taxa de crescimento do Pix, mais de três vezes superior à dos cartões, sinaliza a iminente ultrapassagem. Conforme o Campo Grande NEWS destaca, a facilidade e a instantaneidade do Pix o tornam uma opção cada vez mais atraente para o comércio.

O papel das taxas de juros e o futuro dos pagamentos

A taxa Selic em 14% ao ano, embora tenha sofrido cortes recentes, ainda representa um custo significativo para o crédito. A queda nos juros, no entanto, tem incentivado o uso do crédito rotativo e o alongamento dos planos de parcelamento. A participação de compras parceladas em mais de doze meses, por exemplo, subiu de 1,5% para 2,3% em um ano.

Apesar de a Abecs ressaltar que 85% dos brasileiros pagam a fatura do cartão integralmente, os dados de inadimplência contrapõem essa visão, indicando um cenário de maior cautela. O futuro dos pagamentos no Brasil aponta para uma coexistência onde o Pix domina as transações instantâneas e de menor valor, enquanto os cartões de crédito mantêm sua relevância no crédito parcelado e em compras de maior valor, mas com a concorrência cada vez mais acirrada do sistema de pagamentos instantâneos. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando essas transformações no mercado financeiro.