A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (25), a operação ‘Presciência’, que investiga um investimento de R$ 1,2 milhão realizado pelo Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) em Letras Financeiras do Banco Master. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados à investigação, incluindo a sede do IMPCG, onde um computador do setor de contabilidade foi apreendido.
Os investigadores apuram indícios de que servidores públicos possam ter se envolvido na operação desses investimentos, possivelmente por ações ou omissões que não cumpriram procedimentos técnicos e administrativos. A PF ainda não indicou oficialmente os responsáveis pelas eventuais irregularidades, e as circunstâncias que levaram à aplicação dos recursos e a participação de cada investigado serão detalhadas durante o inquérito. A justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
Início das investigações e suspeitas de irregularidades
As investigações tiveram início a partir de um relatório de Auditoria Direta – Letras Financeiras, elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do Ministério da Previdência Social. Segundo a PF, o levantamento identificou possíveis irregularidades no processo de decisão que culminou na aplicação dos recursos. A suspeita principal é de que tais decisões tenham exposto o patrimônio do regime previdenciário municipal a riscos desnecessários.
Em tese, os investigadores apuram a ocorrência de crimes como gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa. Conforme informações divulgadas após a operação, o montante de R$ 1,2 milhão investido pelo IMPCG foi recuperado judicialmente após a liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. No entanto, a recuperação dos recursos não impede a continuidade da investigação sobre a legalidade do processo que levou à aplicação.
Operações anteriores e foco no Banco Master
A Operação Presciência não é um caso isolado. Desde janeiro deste ano, a Polícia Federal já deflagrou cinco outras operações focadas em investigar aplicações de recursos previdenciários no Banco Master. Essas ações têm se concentrado em regimes previdenciários municipais que realizaram aplicações na instituição financeira, que está extinta. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o foco tem sido em casos que envolvem quantias significativas e potenciais desvios.
Entre as operações destacam-se a ‘Barco de Papel’, em janeiro, que apurou investimentos de aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência. Em fevereiro, desdobramentos dessa operação atingiram investigados ligados às aplicações do estado do Rio de Janeiro. Em maio, a PF investigou mais de R$ 2 bilhões aplicados pela Rioprevidência em fundos do Master na ‘Operação Compliance Zero’.
Ainda em maio, as operações ‘Zehirut’ e ‘Charitzut’ investigaram R$ 9 milhões dos institutos de previdência de Angélica e Fátima do Sul, ambos em Mato Grosso do Sul. Mais recentemente, em agosto, um desdobramento da ‘Compliance Zero’ realizou busca e apreensão para investigar irregularidades em duas aplicações que somam R$ 97 milhões, feitas pelo regime previdenciário do Iprev de Maceió. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a PF tem intensificado a fiscalização sobre a gestão de fundos de previdência.
A importância da fiscalização para a segurança do servidor
A atuação da Polícia Federal demonstra a importância da fiscalização rigorosa sobre os investimentos de regimes previdenciários. Esses recursos são essenciais para garantir a aposentadoria e os benefícios de milhares de servidores públicos e suas famílias. A aplicação em produtos financeiros de risco ou a falta de conformidade com os procedimentos administrativos podem comprometer a sustentabilidade do sistema previdenciário.
A recuperação judicial dos valores aplicados pelo IMPCG é um passo positivo, mas a investigação sobre a conduta dos envolvidos é crucial para prevenir futuras irregularidades e assegurar a responsabilização daqueles que falharam em proteger o patrimônio público. A análise dos dados apreendidos no computador do IMPCG será fundamental para esclarecer a dinâmica das decisões tomadas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a transparência e a diligência são pilares para a confiança no sistema previdenciário.

