Ana Castela: R$ 3,38 milhões em shows públicos em MS em meio a polêmicas

A cantora Ana Castela, conhecida como a “Boiadeira”, está no centro de uma polêmica envolvendo cachês milionários de shows contratados com verbas públicas. Em Mato Grosso do Sul, foram registrados R$ 3,38 milhões em contratos para quatro apresentações da artista em diferentes municípios. Os valores, divulgados através do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), acendem o debate sobre o uso de dinheiro público em eventos culturais, especialmente após a artista aparecer ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira em um evento.

Ana Castela: cachês milionários em MS geram debate

Os contratos de Ana Castela com prefeituras de Mato Grosso do Sul somam um montante expressivo de R$ 3,38 milhões. Estes acordos referem-se a quatro shows programados em Costa Rica, Bataguassu e Sidrolândia. Os valores por apresentação variam entre R$ 800 mil e R$ 870 mil, segundo informações apuradas pelo Campo Grande NEWS. Essa movimentação financeira ganha destaque em um cenário nacional onde diversos municípios têm sido questionados sobre os altos cachês pagos a artistas.

Detalhes dos contratos em Mato Grosso do Sul

Em Costa Rica, município com cerca de 30 mil habitantes, a prefeitura firmou um contrato de R$ 800 mil com a empresa Boiadeira Music LTDA ME para a realização de um show na Expo Rica 2026. A apresentação ocorreu em maio, no Parque de Exposições Laerte Paes Coelho, e foi justificada como necessária para atender à demanda da Secretaria Municipal de Cultura e Esporte.

Já em Bataguassu, cidade com aproximadamente 24 mil moradores, o cachê acertado para a apresentação de Ana Castela no Batarodeio 2026 é de R$ 840 mil. O show está previsto para dezembro de 2026, com duração estimada de uma hora e meia.

O maior investimento entre os municípios sul-mato-grossenses listados está em Sidrolândia, que conta com cerca de 50 mil habitantes. A cidade desembolsará R$ 870 mil para trazer Ana Castela como atração principal da 27ª Expo Sidrolândia, programada para dezembro de 2026. A expectativa é de um público de 15 mil pessoas para o evento.

Cachês elevados em cidades pequenas

A repercussão dos altos cachês de Ana Castela também evidencia contratações vultosas em cidades de pequeno porte em todo o Brasil. Um exemplo citado é Nova Belém, em Minas Gerais, com apenas cerca de 3,1 mil moradores, onde um show da cantora foi contratado por R$ 900 mil. Esses valores geram questionamentos sobre a prioridade de gastos públicos em eventos de grande porte, especialmente em locais com orçamentos municipais mais limitados.

Ana Castela: trajetória e o apelido “Boiadeira”

Nascida em Amambai, Mato Grosso do Sul, em 16 de novembro de 2003, Ana Castela teve sua criação em Sete Quedas, cidade fronteiriça com o Paraguai. A artista rapidamente ascendeu ao estrelato nacional, conquistando o apelido de “Boiadeira” e se consolidando como um dos principais nomes da música sertaneja contemporânea. Sua popularidade, no entanto, agora vem acompanhada de escrutínio público sobre suas contratações.

A assessoria de Ana Castela foi contatada pela reportagem para comentar os contratos, os valores dos cachês e as críticas recebidas após sua aparição com o deputado federal Nikolas Ferreira. Até o momento da publicação, não houve retorno.

O levantamento aponta que, em todo o Brasil, a cantora possui 26 shows contratados por prefeituras para o ano de 2026, totalizando mais de R$ 22,6 milhões em recursos públicos. Os dados, segundo o Campo Grande NEWS checou, foram obtidos através do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), que centraliza informações sobre licitações e contratos firmados pelo poder público. A análise detalhada dos contratos revela que os valores e as condições variam significativamente, refletindo as particularidades de cada evento e município.

A polêmica em torno dos cachês de artistas em eventos públicos não é nova, mas a dimensão dos valores e a visibilidade de nomes como Ana Castela intensificam o debate. A discussão levanta pontos importantes sobre a transparência na gestão de recursos públicos, a escolha das atrações e o impacto desses gastos na comunidade local. O Campo Grande NEWS continua acompanhando os desdobramentos desta questão que afeta diretamente a percepção pública sobre a aplicação de verbas em cultura e entretenimento.