O Peru anunciou nesta terça-feira, 1 de setembro de 2026, o rompimento de relações diplomáticas com o Irã. A decisão, comunicada oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores peruano, entra em vigor imediatamente. No entanto, o país sul-americano assegurou que os laços consulares serão mantidos, garantindo assistência aos seus cidadãos no território iraniano. A medida surpreende no cenário geopolítico atual, mas o governo peruano justifica a ação com base em princípios de direito internacional e segurança. Conforme divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Peru, a decisão visa reforçar o compromisso do país com a paz e a democracia global.
Peru corta laços com Teerã, mas mantém assistência consular
A formalização do rompimento das relações diplomáticas entre Peru e Irã marca um ponto de inflexão nas interações bilaterais. O comunicado oficial, emitido pelo Ministério das Relações Exteriores peruano, detalha que a ruptura é efetiva a partir da mesma data do anúncio, 1 de setembro de 2026. Essa ação, segundo o governo, está alinhada com a histórica vocação pacifista do Peru e seu compromisso inabalável com o direito internacional e os princípios democráticos. Importante ressaltar que, apesar do fim das relações diplomáticas, os canais consulares permanecem ativos, um ponto crucial para a proteção e o auxílio de cidadãos peruanos que residem ou se encontram em trânsito no Irã. O Campo Grande NEWS checou que essa manutenção consular segue os preceitos da Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963.
Motivações por trás da decisão peruana
A decisão do Peru de romper relações diplomáticas com o Irã não é um ato isolado, mas sim o resultado de uma análise aprofundada de diversos fatores de instabilidade global e preocupações com a situação interna iraniana. O governo peruano explicitou em seu comunicado oficial que a escalada de conflitos no Oriente Médio, com acusações de incitação por parte do Irã, foi um dos principais impulsionadores da medida. Ademais, as severas restrições à navegação no Estreito de Ormuz, em vigor desde março de 2026, foram citadas como uma violação à liberdade de trânsito marítimo e uma ameaça às cadeias de suprimentos globais e mercados de energia. O Campo Grande NEWS apurou que o Peru também expressou preocupação com as ações do Irã em relação ao programa nuclear e à obstrução de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica.
Outro pilar fundamental para a tomada de decisão reside na observação da deterioração democrática no Irã. O Ministério das Relações Exteriores peruano destacou a repressão a protestos pacíficos, as violações à liberdade de imprensa e a discriminação sistemática contra mulheres e meninas. A perseguição a opositores políticos, documentada por mecanismos das Nações Unidas, também foi um fator de peso. O comunicado oficial, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS, enquadra essas questões como violações a direitos humanos universais, incompatíveis com os valores democráticos que o Peru defende internacionalmente.
O que muda e o que permanece após o rompimento
O rompimento das relações diplomáticas implica, na prática, o fechamento de embaixadas e o fim dos canais formais de comunicação entre os governos. Contudo, a manutenção das relações consulares, conforme previsto pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares, garante que os peruanos no Irã ainda possam contar com serviços essenciais. Isso inclui a emissão ou renovação de passaportes, a legalização de documentos e o suporte em casos de emergência. A decisão de manter este canal aberto demonstra a preocupação peruana com o bem-estar de seus cidadãos, mesmo em um contexto de distanciamento diplomático.
Para os cidadãos peruanos que residem no Irã, a principal implicação direta é a perda do apoio formal da embaixada. No entanto, a possibilidade de obter assistência consular por meio dos acordos internacionais continua sendo um alívio. No âmbito comercial, as relações entre Peru e Irã já eram modestas e em declínio. Dados de janeiro a novembro de 2025 indicam que as exportações peruanas para o Irã totalizaram cerca de US$ 643.000, uma queda de 21,9% em relação ao ano anterior, sendo mais de 90% compostos por vacinas veterinárias. As importações peruanas do Irã foram de aproximadamente US$ 671.000, uma redução de 44%, majoritariamente de reagentes de laboratório. Espera-se que o comércio, já reduzido, diminua ainda mais.
Impacto para residentes e próximos passos
Para a população em geral no Peru, o impacto direto dessa decisão diplomática tende a ser mínimo no cotidiano. Contudo, o ato sinaliza uma postura mais assertiva do governo da presidente Keiko Fujimori, empossada em 28 de julho de 2026, em relação à estabilidade global e à defesa de princípios democráticos. A preocupação com o Estreito de Ormuz, por onde transita uma parcela significativa do petróleo mundial, reflete uma visão de que conflitos regionais podem ter repercussões econômicas globais significativas. A decisão, embora formalmente efetiva, pode demandar tempo para a completa desmobilização de representações, caso existissem embaixadas residentes, mas não há prazos publicados para a saída de pessoal.
Em suma, o Peru reafirma sua posição em defesa do direito internacional e da liberdade de navegação, ao mesmo tempo que estabelece uma rede de segurança para seus cidadãos através da manutenção dos serviços consulares. A notificação ao Irã foi realizada por meio de uma nota diplomática enviada pela embaixada iraniana no Equador, que serve como missão concorrente para o Peru, evidenciando a natureza remota e formal do processo. Essa ação sublinha a complexidade das relações internacionais contemporâneas, onde a diplomacia formal pode ser suspensa, mas a assistência humanitária e consular se mantém como um elo vital.


