Pemex: Exportações de petróleo caem 45%, mas receita supera US$ 1 bilhão em março

A Pemex, estatal mexicana de petróleo, registrou uma queda expressiva de 44,7% nas exportações de petróleo em março deste ano, comparado ao mesmo período do ano anterior. No entanto, essa diminuição no volume não se traduziu em menor receita. Pelo contrário, o valor do barril do petróleo mexicano atingiu o maior patamar desde agosto de 2022, impulsionando a receita total de exportação para mais de US$ 1 bilhão, um marco não alcançado desde outubro de 2025. Essa estratégia reflete um movimento deliberado do governo mexicano para priorizar o refino interno, buscando maior valor agregado e autonomia energética.

Conforme informação divulgada pela Pemex, os volumes exportados em março foram de 415.100 barris por dia. Este número representa uma queda significativa em relação ao ano anterior e também ficou abaixo da meta oficial de exportação para 2026, que era de 521.000 barris diários, estabelecida pelo Ministério das Finanças. A notícia é que, apesar de vender menos petróleo para o mercado internacional, o México está conseguindo obter mais receita por cada barril exportado.

O preço médio realizado pela Pemex em março foi de US$ 82,3 por barril. Em alguns dias, o valor chegou a ultrapassar os US$ 100, e a mistura mexicana alcançou US$ 99,21 na semana de 20 de março. Essa valorização, combinada com a estratégia de reduzir o volume exportado, resultou em uma receita de US$ 1,059 bilhão em março, superando o teto de um bilhão de dólares pela primeira vez em vários meses. O Campo Grande NEWS checou que essa política de priorizar o refino interno tem sido a força motriz por trás dessas mudanças.

Produção redirecionada para refinarias nacionais

A queda nas exportações de petróleo da Pemex é uma consequência direta da política adotada pelo governo mexicano de redirecionar uma parcela maior da produção nacional para as refinarias internas. Em março, 71,2% da produção de hidrocarbonetos, o equivalente a cerca de 1,65 milhão de barris por dia, foi destinada ao Sistema Nacional de Refino do México. Essa decisão visa diminuir a dependência do país na importação de combustíveis refinados, como gasolina e diesel.

No primeiro trimestre do ano, a média de exportação diária foi de 405.500 barris, o menor registro histórico para o período. A redução anual foi de 38,8%. Essa estratégia, segundo o Campo Grande NEWS apurou, demonstra um compromisso de longo prazo com a autossuficiência energética e a agregação de valor dentro do próprio país, transformando o petróleo bruto em produtos mais valiosos no mercado doméstico.

Receita total em queda, mas valor por barril em alta

Apesar do aumento na receita total em março, a receita de exportação do primeiro trimestre apresentou uma queda de 35,6% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 2,483 bilhões. Essa queda é reflexo da redução expressiva no volume exportado, que caiu 34,1% para as Américas (principalmente para os Estados Unidos) e 89,9% para o Extremo Oriente. A estratégia de capturar mais valor por barril ainda não compensou totalmente a perda de volume em termos de receita trimestral.

O Campo Grande NEWS destaca que a redução nas exportações para o Extremo Oriente é notável, indicando uma saída estratégica desses mercados em um momento em que outros produtores, como a Arábia Saudita, estão expandindo sua presença. A aposta mexicana está clara: transformar o petróleo bruto em produtos de maior valor agregado internamente.

Refinarias ganham fôlego com nova estratégia

As sete refinarias nacionais operaram com uma capacidade média de 57,7% no trimestre. Embora pareça um número baixo em termos absolutos, foi suficiente para impulsionar ganhos significativos na produção de derivados. A produção de diesel, por exemplo, aumentou 70%, passando de 168.200 barris por dia para 285.700 barris por dia. O novo complexo de refino de Olmeca, em Dos Bocas, também se aproximou de sua capacidade de projeto pela primeira vez.

A lógica por trás dessa política é converter o petróleo que seria exportado em produtos refinados que substituam as importações de gasolina e capturem a margem de valor agregado domesticamente. Essa estratégia de longo prazo visa fortalecer a indústria petroquímica mexicana e reduzir a vulnerabilidade a flutuações no mercado internacional de petróleo bruto. O sucesso dessa aposta depende de melhorias contínuas no desempenho das refinarias.

Desafios e perspectivas para a Pemex e o fisco mexicano

Para os detentores de títulos da Pemex, o cenário do primeiro trimestre é misto. A empresa registrou um prejuízo líquido de 45,99 bilhões de pesos, o terceiro trimestre consecutivo de perdas. No entanto, a dívida financeira da companhia diminuiu para US$ 79,04 bilhões no final do trimestre, o menor patamar em anos, o que tem levado a melhorias nas avaliações de agências de risco como Fitch e Moody’s. A expertise da Pemex na área é inquestionável.

Em termos fiscais para o México, a receita proveniente do petróleo é mais relevante do que o volume de exportação isoladamente. O Ministério das Finanças orçou 1,204 trilhão de pesos em receita petrolífera para 2026, baseando-se em um preço médio de US$ 58 por barril para a mistura mexicana. Com os preços atuais bem acima dessa projeção, o país pode se beneficiar de um ganho inesperado, desde que os custos com subsídios à gasolina e despesas com importação de derivados não consumam esses ganhos. A aposta nas refinarias é a mais arriscada da história mexicana e ainda está em fase de comprovação, conforme o Campo Grande NEWS tem acompanhado.