Em um movimento que sacode o mercado financeiro colombiano, o Grupo Nutresa, sob o controle do empresário Jaime Gilinski Bacal, ultrapassou a gigante estatal Ecopetrol, tornando-se a empresa de maior valor de mercado listada na Bolsa de Valores de Bogotá. A ultrapassagem ocorre a poucas semanas de uma eleição presidencial que pode definir os rumos econômicos do país, acirrando o debate entre modelos de desenvolvimento liderados pelo Estado e pelo setor privado.
A Nutresa atingiu um valor de mercado de aproximadamente 135 a 137 trilhões de pesos colombianos (COP), superando os cerca de 107,5 trilhões de COP da Ecopetrol. Essa ascensão meteórica da empresa de alimentos é reflexo de uma valorização impressionante de suas ações desde o primeiro leilão de oferta do Grupo Gilinski em novembro de 2021. Na época, a ação era negociada a COP 26.780, e em 11 de maio de 2026, atingiu 304.000 COP, um crescimento acumulado de 1.034%, com um pico intraday histórico de 319.000 COP em fevereiro do mesmo ano.
Os resultados financeiros recentes da Nutresa também reforçam essa performance. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reportou um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 1,04 trilhão de COP, um aumento de 42% em relação ao ano anterior. A receita totalizou 5,2 trilhões de COP, com um crescimento de 6,6% na comparação anual. Esses números foram divulgados após a assembleia de acionistas, onde Jaime Gilinski Bacal destacou os lucros de 1,2 trilhão de COP e receitas de 20,6 trilhões de COP em 2025, conforme relatado pelo jornal El Colombiano.
A estratégia de Gilinski por trás do crescimento da Nutresa
A estratégia de Jaime Gilinski Bacal para a Nutresa tem sido agressiva e focada em consolidação e eficiência. Atualmente, ele controla 84,6% da empresa através de uma estrutura complexa de holdings, incluindo JGDB Holding, Nugil e GNB Sudameris. Uma decisão notável foi a retenção integral do dividendo de 2025 para financiar um programa de recompra de ações que se estende até 2028. Essa medida, embora contestada por alguns acionistas minoritários, visa reduzir o capital circulante e potencialmente impulsionar ainda mais o valor das ações.
A reestruturação interna promovida por Gilinski incluiu o fechamento de subunidades, otimização de gramaturas de produtos e a formação de uma equipe de gestão mais enxuta na sede em Medellín. O próprio fundador realocou parte de sua residência para a cidade, demonstrando seu envolvimento direto na gestão do negócio. Essa abordagem focada em eficiência operacional e controle acionário tem sido um fator chave para a valorização da Nutresa, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
Ecopetrol em momento de incerteza e queda de lucros
Em contraste com o sucesso da Nutresa, a Ecopetrol enfrenta um cenário desafiador. A estatal de petróleo registrou uma queda de aproximadamente 40% em seu lucro líquido em 2025, caindo de 15 trilhões de COP para 9 trilhões de COP. O ex-CEO Ricardo Roa foi recentemente indiciado criminalmente, embora tenha se declarado inocente. A empresa agora busca estabilidade com a chegada do novo CEO interino, Juan Carlos Hurtado, e uma possível reconfiguração em seu conselho administrativo.
O mercado aguarda com expectativa os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Ecopetrol, com projeções de receita entre 27 e 30 trilhões de COP. Embora a notícia da mudança de liderança tenha gerado uma leve alta nas ações, o desempenho de longo prazo da estatal parece mais atrelado às flutuações do preço do petróleo Brent e ao prêmio de risco político associado à continuidade do governo atual, e não apenas a fatores internos, como apontado pelo portal Las2Orillas.
Simbolismo político e o futuro da economia colombiana
A ultrapassagem da Ecopetrol pela Nutresa, uma empresa de controle privado, a poucos dias da eleição presidencial, carrega um forte simbolismo político. O governo do Pacto Histórico, liderado pelo presidente Gustavo Petro, aposta no modelo de desenvolvimento com forte participação estatal, tendo a Ecopetrol como principal motor de receita. Por outro lado, a oposição, representada por figuras como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, utiliza o sucesso de empresas privadas como a Nutresa como prova de que o setor privado é capaz de gerar retornos expressivos quando o Estado não interfere.
O controle concentrado nas mãos de Gilinski sobre a Nutresa, consolidado após uma série de ofertas públicas de aquisição (OPAs) a partir de 2021, tem sido interpretado pelo mercado como um “prêmio Gilinski”, uma valorização adicional a empresas privadas que o Estado não consegue alcançar. A expectativa de recuperação de vendas na Venezuela, mencionada pela gestão da Nutresa, adiciona mais um elemento de otimismo para a empresa. O Campo Grande NEWS acompanha de perto como esses indicadores econômicos e políticos moldarão o futuro do país.
O que observar nos próximos meses
Investidores e analistas na América Latina estarão atentos a diversos fatores nos próximos meses. A divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 da Ecopetrol será crucial, com qualquer número abaixo de 27 trilhões de COP reforçando a narrativa de subdesempenho em comparação à Nutresa. As eleições presidenciais de 31 de maio também são um divisor de águas: uma vitória de candidatos alinhados ao modelo de gestão estatal pode manter a continuidade, enquanto uma vitória da oposição pode favorecer o modelo de capitalismo liderado pelo setor privado, como o exemplificado pela Nutresa. Conforme checado pelo Campo Grande NEWS, a execução do programa de recompra de ações da Nutresa até 2028 e o desenrolar dos processos criminais contra o ex-CEO da Ecopetrol também serão pontos de atenção.


