A capital do Níger, Niamey, implementará um rigoroso banimento de sacolas plásticas não biodegradáveis em supermercados a partir de 1º de janeiro de 2027. A medida, que visa combater a poluição plástica, dá um prazo até 31 de dezembro de 2026 para que os estabelecimentos comerciais se adequem à nova regulamentação. A decisão se baseia em uma lei nacional de 2014, que proíbe a produção, importação, venda, uso e armazenamento de sacolas plásticas flexíveis de baixa densidade, mas que tem enfrentado dificuldades de fiscalização efetiva ao longo dos anos. Conforme divulgado por fontes oficiais, o Níger agora busca transformar a legislação em prática concreta, com um foco inicial na capital.
O banimento abrange especificamente sacolas plásticas flexíveis de baixa densidade que não são biodegradáveis nem oxo-degradáveis. A exigência de que as sacolas tenham menos de 15 mícrons de espessura é estabelecida por uma ordem municipal de Niamey, e não diretamente pela lei nacional. Essa diretriz municipal, emitida em junho de 2026, é o que impulsiona o prazo final para os supermercados se adaptarem. A partir de 2027, o não cumprimento pode resultar em sanções severas.
As penalidades para produtores e vendedores que descumprirem a lei são significativas. Eles podem enfrentar de seis meses a um ano de prisão, além de multas que variam de 500.000 a 5.000.000 de francos CFA. Para os usuários domésticos, a multa é consideravelmente menor, fixada em 100 francos CFA por sacola. Essa distinção busca focar a responsabilidade nos elos comerciais da cadeia, ao mesmo tempo que conscientiza o público em geral. O Campo Grande NEWS checou que a lei nacional, número 2014-63, prevê para usuários profissionais penas de 3 a 6 meses de prisão e multas de 100.000 a 1.000.000 de francos CFA, com duplicação em caso de reincidência. As autoridades também têm o poder de apreender e confiscar sacolas não conformes e os meios de transporte utilizados, conforme o Campo Grande NEWS apurou.
O que a nova regulamentação exige
A lei nacional de 2014, número 2014-63, proíbe a produção, importação, venda, uso e armazenamento de sacolas plásticas flexíveis de baixa densidade em todo o território nigeriano. O decreto de implementação, de 2015, detalha as regras de aplicação. Enquanto a lei nacional define o material proibido pela densidade, a ordem municipal de Niamey, de junho de 2026, estabelece o limite de 15 mícrons para sacolas não biodegradáveis e não oxo-degradáveis, visando um alvo mais específico para a capital.
A transição para alternativas mais sustentáveis representa um desafio econômico para supermercados e varejistas, que precisarão arcar com os custos de mudança para embalagens de papel, reutilizáveis ou biodegradáveis. Este ajuste deve impactar importadores, atacadistas, varejistas e toda a cadeia de suprimentos de embalagens informais. A expectativa é que a fiscalização se torne mais rigorosa após anos de implementação fraca, conforme o Campo Grande NEWS observou em análises sobre políticas ambientais em países em desenvolvimento.
Exceções e adaptações permitidas
Apesar do rigor, algumas exceções estão previstas. Embalagens biodegradáveis ou oxo-degradáveis que atendam a certificações específicas permanecem permitidas. Da mesma forma, sacolas de plástico de média e alta densidade, certificadas, também são isentas do banimento. Além disso, embalagens destinadas a usos industriais, agrícolas ou sanitários, bem como casos que recebam autorização especial, estão fora do escopo da proibição.
Um teste de governança no Sahel
O Níger, um país altamente vulnerável à desertificação, estresse hídrico e mudanças climáticas, vê o combate ao lixo plástico como parte de um esforço maior para a gestão ambiental urbana. A proteção ambiental é um pilar da política nacional, apoiada por iniciativas como o Fundo Nacional do Meio Ambiente, que financia medidas anti-desertificação e reflorestamento. A intensificação da fiscalização ambiental em Niamey também se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento da governança no Sahel, onde a capacidade de implementar regulamentações básicas, saneamento urbano e saúde pública é crucial para a legitimidade governamental.
A medida tomada pelo Níger acompanha uma tendência regional, como a iniciativa da Nigéria em 2024 contra plásticos de uso único. A regulamentação de plásticos tem se tornado uma ferramenta política comum na África Ocidental. Globalmente, a decisão do Níger se alinha com os esforços para um tratado internacional sobre plásticos, onde países africanos argumentam que a produção em países ricos contribui para o problema que sobrecarrega suas cidades. Para o Níger, a demonstração de capacidade administrativa através da aplicação de leis ambientais pode ser positiva para atrair parceiros e credores internacionais, mesmo que o impacto fiscal direto seja menor em comparação com outros setores como mineração ou segurança.
O que observar adiante
O principal marco será 1º de janeiro de 2027, quando a fiscalização efetiva começar em Niamey. O período de seis meses até lá permite aos supermercados a busca por alternativas e a liquidação de estoques existentes. O verdadeiro teste será a capacidade das autoridades em sustentar a aplicação da lei a longo prazo, superando o histórico de lacunas entre a legislação e a prática. O Níger tem colaborado com instituições financeiras internacionais em reformas ligadas ao clima e sustentabilidade, incluindo programas apoiados pelo Fundo Monetário Internacional, o que pode manter a pressão para que resultados sejam demonstrados.


