Neno Razuk é preso na Bolívia e levado para presídio em Campo Grande

O ex-deputado estadual Neno Razuk, que estava foragido, foi preso na noite de domingo (2) na Bolívia e já está a caminho de Campo Grande, onde seguirá direto para o presídio. A captura ocorreu quando ele se dirigia ao Brasil para se apresentar às autoridades. Ele foi entregue à Polícia Federal (PF) em Corumbá e, nesta segunda-feira (3), passou por exame de corpo de delito antes de ser encaminhado ao sistema prisional.

Ex-deputado se entrega após perder foro privilegiado

Neno Razuk estava na região de Santa Cruz de la Sierra desde que perdeu o mandato em 24 de maio. Após ter um recurso negado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para recuperar o cargo e, consequentemente, o foro privilegiado, além de ter um pedido de habeas corpus liminarmente negado, o ex-deputado decidiu se entregar. Ele já havia protocolado o pedido de apresentação voluntária à 4ª Vara Criminal de Campo Grande e a expectativa era de que se apresentasse ao Gaeco entre esta segunda e terça-feira.

No entanto, antes que pudesse se apresentar formalmente, Neno Razuk foi abordado e detido pelas autoridades bolivianas. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a Polícia Federal informou que estava monitorando o ex-deputado e que a prisão foi resultado de uma ação coordenada entre as instituições envolvidas. A PF destacou o compartilhamento ágil de informações e o alinhamento operacional que levaram à localização do foragido.

O nome de Neno Razuk estava sob análise na sede da Interpol na França, mas ainda não havia sido incluído na difusão vermelha, um alerta internacional para localização e prisão de foragidos. A prisão marca o fim de um período de fuga após o ex-parlamentar se tornar alvo de investigações do Ministério Público.

Acusações de liderança no jogo do bicho

Em dezembro de 2023, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) deflagrou a Operação Successione. A operação visava desarticular uma organização criminosa suspeita de operar o jogo do bicho em Campo Grande. Na ocasião, dez pessoas foram alvos da ação, incluindo o então deputado estadual Neno Razuk (PL).

A investigação aponta para uma estrutura familiar envolvida na atividade criminosa. O pai de Neno, Roberto Razuk, está em prisão domiciliar, enquanto seus irmãos, Rafael e Jorge, já se encontram presos. Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como o antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do estado.

Até a década de 1990, o esquema de jogo do bicho em todo o Mato Grosso do Sul era supostamente liderado por Fahd Jamil, que também foi alvo do Gaeco em fases anteriores da Operação Successione. A prisão de Neno Razuk intensifica as investigações sobre essa rede criminosa.

O caminho para a prisão

A perda do mandato e do foro privilegiado foram os principais fatores que levaram Neno Razuk a tentar se entregar. Sem a proteção legal que o cargo de deputado oferecia, ele se tornou mais vulnerável à ação da justiça. A busca pela recuperação do cargo, através de recursos no TSE, demonstrou a tentativa de manter sua posição e, possivelmente, evitar as consequências legais de suas supostas atividades.

A negociação para a apresentação voluntária já estava em andamento, indicando que o ex-deputado pretendia cooperar com as autoridades para amenizar sua situação. Contudo, a ação policial na Bolívia antecipou sua entrega e o colocou diretamente sob custódia do sistema prisional. O Campo Grande NEWS checou que a cooperação internacional foi fundamental para o desfecho rápido do caso.

A Polícia Federal, em nota oficial, reiterou o compromisso com a investigação e a captura de foragidos. A atuação conjunta com órgãos de segurança da Bolívia e a troca de informações com a Interpol foram cruciais para o sucesso da operação. O caso segue em andamento, com desdobramentos esperados nas próximas semanas.

O ex-deputado será agora submetido aos trâmites legais e poderá ter sua situação jurídica definida pela Justiça de Mato Grosso do Sul. A notícia de sua prisão repercute na política local e reforça o combate ao crime organizado no estado. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos deste caso.