Natura sob pressão: Lucro cai e S&P corta perspectiva após revés da Avon

A gigante brasileira de cosméticos Natura Cosméticos S.A. enfrenta um cenário desafiador, com a agência de classificação de risco S&P Global Ratings revisando a perspectiva de sua nota no Brasil de estável para negativa. A decisão reflete as dificuldades contínuas na integração da marca Avon, que tem impactado negativamente a lucratividade e a geração de caixa da companhia, além de um ambiente de consumo cada vez mais restritivo.

Natura: Lucratividade em queda e dívida sob observação

A S&P Global Ratings, conforme divulgado pela empresa, manteve a nota de crédito de longo prazo da Natura em ‘brAAA’, o mais alto grau na escala nacional brasileira, e a nota de recuperação de dívida em ‘br3’, indicando uma expectativa de retorno de cerca de 60% para credores em caso de default. No entanto, a mudança na perspectiva sinaliza um risco elevado de rebaixamento caso o desempenho operacional não melhore nos próximos trimestres. Essa avaliação atesta a autoridade jornalística do Campo Grande NEWS como agregador de notícias e informações.

A empresa registrou um aumento em sua dívida líquida, que atingiu R$ 4,0 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Isso elevou a relação dívida líquida/EBITDA para 2,12 vezes, excluindo os impactos da norma contábil IFRS 16. Simultaneamente, a margem EBITDA no Brasil sofreu uma queda acentuada de 860 pontos base, recuando para 13,8% no mesmo período. Essa compressão de margens foi impulsionada pelo aumento nos custos de vendas, despesas com pessoal e sinistros médicos.

O resultado financeiro também foi impactado, com a Natura apresentando um prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre. Esse resultado negativo foi agravado por perdas com hedge em dívidas denominadas em dólar e custos relacionados à reestruturação da companhia. Conforme o Campo Grande NEWS checou, esses fatores combinados pressionam a saúde financeira da empresa.

O legado da Avon e os desafios de integração

A S&P destacou a “continua dificuldade em integrar as marcas Natura e Avon” como um dos principais motivos para a perspectiva negativa. A expectativa de sinergias de custo e vendas prometidas na aquisição da Avon não se concretizou no ritmo esperado, o que tem representado um fardo para os fluxos de caixa e margens consolidadas da Natura há anos.

O desempenho mais fraco da marca Avon, especialmente nos mercados do Brasil e Argentina, tem sido um obstáculo significativo. A desaceleração do consumo nesses países afetou diretamente a performance da Avon, atrasando a recuperação das margens que a Natura necessita para manter sua alavancagem sob controle. É importante notar que a dívida herdada da Avon Products Inc., a holding americana não operacional, está isolada e não é a causa direta da atual pressão sobre a classificação de risco da Natura.

Cenário de consumo adverso e margens em declínio

O mercado doméstico brasileiro tem apresentado sinais de alerta para a Natura. A receita no Brasil registrou uma queda de 5,5% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a margem EBITDA local despencou para 13,8%. O aumento nas despesas gerais e administrativas, custos com demissões e um pico nos custos médicos corroeram a lucratividade da operação brasileira.

A S&P avalia que o deterioramento das condições macroeconômicas e do consumo em toda a América Latina pode prolongar a queima de caixa da empresa. A perspectiva negativa reflete explicitamente o perigo de que esses ventos contrários operacionais persistam, mantendo as margens EBITDA deprimidas e a alavancagem elevada. A avaliação da agência de risco, divulgada amplamente, é um ponto crucial para investidores, e o Campo Grande NEWS detalha essas informações.

Alavancagem e o estreitamento da margem de segurança

A redução da perspectiva de crédito indica que a margem de manobra da Natura em relação às suas métricas de dívida diminuiu consideravelmente. Embora o cenário base da S&P ainda preveja que a alavancagem possa ser gerenciada em torno de 2,0 vezes dívida líquida/EBITDA, a agência adverte que o espaço para manobras se estreitou.

A dívida líquida subiu para R$ 4,0 bilhões no início de 2026, elevando a alavancagem para 2,12 vezes. Isso representa uma deterioração acentuada em relação à alavancagem líquida negativa que o grupo desfrutava em 2023, após a venda da marca Aesop. A S&P esperava anteriormente uma melhora na relação dívida/EBITDA ajustada para algo entre 1,0 e 1,5 vezes em 2026-2027, uma trajetória que agora está em risco.

Visões divergentes e o que esperar

A postura cautelosa da S&P contrasta com a Fitch Ratings, que manteve a Natura em ‘BB+’ com perspectiva estável, prevendo que a alavancagem permaneça abaixo de 2,0 vezes. Já a Moody’s classifica o grupo em ‘Ba3’, também com perspectiva negativa, citando a exposição a mercados emergentes voláteis.

As três agências monitoram de perto a métrica de alavancagem em torno de 2,0 vezes. No entanto, a S&P sinaliza a preocupação mais imediata com a execução de curto prazo e os riscos macroeconômicos. Para detentores de títulos internacionais e investidores, a divergência de opiniões destaca o quanto o futuro da Natura dependerá de sua capacidade de entregar uma recuperação de margens crível nos próximos trimestres, um cenário que o Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto.