Museu uruguaio MAPI ganha prêmio nacional e se destaca por inclusão social

O renomado Museu de Arte Pré-Colombiana e Indígena (MAPI), localizado em Montevidéu, no Uruguai, acaba de receber o prestigioso prêmio ICOM Uruguai 2025, a mais alta honraria para museus no país. A distinção celebra duas décadas de atuação exemplar do MAPI, que tem transformado a arte pré-colombiana em uma poderosa ferramenta de educação e inclusão social. O reconhecimento sublinha o papel fundamental do museu na comunidade, indo muito além da preservação de artefatos históricos, conforme divulgado pela imprensa especializada.

MAPI: Arte, Educação e Inclusão Social Reconhecidos

O MAPI, que significa Museu de Arte Pré-Colombiana e Indígena, é mais do que um repositório de artefatos antigos. Instalado em um prédio histórico do final do século XIX, no coração da Cidade Velha de Montevidéu, o museu abriu suas portas em 2004. Sua criação marcou um pioneirismo no Uruguai ao ser a primeira instituição cultural a operar sob um modelo de gestão mista, público-privada. Este modelo, que une o governo da cidade a uma fundação de apoio, provou ser um sucesso, sendo posteriormente replicado por outras organizações. O acervo do museu, que começou com a coleção particular do colecionador Matteo Goretti, expandiu-se notavelmente ao longo dos anos, contando hoje com mais de 7.000 peças originárias de diversas partes das Américas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estrutura do museu é um Monumento Histórico Nacional, com mais de 5.000 metros quadrados, e recebe exposições temporárias de parceiros internacionais, enriquecendo sua programação cultural.

Um Prêmio Que Celebra Uma Trajetória de Sucesso

O prêmio ICOM Uruguai 2025, concedido pelo Conselho Internacional de Museus do Uruguai, é um reconhecimento à trajetória completa do MAPI, e não a um projeto específico. Facundo de Almeida, diretor do museu, ressalta que a honraria é um tributo a todos que dedicaram seu trabalho ao MAPI ao longo de seus mais de vinte anos de existência. Para de Almeida, receber tal distinção em um período de transição política na prefeitura da cidade foi especialmente significativo, descrevendo o momento como “uma carícia” para toda a equipe. O diretor, argentino com mestrado em gestão cultural, lidera o MAPI desde 2011 e, sob sua gestão, o museu já recebeu outros reconhecimentos internacionais, como menções da rede Ibermuseos e a Estatuilla Morosoli da Fundación Lolita Rubial.

O Museu Que Reconstrói Vidas Através da Restauração

Um dos programas que mais se destaca e que o diretor associa diretamente ao prêmio é a Escuela Taller de Restauración, uma escola-oficina que opera há 15 anos. Este programa oferece treinamento a pessoas sem qualificações formais, muitas delas em situação de vulnerabilidade social, como pessoas em situação de rua ou desempregadas de longa duração. Cerca de 500 participantes já passaram pelo programa, desenvolvido em parceria com o ministério de desenvolvimento social. O trabalho desses aprendizes foi fundamental para a restauração de mais de 4.000 metros quadrados do edifício do museu. “Para nós, eles se tornam parte da equipe do MAPI”, afirma de Almeida, enfatizando que o prêmio pertence especialmente a esses 500 trabalhadores. Um programa complementar, em colaboração com agências de inclusão juvenil e apoio a detentos, transforma resíduos do próprio museu em objetos de design, reforçando a ideia de que a cultura é uma porta de entrada para a reintegração social.

Educação e Acessibilidade Para Todos os Públicos

O MAPI se dedica ativamente à educação, com cerca de 25.000 crianças e estudantes participando de seus programas educativos anualmente. Os materiais didáticos são desenvolvidos em colaboração com arqueólogos, artistas e professores, alinhados ao currículo escolar nacional. A acessibilidade no museu vai além das rampas para cadeiras de rodas. O museu oferece um aplicativo com audiodescrição, um guia em vídeo em Língua de Sinais Uruguaia, e conta com staff treinado para atender grupos com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e pessoas no espectro autista. Além disso, são oferecidos lanches adaptados para visitantes com restrições alimentares, como celíacos ou intolerantes à lactose. “Todos nós precisamos de acessibilidade em um museu, todos nós”, defende o diretor. Essa filosofia transformou boas intenções em ferramentas concretas para os visitantes. O MAPI também leva a cultura até onde as pessoas estão, com programas como “MAPI vai à praia”, “à rua”, “à prisão” e “ao campo”, alcançando públicos que raramente visitam museus, pois, como explica de Almeida, o museu “não é apenas quatro paredes”.

O Futuro do MAPI: Inovação e Tecnologia a Serviço da Experiência Humana

O museu já explora o metaverso, exibindo partes de sua coleção e digitalizando sua biblioteca especializada. Recentemente, produziu um curta-metragem inteiramente com ferramentas de inteligência artificial. Duas novas aplicações estão em desenvolvimento e serão lançadas em breve. Uma delas visa aprimorar a exploração da exposição permanente pelos visitantes, enquanto a outra busca oferecer uma experiência similar a um tour guiado para quem visita o museu individualmente. O objetivo, segundo de Almeida, é garantir que um visitante solo tenha uma experiência tão rica quanto a de estar acompanhado por um guia, utilizando a tecnologia como um meio para atingir um fim humano. Na frente de exposições, o MAPI apresentou recentemente “Emberá, uma viagem ao coração ancestral do Panamá” e “Jeike al Monte Nativo”, de Carmela Piñón, mostrando seu compromisso com a diversidade cultural e a arte contemporânea. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a instituição se consolida como um centro vibrante de cultura e inclusão social, pronto para os desafios do futuro.