Mulher com cateter há 3 meses relata infecções e espera por vaga

A espera por um procedimento médico que se arrasta por três meses tem gerado sofrimento e preocupação para Zaine Fonseca, moradora de Anastácio. Portando um cateter duplo desde março, ela aguarda a retirada do dispositivo no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande. O procedimento, que deveria ter ocorrido em junho, agora depende da liberação de uma vaga pela regulação estadual, enquanto a paciente relata episódios de infecção e dificuldade de acesso à saúde.

Mulher com cateter há 3 meses relata infecções e espera por vaga

A situação de Zaine Fonseca expõe as complexidades e os gargalos enfrentados por pacientes na rede pública de saúde. O que deveria ser um procedimento de rotina após uma cirurgia para cálculo renal transformou-se em uma longa e angustiante espera. A paciente, que já passou por infecções e necessitou de tratamento com antibióticos, teme por sua saúde diante da demora na retirada do cateter.

O caso, que chegou ao conhecimento público através de sugestão de um leitor pelo canal Direto das Ruas, levanta questionamentos sobre a eficiência dos sistemas de regulação e o acesso a especialidades médicas em municípios menores. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, Zaine Fonseca busca há meses a solução para um problema que afeta diretamente sua qualidade de vida e bem-estar.

A paciente relata que foi internada em 18 de março devido a um cálculo renal de 9 milímetros. Na ocasião, foi informada sobre a necessidade de retornar em até 90 dias para a retirada do cateter. No entanto, antes mesmo de agendar o procedimento, precisou passar por uma avaliação cardiológica, o que já implicou em mais tempo de espera, com consulta marcada apenas para julho.

Dificuldades com a regulação e infecções recorrentes

Mesmo após reunir toda a documentação necessária para a cirurgia, Zaine Fonseca não conseguiu marcar o retorno para a retirada do cateter. “Estou tentando desde junho. Voltei várias vezes ao Hospital Regional, falei que estava com infecção, mas não consegui a vaga na regulação. Fiz toda a documentação para a cirurgia e, até agora, continuo aguardando”, desabafou a paciente.

A situação se agravou quando, em 25 de agosto, Zaine apresentou um novo quadro de infecção. Ela procurou novamente o Hospital Regional, onde recebeu tratamento com antibióticos e foi liberada, sendo encaminhada de volta para Anastácio. Contudo, ela salienta que seu município não dispõe de atendimento com urologista, o que dificulta ainda mais o acompanhamento e a resolução do problema.

A paciente afirma ter vivenciado três episódios em que considerou ter corrido risco de morte devido às complicações decorrentes da permanência prolongada do cateter e das infecções. “Meu organismo está muito debilitado. Eu não posso esperar mais todo esse tempo com o cateter dentro de mim”, declarou Zaine, expressando seu desespero.

Apelo por resposta e agilidade no atendimento

Zaine Fonseca clama por uma resposta da regulação estadual, questionando os motivos da demora na liberação da vaga e a falta de atendimento para um procedimento que ela considera essencial. “Quero uma resposta da regulação. Por que ainda não consegui essa vaga? Se colocaram o cateter e sabiam que ele precisava ser retirado, por que não consigo atendimento?”, indaga a moradora de Anastácio, em busca de explicações e soluções.

O Campo Grande NEWS entrou em contato com o Hospital Regional para obter informações sobre o cadastro da paciente na regulação, os motivos da demora no procedimento e se há previsão para a retirada do cateter. O espaço jornalístico permanece aberto para manifestação do hospital e dos órgãos responsáveis pela regulação de vagas.

A importância do acompanhamento médico e da agilidade na saúde pública

O caso de Zaine Fonseca evidencia a necessidade de um sistema de saúde mais ágil e eficiente, especialmente em situações que envolvem dispositivos médicos que necessitam de retirada em prazos determinados. A demora no atendimento pode levar a complicações sérias, como infecções e outras intercorrências, comprometendo a saúde e a vida dos pacientes.

A falta de especialidades médicas em municípios do interior também é um fator crítico que sobrecarrega os hospitais de referência e os sistemas de regulação. A busca por soluções integradas, que garantam o acesso a consultas e procedimentos especializados independentemente da localidade de residência, é fundamental para a equidade no sistema de saúde. O Campo Grande NEWS acompanha o caso e espera por uma resolução rápida para a paciente.