Motorista de app é baleado por agente da imigração nos EUA e versão oficial gera controvérsia

Um grave incidente em North Austin, Texas, deixou um motorista de aplicativo de entrega, Wilber Rafael Garcés Pérez, de 28 anos, ferido e sob custódia federal. O caso envolve um agente da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e gerou duas narrativas distintas sobre os fatos, levantando questões sobre a entrada do imigrante no país e a condução da operação. A situação ganhou destaque e gerou protestos, com organizações de direitos civis pedindo investigações transparentes.

Versões conflitantes sobre a atuação do ICE

No domingo, 20 de setembro de 2026, por volta das 12h56, equipes de emergência foram acionadas em North Austin, Texas. A vítima, identificada como Wilber Rafael Garcés Pérez, um venezuelano de 28 anos, foi atingida por um tiro no torso. Segundo informações do Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão que supervisiona o ICE, o incidente ocorreu durante uma operação policial. O DHS afirmou que Garcés Pérez entrou ilegalmente no país sob a administração Biden e possuía uma ordem final de remoção, estando detido aguardando sua deportação.

No entanto, a advogada do imigrante, Kate Lincoln-Goldfinch, apresentou uma versão diferente. Ela declarou que, com base nas informações disponíveis, Garcés Pérez entrou legalmente nos Estados Unidos e é um solicitante de asilo. A advogada também mencionou que ele possuía uma permissão de trabalho válida anteriormente e, até onde se sabe, não tinha histórico criminal nem ordem de remoção. Posteriormente, ela admitiu não ter certeza sobre seu status de imigração atual. A esposa de Garcés Pérez, que possui status legal nos EUA, também teria informado que ele não possui antecedentes criminais nem ordem de deportação, conforme relatado pela advogada.

Detalhes da operação e o ferimento

De acordo com o chefe do Corpo de Bombeiros e EMS de Austin-Travis County, Robert Luckritz, Garcés Pérez foi atingido uma vez e levado ao hospital em estado grave, porém estável. Ele recebeu alta e foi entregue à custódia do ICE. Testemunhas e um vereador de Austin, Mike Siegel, ofereceram relatos adicionais. Siegel afirmou ter visto um veículo do ICE colidir com um sedã azul e, em seguida, um oficial disparar múltiplas vezes. A chefe de polícia de Austin, Lisa Davis, mencionou a possibilidade de uma breve perseguição a pé antes do tiroteio, mas classificou essa informação como preliminar.

Um vídeo obtido pela ABC News mostra Garcés Pérez com um ferimento nas costas enquanto oficiais cortam sua camisa. Nas imagens, ele diz em espanhol que foi baleado porque não freou. A DoorDash, empresa para a qual ele realizava entregas no momento do incidente, confirmou que ele estava trabalhando e afirmou estar investigando o ocorrido. A falta de informações sobre o uso de câmeras corporais pelos agentes federais também foi apontada como um ponto de preocupação.

Investigações em andamento e reações

A investigação federal está sendo liderada pela Homeland Security Investigations (HSI), um braço do próprio ICE, com o auxílio do FBI. A polícia de Austin e os Texas Rangers também estão conduzindo suas próprias apurações. O gabinete do promotor do condado de Travis solicitou ser um parceiro igualitário nas investigações, indicando a possibilidade de violações da lei estadual. Até o momento, nenhuma acusação foi anunciada e o nome do agente que disparou não foi divulgado.

O prefeito de Austin, Kirk Watson, expressou indignação, enquanto o representante Greg Casar alertou que a deportação de Garcés Pérez poderia fazer desaparecer a principal testemunha do caso. Cerca de 100 a 150 manifestantes se reuniram no local do incidente, e houve confrontos com a polícia, que utilizou spray de pimenta contra a multidão. A Veppex, uma associação de venezuelanos exilados, exigiu uma investigação independente e transparente, solicitando a divulgação de imagens e informações sobre o estado de saúde de Garcés Pérez. A LULAC, maior organização de direitos civis latinos nos EUA, pediu ao Congresso que estabeleça uma supervisão independente das ações de imigração.

Contexto da imigração venezuelana nos EUA

O número de venezuelanos nos EUA tem crescido significativamente, com cerca de 1,2 milhão de pessoas em 2024, um aumento de 119% em relação a 2019. Quase 200.000 deles residem no Texas. Estima-se que mais da metade desses imigrantes não possua autorização legal, muitos tendo perdido um status de proteção anterior, como o Status de Proteção Temporária (TPS). As designações de TPS para venezuelanos foram encerradas pela administração Trump em 2025, e decisões judiciais posteriores permitiram a extinção dessas proteções. Conforme o Campo Grande NEWS checou, mais de 615.000 venezuelanos perderam a proteção do TPS. A situação se agrava com o aumento histórico das prisões pelo ICE em julho e agosto de 2026, quando foram feitas mais de 50.000 prisões mensais, um recorde.

A principal demanda da família de Garcés Pérez, segundo sua advogada, é poder vê-lo e saber como ele está. O representante Greg Casar solicitou ao DHS um briefing sobre o caso até 28 de setembro de 2026. A complexidade do caso e as versões conflitantes ressaltam a tensão em torno das políticas de imigração e das operações de fiscalização nos Estados Unidos, conforme o Campo Grande NEWS apurou. A falta de transparência e a demora na divulgação de informações adicionais apenas intensificam o debate e a preocupação com os direitos dos imigrantes, um tema recorrente nas notícias que o Campo Grande NEWS acompanha de perto.