Campo Grande registrou um aquecimento notável no mercado imobiliário vertical no primeiro trimestre de 2026, impulsionado significativamente pelo programa Minha Casa, Minha Vida. O programa federal não só liderou os lançamentos, mas também foi o principal motor das vendas na capital sul-mato-grossense, movimentando impressionantes R$ 130 milhões em apenas três meses. Este cenário promissor, conforme dados divulgados pelo Sinduscon-MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul), reflete um momento de alta demanda e valorização no setor.
Mercado imobiliário de Campo Grande em alta
O volume de vendas de apartamentos em Campo Grande apresentou um aumento de 3,3% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram vendidas 464 unidades entre janeiro e março de 2026, contra 449 unidades comercializadas nos primeiros três meses de 2025. Essa expansão, segundo o Censo Imobiliário do 1º trimestre de 2026, consolida a tendência de crescimento do mercado imobiliário local.
O programa Minha Casa, Minha Vida se destacou como o produto de maior relevância em lançamentos e vendas no Brasil e especificamente em Campo Grande nos últimos 18 meses. Na capital sul-mato-grossense, foram negociadas 134 unidades do programa neste primeiro trimestre de 2026, gerando uma receita de R$ 130 milhões. Esse desempenho evidencia a força e a importância do programa para a viabilização do acesso à moradia.
A capital de Mato Grosso do Sul vive um período de forte aquecimento no mercado imobiliário vertical. No trimestre anterior, que compreende os meses de outubro, novembro e dezembro de 2025, foram vendidas 974 unidades em Campo Grande, um número que o consultor regional da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, classificou como o “Natal do mercado imobiliário”, representando um recorde na série histórica iniciada em 2024.
Minha Casa, Minha Vida: o motor das vendas
A fatia mais aquecida do mercado imobiliário vertical em Campo Grande é, sem dúvida, a das vendas de unidades financiadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. No primeiro trimestre de 2026, as vendas do programa na cidade cresceram 8,8% em relação ao mesmo período de 2025. Para se ter uma ideia da sua relevância, das 974 unidades negociadas no último trimestre de 2025, 601 eram do Minha Casa, Minha Vida, o que corresponde a 61,7% do total de apartamentos vendidos naquele período recorde.
O valor geral de vendas (VGV) em Campo Grande no primeiro trimestre de 2026 atingiu R$ 1,740 bilhão, conforme o levantamento do Sinduscon-MS. Anderson Gonçalves projeta otimismo, afirmando que “nós temos capacidade de ultrapassar os R$ 2 bilhões ainda em 2026, frente à evolução do preço do metro quadrado e à demanda”. Essa perspectiva é sustentada pela contínua valorização imobiliária.
O estoque de unidades disponíveis no mercado campo-grandense é de 1.961 unidades, um aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2025. Para o consultor, este número representa “um estoque ainda saudável em Campo Grande para o tamanho da cidade”. No entanto, a taxa Selic elevada ainda é um obstáculo para a comercialização, com cada ponto percentual de redução na taxa podendo impactar a parcela do imóvel em R$ 700 a R$ 800, o que, ao ser reduzida, alivia o bolso do consumidor e impulsiona as vendas.
Valorização imobiliária e intenção de compra em alta
Apesar do alto volume de vendas, os preços dos imóveis em Campo Grande também estão em ascensão. A pesquisa aponta uma valorização de 10,5% nos produtos verticais no primeiro trimestre de 2026. “Quem comprou um apartamento no ano passado viu o produto se valorizar em mais de 10% em 1 ano”, destaca Anderson, ressaltando que poucos investimentos oferecem tal retorno. Essa valorização crescente indica que os imóveis tendem a ficar mais caros.
O preço médio do metro quadrado em Campo Grande está em R$ 10.513, e o valor médio de um apartamento é de R$ 786,4 mil. Para unidades do Minha Casa, Minha Vida com dois dormitórios, o preço médio é de R$ 262,1 mil, significativamente menor do que os R$ 645,4 mil de apartamentos similares fora do programa. Mesmo com esses valores, a intenção de compra está em alta: 62% dos campo-grandenses aptos a financiamento desejam adquirir um imóvel nos próximos 12 meses, superando a média nacional de 49%.
“Já é nítido o aumento do preço do metro quadrado dos produtos imobiliários. Então o recado é que, quem está querendo comprar, não pode deixar pra amanhã, porque senão vai pagar mais caro”, alerta o consultor. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a tendência é de continuidade na valorização, tornando a decisão de compra mais urgente para os interessados.
Menos lançamentos, mas demanda aquecida
O primeiro trimestre de 2026 registrou o lançamento de apenas dois empreendimentos verticais em Campo Grande, o que representa uma queda de 33% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram lançados três empreendimentos. No trimestre anterior, o 4º trimestre de 2025, foram lançados seis empreendimentos. É comum que o último trimestre do ano apresente resultados positivos, como os sete empreendimentos lançados no 4º trimestre de 2024.
Um dos empreendimentos lançados em 2026 é do programa Minha Casa, Minha Vida e o outro é de médio padrão. Juntos, eles representam 384 unidades lançadas, uma redução de 41% em relação às 652 unidades lançadas no primeiro trimestre de 2025. Em 2025, as construtoras inauguraram um total de 3.059 unidades em Campo Grande. Conforme o Campo Grande NEWS checou, apesar da queda no número de lançamentos, a demanda continua forte, especialmente para as unidades do programa federal.
Apesar da diminuição no número de novos lançamentos, o mercado imobiliário de Campo Grande demonstra resiliência e forte atividade de vendas, com o Minha Casa, Minha Vida desempenhando um papel crucial. A expectativa é de que o setor continue aquecido, impulsionado pela demanda reprimida e pela busca por investimentos seguros e rentáveis. O Campo Grande NEWS continua acompanhando de perto as tendências e os dados do mercado imobiliário local.

