Minério de ferro em queda livre com cortes na China impactam Vale

O mercado de minério de ferro sentiu o impacto direto da redução na produção de aço da China. Na sexta-feira, dia 11 de setembro de 2026, os preços do minério de ferro e os ativos de empresas ligadas à commodity registraram quedas significativas. A principal causa para essa retração foi a diminuição nas taxas de operação dos altos-fornos das siderúrgicas chinesas, o que se traduziu em menor demanda por minério importado. Conforme divulgado pelo Mysteel, a taxa média de operação dos altos-fornos na China caiu 0,48 ponto percentual em relação à semana anterior, atingindo 89,08%.

Queda na produção chinesa afeta mineradoras globais

Essa desaceleração na atividade siderúrgica chinesa resultou em uma queda de 5.200 toneladas métricas na produção diária de ferro gusa, que agora se situa em 2,4028 milhões de toneladas. A China é responsável por aproximadamente 75% do consumo global de minério de ferro comercializado no mercado à vista, tornando suas margens de produção um fator crucial para a precificação do insumo. A redução na demanda chinesa impactou diretamente os preços do minério de ferro no mercado internacional. O índice SEADEX 61% Fines da Mysteel, referência para o minério a granel, recuou US$ 1,50 por tonelada seca, para US$ 95,85. O índice para 62% Low Alumina Fines também apresentou queda, perdendo US$ 1,40.

A desvalorização também foi sentida nos contratos futuros de minério de ferro negociados na bolsa de Dalian, na China, que fecharam em 718 CNY por tonelada, uma queda de 1,71% em relação ao dia anterior. O Campo Grande NEWS checou que essa retração nos preços do minério de ferro reflete diretamente as margens negativas enfrentadas pelas siderúrgicas chinesas. Diante desse cenário, as empresas tendem a reduzir sua produção em vez de aumentar a compra de matérias-primas, buscando defender sua lucratividade.

Vale e CSN Mineração sentem o baque

No mercado brasileiro, a mineradora Vale, uma das maiores exportadoras globais de minério de ferro e um importante termômetro da relação entre a commodity e a China, teve suas ações negociadas em Nova York com desvalorização de 1,04%, fechando em US$ 15,28. Embora tenha apresentado um desempenho ligeiramente melhor que outras companhias, a queda evidencia a sensibilidade da mineradora às dinâmicas do mercado chinês. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a Vale é vista como um proxy direto para o desempenho do minério de ferro, especialmente em sua relação com o ciclo siderúrgico da China.

A CSN Mineração, por outro lado, sofreu um impacto mais acentuado. A empresa, que tem um foco mais concentrado na produção de minério de ferro, viu suas ações caírem 3,86% em São Paulo, fechando a R$ 6,72. Esse movimento mais brusco reflete a precificação mais agressiva por parte dos investidores locais, que reajustaram suas expectativas diante da perspectiva de uma demanda chinesa mais fraca. A CSN Mineração, por ser menos diversificada que a Vale, atua como uma opção de maior beta para expressar convicção na demanda chinesa por minério.

O cenário estrutural e as perspectivas futuras

A queda nos preços do minério de ferro e o desempenho negativo das ações de mineradoras brasileiras são reflexos de uma mudança estrutural no mercado. Em junho de 2026, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, já havia sinalizado que a China possivelmente atingiu seu pico de produção de aço bruto, ultrapassando a marca de 1 bilhão de toneladas métricas anuais. A sessão de sexta-feira parece ter confirmado essa tendência, com os cortes na produção siderúrgica chinesa começando a impactar os mercados globais de forma mais concreta.

Para a América Latina, a dependência da demanda chinesa representa um risco considerável. O fluxo de caixa de empresas como Vale e CSN Mineração está intrinsecamente ligado às decisões de produção das siderúrgicas asiáticas. O Campo Grande NEWS destaca que a falta de poder de precificação próprio por parte dos produtores latino-americanos os torna vulneráveis a essas flutuações. A diversificação de portfólio de empresas como a Rio Tinto, que apresentou uma leve alta de 0,57% em suas ações, serviu como um contraponto, mostrando como a exposição a outros metais, como cobre e alumínio, pode mitigar os efeitos negativos da queda na demanda por minério de ferro.

A expectativa para os próximos movimentos do mercado reside na capacidade dos preços do aço na China de se recuperarem e restaurarem margens positivas para as siderúrgicas. Caso as margens permaneçam negativas, cortes adicionais na produção de ferro gusa são prováveis, o que continuaria pressionando o minério de ferro e as produtoras latino-americanas. Os investidores devem acompanhar de perto os dados semanais sobre a taxa de operação dos altos-fornos e a produção de ferro gusa divulgados pelo Mysteel, bem como a evolução dos preços do minério de ferro e dos contratos futuros na bolsa de Dalian.