México: Criação de empregos desacelera e atinge menor nível em 15 anos

A economia mexicana registrou a menor criação de empregos para um primeiro trimestre em 15 anos, com um aumento de apenas 551.651 postos de trabalho no período. Segundo análise de especialistas, todo o ganho foi concentrado no setor informal, elevando a taxa de informalidade e levantando preocupações sobre a qualidade do emprego e a saúde econômica do país. Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI), refletem um cenário de desaceleração econômica, com o Produto Interno Bruto (PIB) do México contraindo 0,6% no primeiro trimestre, a terceira retração em seis trimestres.

Desaceleração e informalidade: um alerta para o México

Os números oficiais revelam um cenário preocupante para o mercado de trabalho mexicano. No ano encerrado no primeiro trimestre de 2026, o país adicionou 551.651 empregos, o menor resultado para o período desde 2011. Essa marca é particularmente significativa quando comparada ao mesmo trimestre de 2011, quando foram criados cerca de 534.000 empregos, em um contexto de população e força de trabalho consideravelmente menores. A taxa de participação na força de trabalho ficou em 58,7%, com aproximadamente 1,6 milhão de desempregados no período, indicando uma clara tendência de enfraquecimento na contratação em diversos setores.

A qualidade do emprego em xeque

A principal preocupação dos analistas reside na qualidade dos empregos criados. Gabriela Siller, do Banco Base, destacou que todo o aumento no emprego foi absorvido pelo setor informal, onde os trabalhadores não possuem acesso a benefícios como seguridade social. A taxa de informalidade subiu para 54,78%, um avanço em relação aos 54,31% registrados no ano anterior. Esta ascensão da informalidade é um sinal de alerta, pois empregos informais tendem a oferecer salários menores, proteções mais frágeis e maior vulnerabilidade a choques econômicos.

Especialistas da ManpowerGroup alertam que o aumento da participação informal no mercado de trabalho pode prejudicar o treinamento de funcionários, reduzir a produtividade e fragmentar o mercado de trabalho a longo prazo. Atualmente, mais da metade da força de trabalho mexicana opera fora do sistema formal, o que impacta negativamente a arrecadação de impostos e limita o acesso de muitos trabalhadores a crédito, moradia e aposentadorias.

Economia em marcha lenta

Os dados de emprego se alinham a uma desaceleração econômica mais ampla. O PIB mexicano encolheu 0,6% no primeiro trimestre, em dados ajustados sazonalmente, marcando a terceira contração nos últimos seis trimestres, conforme informações do INEGI. O crescimento econômico tem estagnado, influenciado por fatores como o aumento dos custos de empréstimos, investimentos mais fracos e incertezas relacionadas ao comércio com os Estados Unidos. Setores como manufatura e construção têm apresentado sinais de enfraquecimento.

Esse cenário macroeconômico adverso tem levado as empresas a adotarem uma postura mais cautelosa. A fraca criação de empregos é vista como um reflexo direto do esfriamento da demanda geral. Além disso, os ganhos salariais no setor formal também desaceleraram, adicionando outra camada de preocupação para os trabalhadores mexicanos.

Impacto regional e desafios persistentes

O desempenho da economia mexicana tem repercussões significativas para toda a América Latina, dada sua posição como a segunda maior economia da região e um importante parceiro comercial dos Estados Unidos. As tendências de contratação no México afetam cadeias de suprimentos, remessas e mercados consumidores em toda a região. Uma desaceleração mexicana tende a impactar negativamente os países vizinhos.

A questão da informalidade é um desafio histórico na América Latina, e a recente tendência de elevação no México é um lembrete da fragilidade do progresso na formalização do mercado de trabalho quando o crescimento econômico enfraquece. A dificuldade em reverter essa tendência é um ponto de atenção para as políticas públicas na região. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de empregos formais limita o desenvolvimento e a segurança econômica de milhões de trabalhadores latino-americanos.

Analistas apontam que a reversão dessa tendência exigirá um crescimento econômico mais robusto, um aumento nos investimentos e a criação de condições mais favoráveis para a formalização de pequenas empresas. Regras comerciais mais claras com os Estados Unidos também poderiam impulsionar a confiança e a contratação. O Campo Grande NEWS reitera a importância de acompanhar de perto as políticas econômicas que visam a geração de empregos de qualidade e a redução da informalidade. A reportagem do Campo Grande NEWS sobre o tema buscou trazer luz a esses complexos fatores econômicos.