O S&P Merval argentino demonstrou resiliência na última sexta-feira, 24 de abril de 2026, ao se recuperar de uma queda intraday que o levou a testar o nível de 2.803.645. O índice chegou a perfurar brevemente suportes importantes, como a média móvel de 50 dias e a banda inferior de Bollinger, além de se aproximar da média móvel de 200 dias. Essa recuperação, que o levou a fechar em 2.840.787, é vista como um primeiro sinal construtivo após uma semana turbulenta, conforme detalhado pelo The Buenos Aires Times. A proximidade com a média de 200 dias, um suporte técnico crucial, gerou interesse de compra, reacendendo o debate sobre a sustentabilidade dessa recuperação.
A sessão de sexta-feira foi marcada por uma volatilidade significativa para o S&P Merval. O índice abriu em 2.831.902, atingiu uma máxima intraday de 2.857.977, mas logo em seguida sofreu uma forte pressão vendedora, despencando para a mínima de 2.803.645. Este nível representa a aproximação mais acentuada da média móvel de 200 dias desde a correção de março, um ponto técnico de grande atenção para os investidores. A recuperação subsequente, que fechou o dia em 2.840.787, próximo à base da nuvem de Ichimoku, oferece um fio de esperança em meio a um cenário técnico desafiador.
A perfuração da média móvel de 50 dias (2.826.458) e da banda inferior de Bollinger (2.818.409), seguida por uma recuperação acima de ambas, é interpretada como o primeiro sinal técnico positivo desde a aceleração da queda na quarta-feira. O histórico recente, com a correção de fevereiro-março, sugere que o Merval pode ter encontrado um piso técnico próximo à média de 200 dias, que se encontrava em 2.792.486. A mínima de sexta-feira ficou apenas 0,4% acima deste nível, indicando que o efeito de proximidade com um suporte de longo prazo pode estar impulsionando a demanda.
No entanto, nem todos os indicadores técnicos pintam um quadro otimista. O MACD (Moving Average Convergence Divergence) aprofundou sua trajetória negativa, com o histograma atingindo -17.356, um novo mínimo em 2026, estendendo um padrão de divergência para a sétima sessão consecutiva. A linha MACD está significativamente abaixo da linha de sinal, e o RSI (Relative Strength Index) permanece abaixo de 50, ambos indicando um momentum de baixa persistente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, todos os indicadores de momentum continuam com viés de baixa, o que sugere que a recuperação intraday pode ser um movimento de alívio dentro de uma tendência maior de queda.
Avaliação e Fundamentos: Um Equilíbrio Delicado
A análise fundamentalista revela um cenário complexo para as ações argentinas. O S&P Merval negocia a um múltiplo Preço/Lucro (P/L) futuro de 19.8x, consideravelmente mais alto que seus pares regionais como Brasil (13.4x), Chile (15.6x) e México (15.9x). Esse valuation elevado, conforme documentado pelo The Buenos Aires Times, exige uma forte confiança no crescimento futuro dos lucros, algo que ainda não se materializou de forma clara.
Embora a economia argentina tenha crescido 4.4% em 2025, a estrutura desse crescimento é desigual. O setor agrícola registrou um impressionante avanço de 25%, mas a indústria manufatureira contraiu 2.6% e o varejo recuou 3.2%. Essa economia de duas velocidades significa que o Merval, com sua forte ponderação em setores de commodities e energia, pode estar se beneficiando do boom agrícola e da produção em Vaca Muerta, mas negligenciando a fragilidade do consumo interno.
Fatores positivos como a colheita de soja, a produção de Vaca Muerta, o superávit fiscal e o aumento das reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA) em cerca de US$ 3.3 bilhões no ano até o momento (contra uma meta de US$ 10 bilhões) fornecem um piso para a economia. Contudo, o múltiplo P/L futuro de 19.8x demanda uma entrega de lucros concreta, e não apenas promessas de políticas. O Campo Grande NEWS destaca que a confiança dos investidores está ligada à capacidade do governo em validar essas avaliações com resultados concretos.
O Efeito Proximidade da Média de 200 Dias e os Próximos Passos
A proximidade da mínima de sexta-feira com a média móvel de 200 dias é um ponto crucial para a definição da tendência do Merval. Na correção de fevereiro-março, o índice encontrou suporte nessa média antes de iniciar um forte rali. A questão agora é se essa proximidade novamente atuará como um gatilho de compra sustentável ou se o mercado apenas fará uma pausa antes de testar ainda mais esse nível.
A semana que se encerrou foi desafiadora para o Merval, com uma queda de 3.4% em três sessões. Apesar de uma alta de 1.41% no último mês e de 27.84% no acumulado do ano, o índice argentino tem ficado para trás em relação ao MSCI LatAm, que subiu mais de 20%. O Campo Grande NEWS ressalta que a validação das atuais avaliações depende de uma aceleração robusta nos lucros corporativos, o que ainda é uma incógnita.
O indicador de risco país, em torno de 500 pontos básicos, continua sendo um fator limitante para o acesso ao mercado de capitais e para a rolagem da dívida argentina, que enfrenta um vencimento de US$ 19 bilhões. A divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril em 14 de maio será um termômetro importante. Uma leitura mensal abaixo de 3% reforçaria a tese de desinflação, enquanto um número acima de 3% indicaria uma reaceleiração inflacionária estrutural, o que poderia minar ainda mais a confiança dos investidores e a aprovação do governo.
Verdicto: Entre a Esperança e a Prudência
A sessão de sexta-feira testou o suporte mais profundo em meses e, por pouco, segurou. A recuperação em forma de martelo, com uma longa sombra inferior, é um padrão que pode indicar reversão, mas o forte histograma negativo do MACD sugere que o momentum ainda não se estabilizou. O valuation elevado do Merval pesa contra uma recuperação em V, mas os fundamentos estruturais oferecem um suporte.
O viés geral permanece bearish, mas a proximidade com a média de 200 dias está atraindo compradores. O Merval está em uma encruzilhada, entre o suporte da nuvem de Ichimoku e a resistência interna, com o MACD em seu ponto mais negativo do ano. A recuperação intraday é um primeiro indício de demanda em níveis chave. No entanto, sem uma melhora clara no momentum, qualquer rali pode ser visto como uma oportunidade de venda dentro de um regime de baixa. Os próximos catalisadores serão o CPI de abril e o risco país. A média de 200 dias em 2.792.486, a 1.7% abaixo do fechamento de sexta-feira, é o último bastião de defesa. Como o Campo Grande NEWS analisa, um teste e manutenção desse nível, assim como ocorreu em fevereiro-março, poderia desencadear uma recuperação significativa.


