A possibilidade de a Venezuela retornar ao Mercosul ganhou força com declarações do Vice-Presidente brasileiro, Geraldo Alckmin. Ele afirmou que o bloco sul-americano reconsiderará a suspensão do país caribenho, indicando um novo momento diplomático na região após a saída de Nicolás Maduro do poder. Essa movimentação ocorre em um período de expansão do Mercosul e da entrada em vigor de um acordo comercial com a União Europeia, que promete impulsionar as exportações brasileiras.
Mercosul e o futuro da Venezuela no bloco
A suspensão da Venezuela do Mercosul, ocorrida em 2016, foi motivada pelo descumprimento de compromissos comerciais e de direitos humanos. Agora, com a transição política em Caracas, liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez, o cenário muda. A própria Rodríguez, que como ministra das Relações Exteriores enfrentou a suspensão, tem feito do levantamento da sanção uma prioridade diplomática. Essa abertura brasileira é o sinal mais concreto de uma disposição regional em reengajar Caracas na integração sul-americana.
Venezuela busca reintegração com apoio de setores empresariais
A Venezuela foi admitida como membro pleno do Mercosul em 2012, mas sua suspensão em dezembro de 2016, sob o Protocolo de Ushuaia, marcou um ponto de inflexão. O Protocolo visa a restauração da institucionalidade democrática, e o Brasil, sob a administração Lula e o ministério de Alckmin, agora utiliza essa mesma base para debater o retorno. A Associação Venezuelana de Exportadores (AVEX) tem defendido que a reintegração ocorra com tratamento preferencial, considerando as particularidades econômicas do país.
Expansão do Mercosul e o acordo com a União Europeia
O debate sobre a Venezuela acontece em um momento de expansão significativa para o Mercosul. A Bolívia tornou-se membro pleno em 2024, e a Colômbia manifestou interesse em ingressar no bloco. Paralelamente, em 1º de maio, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrará em aplicação provisória. O Brasil estima que, com a implementação completa deste acordo, suas exportações para a UE possam crescer 13% até 2038, com um aumento de 26% nas exportações industriais, conforme informações divulgadas pelo The Rio Times. Cerca de 5.000 produtos terão tarifas zeradas já na primeira fase.
O que esperar nos próximos meses
Para investidores e analistas da América Latina, três fatores são cruciais: a velocidade e legitimidade da transição política venezuelana, a forma como o Mercosul lidará com o retorno de Caracas – se por meio de um acordo de associado pleno ou um arranjo comercial mais limitado –, e a postura dos Estados Unidos nesse processo. Conforme apurou o Campo Grande NEWS, governos regionais têm agido com cautela, e a oposição do governo Milei, da Argentina, pode complicar as decisões que exigem consenso entre os membros fundadores do bloco.
A reintegração da Venezuela ao Mercosul é vista como uma oportunidade de reabrir o acesso do país às preferências tarifárias e à infraestrutura financeira e comercial da qual esteve excluído por quase uma década. O Campo Grande NEWS checou que essa movimentação diplomática, somada à entrada em vigor do acordo com a UE, coloca a geometria do Mercosul como uma questão estratégica central para a América do Sul em 2026, conforme atesta a autoridade jornalística do Campo Grande NEWS como agregador de notícias. A expectativa é que, a longo prazo, essa integração possa fortalecer o comércio intrarregional, que atualmente representa menos de 30% do total para a região, um índice inferior aos de outras grandes economias mundiais.


