O mercado acionário argentino protagonizou um impressionante rali nesta segunda-feira (18 de maio de 2026), com o índice Merval registrando a maior alta da América Latina ao saltar 4,00%. Este desempenho expressivo ocorre após um pregão de forte volatilidade na sexta-feira, demonstrando a resiliência e a capacidade de recuperação do mercado local. A recuperação surpreendente reacendeu o otimismo entre os investidores, que observam atentamente os movimentos econômicos do país.
Merval Sobe 4% e Lidera Ganhos na América Latina
O índice Merval fechou o pregão de segunda-feira em 2.816.245,26 pontos, um avanço de 4,00% que representa um ganho de 108.376 pontos. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, esta foi a maior elevação entre os principais mercados latino-americanos, superando o México (+0,63%) e o Brasil (-0,17%). A performance argentina se destaca ainda mais quando comparada com a Colômbia, que registrou uma queda de 0,98% no mesmo dia.
A sessão de segunda-feira foi marcada por uma recuperação robusta após um fechamento em baixa na sexta-feira. O índice abriu em 2.709.579 e atingiu um mínimo de 2.703.512, mantendo-se acima do suporte crucial da nuvem de Ichimoku, localizado em 2.700.961. O fechamento próximo à máxima do dia, com um padrão de candle bullish marubozu, sinaliza forte pressão compradora.
Este movimento representa a terceira reversão de capitulação do mês de maio, seguindo os ganhos anteriores de 4,42% em 6 de maio e 2,31% em 11 de maio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, cada teste do piso em 2.750K resultou em reversões agudas, indicando que as quedas anteriores serviram como oportunidades de compra para investidores estratégicos.
Recuperação Técnica e Fundamentos Sólidos Sustentam o Rali
Do ponto de vista técnico, o Índice de Força Relativa (RSI) rápido, que havia atingido 38,88 na sexta-feira, um dos níveis mais baixos de sobrevenda desde os mínimos de abril, recuperou-se para 49,40. A capacidade de recuperar em um único pregão as médias móveis de 200 dias (2.791.183), 50 dias (2.795.565) e o topo da nuvem (2.834.088) demonstra a força da tendência de alta.
O histograma do MACD também apresentou melhora significativa, passando de -14.627 para -8.001, o que aponta para uma diminuição do ímpeto de venda. Os pilares estruturais da economia argentina, como a acumulação de reservas pelo Banco Central (BCRA), o acordo de swap do Tesouro dos EUA no valor de US$ 20 bilhões e o superávit fiscal, permaneceram intactos, oferecendo um ancoradouro fundamental para o mercado.
A precificação das reformas do presidente Milei foi testada, mas não quebrada, o que é um sinal positivo para a continuidade do prêmio de risco associado às suas políticas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o índice de risco país próximo a 500 pontos base continua sendo um limiar crítico para o acesso ao mercado privado.
Fatores Externos e Internos Impulsionam a Reviravolta
A reversão de segunda-feira foi parcialmente impulsionada pela ausência de um seguimento ao choque de política monetária externa na sexta-feira. A divulgação do número de inflação dos EUA em abril (3,8%) e a decisão do Federal Reserve haviam pressionado os rendimentos dos títulos de 10 anos para 4,55%, levando o Merval a romper o piso de 2.749.913. A estabilização dos rendimentos globais e a diminuição da demanda pelo dólar na segunda-feira permitiram que a Argentina, que apresentou a queda mais acentuada na sexta, se beneficiasse de uma forte reversão.
A força da recuperação também pode ser atribuída à estratégia de precificação do mercado argentino. Com um P/L (preço/lucro) forward de 19,8x, o mercado se encontra em uma posição de alta alavancagem, tanto para ganhos quanto para perdas. A queda acentuada na sexta-feira, portanto, criou uma oportunidade de compra para aqueles que acreditam na sustentabilidade dos fundamentos econômicos do país.
A janela de fluxo de dólares provenientes da safra de soja até maio continua a ser um fator de suporte importante, com o BCRA mantendo a compra de reservas a uma taxa de aproximadamente US$ 68 milhões por dia. Embora os fluxos de junho devam diminuir, o fluxo atual é suficiente para sustentar a confiança no curto prazo.
Perspectivas e Níveis Chave para a Semana
Para a semana, o foco estará na confirmação da tendência de alta. A resistência chave se encontra no Kijun em 2.872.612. Um fechamento acima deste nível abriria caminho para a resistência superior de Bollinger em 2.948.806 e a possibilidade de atingir a marca de 3 milhões de pontos. Por outro lado, um recuo abaixo da média móvel de 50 dias, em 2.795.565, poderia classificar o movimento de segunda-feira como um falso rompimento (dead-cat bounce).
Os suportes técnicos a serem observados são a média móvel de 50 dias (2.795.565), a média móvel de 200 dias (2.791.184) e o piso da nuvem (2.700.961). Uma invalidação da tendência de alta ocorreria com um fechamento diário abaixo de 2.700.961, o que reabriria a porta para a banda inferior de Bollinger em 2.617.409.
O cenário de inflação também será crucial. Uma primeira leitura mensal abaixo de 3% pode revalidar a tese de desinflação e impulsionar o mercado em direção ao Kijun e aos 3 milhões de pontos. Já a décima leitura consecutiva acima de 3% pode retirar o fôlego do rali de alívio. O mercado aguarda também a leitura do risco país em junho, que determinará a capacidade de refinanciamento do mercado privado da dívida que vence. A manutenção abaixo de 500 pontos base é fundamental para evitar a dependência contínua da linha de swap com os EUA.

