A captura do narcotraficante internacional Gerson Palermo, foragido há seis anos e com condenação superior a 126 anos, foi concretizada nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A prisão é o desfecho de uma investigação que se estendeu por sete meses, iniciada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após o próprio Palermo ordenar o sequestro de sua filha, de 25 anos, em Campo Grande. A jovem foi torturada no cativeiro e, após ser libertada, colaborou com a Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) para identificar os sequestradores, o que desencadeou a caçada ao pai.
O caso, que chocou pela crueldade e pelo envolvimento familiar, começou a ser desvendado em outubro do ano passado. Segundo a Polícia Civil, o plano de sequestro foi arquitetado por Palermo como forma de pressionar a filha em uma disputa de R$ 50 mil, dinheiro supostamente oriundo do tráfico de drogas. A jovem foi abordada quando saía do trabalho e levada para um cativeiro, onde sofreu agressões físicas e psicológicas, além de ameaças de morte. Conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, os sequestradores chegaram a enviar fotos da vítima amarrada e áudios desesperados para o marido dela, exigindo o pagamento e ameaçando de morte. O marido, ao ser contatado, procurou a Garras, dando início a uma intensa operação policial que culminou na libertação da jovem.
Durante as investigações, a própria vítima confirmou aos policiais que o pai havia orquestrado o sequestro e que ele estaria escondido na Bolívia com a mãe dela. A partir dessa informação crucial, a investigação ganhou fôlego, com a atuação integrada do Núcleo de Inteligência Policial da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), da Polícia Federal e da FELCN (Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia). O trabalho conjunto permitiu rastrear os passos de Palermo até a região de Santa Cruz de la Sierra, a maior cidade boliviana.
A caçada internacional que durou sete meses
A Polícia Civil informou que, após meses de monitoramento e troca de informações estratégicas entre as forças de segurança brasileiras e bolivianas, a polícia da Bolívia deflagrou a operação que resultou na prisão de Gerson Palermo. O narcotraficante é apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), uma das maiores organizações criminosas do Brasil, envolvida em tráfico internacional de drogas, com especial atuação no transporte de cocaína da Bolívia para o Brasil e outros países, além de esquemas de lavagem de dinheiro. Foragido desde 2020, ele já possuía um longo histórico criminal.
O nome de Gerson Palermo está associado a diversos crimes de alta repercussão ao longo das décadas. Um dos episódios mais notórios foi o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 16 de agosto de 2000. A aeronave, que partiu de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba, foi desviada e forçada a pousar em Porecatu, no norte do Paraná. Na ocasião, a quadrilha roubou malotes do Banco do Brasil que continham cerca de R$ 5,5 milhões. Por esse crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Histórico criminal que atravessa décadas
A trajetória criminosa de Palermo remonta aos anos 80, quando foi preso pela Polícia Federal transportando 100 quilos de maconha. Ao longo dos anos 90, ele se consolidou como um dos principais nomes no tráfico internacional de drogas, utilizando aviões e caminhões para enviar entorpecentes do Paraguai para o Brasil. Em 1990, foi preso novamente, conduzindo um caminhão carregado com éter e acetona, produtos químicos essenciais para o refino de cocaína.
Em 2007, Palermo foi preso em Campo Grande, suspeito de coordenar uma quadrilha que movimentava 1,4 tonelada de maconha. Mais recentemente, em 2017, ele foi identificado como o principal alvo da Operação All In, da Polícia Federal, que desmantelou uma organização criminosa envolvida no transporte de mais de 800 quilos de cocaína com origem na Bolívia. A Justiça Federal em Campo Grande condenou integrantes dessa organização em 2019. O caso também envolve a condenação de um desembargador do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) em 2020, o que demonstra a complexidade e o alcance das operações ligadas a Palermo, conforme checou o Campo Grande NEWS.
A prisão na Bolívia encerra um período de seis anos em que Gerson Palermo esteve foragido, levantando questionamentos sobre como um criminoso condenado a quase 126 anos conseguiu escapar da justiça por tanto tempo após deixar um presídio federal. A colaboração entre autoridades brasileiras e bolivianas foi fundamental para a localização e captura do narcotraficante, que agora deverá cumprir sua extensa pena. A filha de Palermo, após o trauma do sequestro, optou por não comentar a prisão do pai, informando que se manifestaria apenas por meio de seu advogado, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS.

