Profissionais da saúde mental em Campo Grande rejeitam a proposta da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de reduzir o tempo de consulta psiquiátrica para, em média, 20 minutos. O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) enviou um pedido formal à prefeitura para suspender as alterações, que, segundo a categoria, aumentariam drasticamente o número de atendimentos por plantão, tornando o cuidado inadequado.
Saúde Mental em Campo Grande: Médicos Criticam Proposta de Atendimento Rápido
A proposta em questão, apresentada pela Sesau, visava ampliar para 18 o número de atendimentos psiquiátricos em plantões de seis horas. Diante da forte oposição dos médicos, uma alternativa de 12 consultas por plantão, com possibilidade de dois encaixes, também foi apresentada, mas igualmente rejeitada. O Sinmed-MS solicitou um prazo de 30 dias para negociações, argumentando que o tempo proposto é insuficiente para a complexidade do atendimento em saúde mental.
Conforme informado pelo Sinmed-MS, a situação atual já segue metas estabelecidas por lei municipal, e o novo modelo proposto pela prefeitura praticamente dobraria o volume de consultas exigidas dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O presidente do sindicato, Marcelo Santana, destacou a gravidade da área e a necessidade de um tratamento sério e tecnicamente embasado, lamentando a possibilidade de a saúde mental ser tratada meramente como um indicador numérico.
Em resposta às preocupações levantadas pelo sindicato, a prefeitura de Campo Grande afirmou que não houve alteração nos atendimentos e que a agenda será mantida nos moldes já praticados nas unidades. A gestão municipal declarou que a iniciativa visa garantir a organização dos fluxos assistenciais, a conformidade administrativa, a segurança jurídica dos profissionais e a eficiência da gestão pública, assegurando que os atendimentos nos Centros de Atendimento Psicossociais (CAPS) e no Ambulatório de Saúde Mental ocorram dentro dos marcos legais e assistenciais estabelecidos.
Reunião e Posição da Categoria
Marcelo Santana explicou que uma reunião ocorreu entre representantes do sindicato e da prefeitura para debater o tema e apresentar a posição contrária da categoria. Após uma assembleia realizada com os médicos da área, as propostas de aumento de atendimentos foram formalmente rejeitadas. O Sinmed-MS, então, oficializou o pedido de suspensão das mudanças por 30 dias para viabilizar um processo de negociação mais aprofundado.
O presidente do Sinmed-MS enfatizou que a saúde mental é uma especialidade de **extrema gravidade**, que historicamente sofreu com negligência e necessita de evolução contínua. Ele ressaltou que o tempo perdido em discussões sobre a adequação dos atendimentos impacta diretamente a possibilidade de prevenir desfechos trágicos para pacientes, e que o tema não pode ser simplificado em meros números. O foco, segundo Santana, deve ser a seriedade e o conhecimento técnico na condução das políticas públicas de saúde mental.
Prefeitura Garante Continuidade e Segurança Profissional
A prefeitura, por meio de nota oficial, assegurou que a agenda de atendimentos psiquiátricos permanecerá inalterada, desmentindo a implementação de novas metas que impactariam a rotina dos profissionais. A gestão municipal reiterou que o diálogo com o Sinmed-MS está em andamento e que qualquer ajuste futuro será feito com base em discussões conjuntas, visando a melhoria contínua dos serviços oferecidos à população. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a prefeitura busca equilibrar a demanda com a qualidade do atendimento.
A administração municipal destacou que a proposta inicial visava, na verdade, a **organização dos fluxos assistenciais**, a **conformidade administrativa** e a **segurança jurídica dos profissionais**. O objetivo seria garantir que os atendimentos nos CAPS e no Ambulatório de Saúde Mental ocorram dentro dos parâmetros legais e assistenciais vigentes, otimizando a gestão pública. A prefeitura reitera seu compromisso com a saúde mental da população campo-grandense.
A notícia repercutiu entre os profissionais da área, que temem que uma carga de trabalho excessiva comprometa a **qualidade do atendimento** e o vínculo terapêutico com os pacientes. A preocupação é que, ao tentar aumentar a quantidade de atendimentos, a prefeitura acabe por desvalorizar a complexidade e a individualidade de cada caso, algo crucial no tratamento psiquiátrico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a categoria busca garantir que a saúde mental seja tratada com a **seriedade e o cuidado** que a especialidade exige.
O Sinmed-MS permanece atento às negociações e busca firmar um acordo que assegure o bem-estar tanto dos pacientes quanto dos profissionais. A suspensão solicitada visa abrir um espaço para um debate técnico mais aprofundado sobre as necessidades reais da rede de atenção psicossocial em Campo Grande. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a entidade sindical reafirma seu compromisso com a defesa dos médicos e a qualidade dos serviços de saúde oferecidos à comunidade.

