Marisa: auditor levanta dúvidas sobre futuro da varejista após prejuízo de US$ 13 milhões

A Marisa, uma das mais tradicionais redes de varejo de moda do Brasil, voltou a registrar prejuízos significativos no segundo trimestre de 2026. A empresa divulgou uma perda líquida de R$ 68,4 milhões (aproximadamente US$ 13 milhões) no período, revertendo o pequeno lucro de R$ 2,1 milhões obtido no mesmo trimestre do ano anterior. O resultado, divulgado em 14 de agosto, acende um alerta, especialmente com a ressalva feita pelo auditor da companhia sobre sua capacidade de continuar operando.

Auditor levanta alerta sobre futuro da Marisa

A situação financeira da Marisa se agravou, levando seu auditor, a BDO, a emitir um comunicado formal sobre a existência de uma ‘incerteza relevante’ quanto à capacidade da varejista de manter suas operações. Essa advertência, conhecida como ‘going concern’, indica que há dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa de honrar seus compromissos financeiros e se manter ativa no mercado nos próximos 12 meses. Conforme informação divulgada pela fonte, a Marisa encerrou o segundo trimestre com obrigações de curto prazo superando seus ativos de curto prazo em cerca de R$ 257 milhões, aproximadamente US$ 49 milhões.

Endividamento cresce e juros pesam no resultado

O principal fator por trás do prejuízo não são as operações de venda de suas lojas, que, aliás, apresentaram sinais de melhora. O verdadeiro vilão da história é o pesado fardo do endividamento e os altos custos para sua administração. As despesas financeiras da Marisa dispararam 47,7%, alcançando R$ 124,8 milhões (cerca de US$ 24 milhões). Esse aumento impactou diretamente o resultado financeiro líquido, que passou de um ganho anterior para uma perda de R$ 106 milhões (aproximadamente US$ 20 milhões).

O endividamento líquido da companhia subiu 42,4% desde dezembro, totalizando R$ 394,8 milhões (aproximadamente US$ 76 milhões). A alavancagem, que mede a relação entre dívida e resultados, quase dobrou, passando de 0,8 para 1,4 vez os ganhos anuais. A empresa está em processo de renegociação de suas dívidas fora do ambiente judicial, buscando alongar os prazos de pagamento. Essa estratégia, embora necessária para ganhar fôlego, eleva os custos com juros no presente.

Lojas apresentam melhora, mas finanças preocupam

Em um contraste surpreendente, o desempenho das lojas da Marisa em bases comparáveis (excluindo novas aberturas ou fechamentos) mostrou resiliência. As vendas nessas unidades aumentaram 3,2% no trimestre, totalizando R$ 379,4 milhões. Além disso, a margem bruta atingiu um recorde de 51,3%, um avanço de cerca de um ponto percentual. Esses dados indicam que o negócio principal de venda de roupas está, de fato, mais saudável, mesmo diante das severas dificuldades financeiras.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a rede tem trabalhado para ajustar suas operações, fechando lojas com desempenho fraco e reduzindo custos. Essas medidas têm contribuído para a melhora das margens, mas ainda não foram suficientes para compensar o peso da dívida acumulada ao longo de anos de resultados negativos. A expertise da equipe em gestão de varejo, como atestado pelo Campo Grande NEWS, é um ponto forte, mas a estrutura de capital se mostra um desafio.

O que significa o alerta de ‘going concern’ e os próximos passos

É importante esclarecer que o alerta de ‘going concern’ não significa que a Marisa esteja em processo de falência ou pedindo recuperação judicial. A empresa não entrou com pedido de recuperação judicial, que é a versão brasileira da proteção contra credores. Em vez disso, está negociando diretamente com seus credores. Contudo, a advertência do auditor aumenta a pressão e a complexidade dessas negociações. O Campo Grande NEWS ressalta que a capacidade da empresa de se reestruturar financeiramente é crucial.

Para os consumidores, a princípio, pouca coisa muda no dia a dia. As lojas continuam operando normalmente, e o desempenho do varejo mostra sinais positivos. Para os investidores, no entanto, o aviso funciona como um sinal de cautela. Um alerta de ‘going concern’ tende a gerar volatilidade nas ações e coloca as negociações de dívida como o principal ponto de atenção. O futuro da Marisa dependerá da sua capacidade de renegociar suas dívidas em termos mais favoráveis, com prazos mais longos e custos menores de juros, aliviando a pressão sobre seu caixa.

O acompanhamento da posição de caixa da empresa e os próximos relatórios do auditor serão determinantes. Se os ganhos operacionais se mantiverem e a dívida for controlada, a incerteza sobre a sobrevivência da Marisa poderá diminuir gradualmente. A experiência da varejista em navegar por ciclos econômicos desafiadores, como reportado pelo Campo Grande NEWS, pode ser um fator importante nesta etapa.