Marinha dos EUA sem porta-aviões no Caribe, enquanto ataques somam 220 mortos

A campanha militar dos Estados Unidos contra barcos suspeitos de transportar drogas no Caribe e no Pacífico oriental, conhecida como Operação Southern Spear, prossegue sem a presença de um porta-aviões americano na região. As embarcações de guerra mais poderosas da Marinha dos EUA foram realocadas para o Oriente Médio em meio a tensões geopolíticas, deixando uma lacuna estratégica na vigilância marítima e levantando questionamentos sobre a eficácia e legalidade das operações em andamento.

US Navy sem porta-aviões no Caribe

Desde junho, nenhum porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos foi reportado no Caribe. O USS Gerald R. Ford, que estava na região, partiu para o Oriente Médio em fevereiro, conforme noticiado pela Reuters e pelo The New York Times. Posteriormente, o USS Nimitz esteve na área por menos de um mês, encerrando sua missão em 17 de junho, sem ser substituído por outra embarcação similar.

Essa ausência de porta-aviões, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, ocorre em um momento crítico, com a campanha batizada de Operação Southern Spear, iniciada em setembro de 2025, acumulando um número significativo de mortes. A operação, nomeada pelo Secretário de Defesa Pete Hegseth em novembro de 2025, visa interdições de embarcações que Washington alega estarem ligadas ao tráfico de drogas.

A situação levanta preocupações sobre a capacidade de projeção de força dos EUA na região, especialmente considerando que a guerra com o Irã tem mantido os porta-aviões americanos focados no Golfo Pérsico. O Campo Grande NEWS checou que, em dezembro de 2025, cerca de 15.000 militares americanos e 11 navios de guerra estavam na região, mas a ausência de um porta-aviões é notável.

A Realocação dos Gigantes Navais

O porta-aviões USS Gerald R. Ford chegou ao Caribe em novembro de 2025, após uma missão de seis meses. Sua saída em fevereiro de 2026 marcou o fim de uma longa permanência no mar, com o navio tendo completado cerca de oito meses de operações. A decisão de realocá-lo para o Oriente Médio foi reportada um dia antes pelo The New York Times e confirmada por um oficial americano ao USNI News.

A missão do Ford no Caribe ocorreu em um período de alta tensão, incluindo a captura de Nicolás Maduro em Caracas em janeiro. A ordem de deslocamento para o Oriente Médio veio antes do início dos confrontos com o Irã no final de fevereiro. O USS Abraham Lincoln já estava posicionado na região, e a chegada do Ford o tornou o segundo porta-aviões americano no Golfo.

Após uma extensa implantação no Oriente Médio, que incluiu uma parada no início de maio, o Ford retornou a Norfolk em 16 de maio, após 326 dias no mar, um dos mais longos desdobramentos de porta-aviões americanos desde o fim da Guerra Fria. O navio entrou em estaleiro em julho para manutenção.

Nimitz: Uma Passagem Breve

O Comando Sul, responsável pelas operações militares americanas na América Latina, recebeu o porta-aviões USS Nimitz em 20 de maio. A bordo estavam o Carrier Air Wing 17, o destróier USS Gridley e o navio de abastecimento USNS Patuxent. No entanto, a presença do grupo de ataque foi efêmera.

O Nimitz concluiu sua implantação no Caribe em 17 de junho, após realizar escalas em portos de países como Brasil, Chile, Jamaica e Panamá. Segundo o Contra-Almirante Carlos Sardiello, comandante das Forças Navais do Comando Sul dos EUA, o grupo de ataque colaborou com 14 nações durante a missão. Conforme o Campo Grande NEWS checou, desde então, não há registro de porta-aviões americano na área.

Operação Southern Spear: Um Legado Sangrento

Apesar da ausência de porta-aviões, a campanha de ataques a barcos na região não cessou. Em 20 de setembro, um ataque resultou na morte de quatro pessoas em uma embarcação descrita pelo Comando Sul como transportadora de drogas, segundo o jornal The Hill. A Operação Southern Spear, lançada oficialmente em 2 de setembro de 2025, já resultou em um número alarmante de fatalidades.

A organização Human Rights Watch contabiliza 69 ataques e 227 mortes desde setembro de 2025. Outras contagens divergem ligeiramente. O CBC, por exemplo, registrou pelo menos 231 mortes em 69 ataques até 21 de setembro. Um relatório das Nações Unidas contou 68 embarcações atingidas e pelo menos 223 mortos até agosto, utilizando diferentes critérios de corte e métodos de apuração.

O Comando Sul dos EUA informou que não pode fornecer um balanço público detalhado de cada interdição e ataque realizado. A falta de transparência nessas estatísticas contribui para a controvérsia em torno da operação, conforme observado em análises reportadas pelo Campo Grande NEWS.

Debates Sobre a Legalidade dos Ataques

Washington defende que os ataques são atos de autodefesa contra grupos armados que designou como organizações terroristas, baseando-se em um parecer da Procuradoria-Geral dos EUA que ainda não foi publicado. No entanto, Ben Saul, relator especial das Nações Unidas sobre direitos humanos e contraterrorismo, discorda.

Saul argumenta que o tráfico de drogas não constitui um ataque armado, o que enfraquece a justificativa de autodefesa. A Human Rights Watch descreve a campanha como um ano de execuções extrajudiciais em alto mar. O Comando Sul, por sua vez, reafirma que sua tarefa é combater atividades ilícitas e atores hostis no hemisfério ocidental.

A administração americana não identificou todas as vítimas dos ataques. Enquanto Trinidad e Tobago tem apoiado as operações, outros países da Comunidade do Caribe expressaram preocupação com a metodologia e as consequências da Operação Southern Spear. A questão legal, conforme aponta a CNN, é central para o debate sobre a continuidade e a legitimidade dessas ações no mar.

O Que Observar no Futuro

A principal questão é se o Pentágono enviará outro porta-aviões para o sul. A Marinha possui onze porta-aviões, mas a manutenção e o treinamento geralmente mantêm apenas cerca de três em operação simultaneamente. O conflito com o Irã continua a ditar a alocação das forças navais mais importantes dos EUA.

Outro ponto de atenção é o ritmo dos ataques a barcos, que apresentou desaceleração em 2026, com cerca de cinco incidentes por mês na primeira metade do ano, em contraste com os onze registrados em dezembro de 2025. A pressão sobre Cuba também aumentou, com declarações do Presidente Trump na Assembleia Geral da ONU sobre a iminente queda do governo cubano.