Uma mãe em desespero busca resgatar seus dois filhos, de 10 e 11 anos, de uma situação de maus-tratos e abandono na zona rural de Campo Grande, na região de Indubrasil. As crianças estão sob a guarda da avó paterna há cerca de dois anos e meio, período em que a guarda judicial ainda não foi definida. A mãe relata uma batalha judicial para reaver seus filhos, que vieram de São Paulo para passar férias e não retornaram.
A denúncia ganhou contornos ainda mais graves quando a mãe foi informada de que um dos filhos estava internado em estado grave, com infecção, chegando a necessitar de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela relatou ter sido informada de que o menino “não tinha mais chance de vida”, e ao chegar, encontrou os filhos “extremamente magros, debilitados”.
Vídeos enviados à reportagem revelam a chocante realidade da residência onde as crianças estariam vivendo. As imagens mostram um cenário de condições precárias, com acúmulo de lixo, restos de comida, roupas espalhadas e a ausência de itens básicos como portas, janelas e acesso regular à água encanada. A mãe afirma que os filhos apresentam sinais de desnutrição e problemas de saúde recorrentes.
Um dos meninos, de 10 anos, estaria com uma infecção no nariz, que a mãe atribui às condições insalubres do local. “Ele tem 10 anos, mas parece muito menor. Está extremamente magro, só pele e osso. Quase não reconheci minhas crianças. Era só para passar férias, mas tudo virou um inferno na nossa vida”, desabafou a mãe. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação é de extrema preocupação.
Luta judicial e descaso das autoridades
A mãe alega ter procurado o Conselho Tutelar, registrado ocorrência policial e levado o caso ao Ministério Público. No entanto, segundo ela, nenhuma providência efetiva foi tomada até o momento. “Meus filhos estão sofrendo e ninguém faz nada”, lamentou a mãe, evidenciando a frustração com a morosidade e aparente inércia dos órgãos responsáveis.
Outro ponto alarmante levantado na denúncia é a alegação de que a avó paterna não teria condições adequadas de sustento para as crianças. Relatos recebidos pela mãe indicam que os menores estariam sendo utilizados para pedir esmolas em pontos de ônibus, o que agrava ainda mais a situação de vulnerabilidade e exploração.
Um laudo apresentado pela mãe, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, detalha que equipes do Conselho Tutelar de São Paulo já avaliaram as condições da genitora e atestaram que ela teria condições de cuidar dos filhos. Apesar disso, a Justiça ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre a guarda das crianças, mantendo-as em um ambiente que a mãe descreve como infernal.
Condições alarmantes e falta de ação
A reportagem tentou contato com a avó paterna para apresentar sua versão dos fatos, mas não obteve sucesso em localizar seu contato. O conteúdo foi produzido com base em documentos, vídeos e fotos apresentados pela mãe, mas o espaço permanece aberto para manifestação da família paterna, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A situação expõe a complexidade dos casos de disputa de guarda e a urgência em garantir a proteção de crianças em situações de vulnerabilidade. A mãe clama por ação rápida da justiça para que seus filhos sejam retirados do ambiente insalubre e recebam os cuidados necessários. A falta de acesso a itens básicos e a desnutrição são sinais claros de que a integridade física e psicológica das crianças está seriamente comprometida.
A luta dessa mãe evidencia a importância do acompanhamento rigoroso dos casos de maus-tratos e abandono. A demora na definição da guarda e a aparente falta de ação dos órgãos competentes podem ter consequências devastadoras para o desenvolvimento e bem-estar das crianças. A esperança é que o caso ganhe a devida atenção e que as crianças sejam resgatadas dessa situação de sofrimento.

