A Santa Casa de Campo Grande celebrou a entrega de sete enfermarias reformadas na Ala B, um marco significativo alcançado graças a doações de lojas maçônicas e arrecadações internas. O projeto, que demandou um investimento de R$ 196 mil, trouxe um alívio imediato para pacientes e funcionários, com a redução drástica da temperatura nos quartos, que caiu de 34°C para 19°C com a instalação de sistemas de ar-condicionado. A iniciativa é um sopro de esperança em meio aos desafios financeiros enfrentados pelo hospital, que opera com um contrato sem reajustes há 20 meses, limitando a capacidade de investimentos em melhorias estruturais. Outras seis enfermarias do mesmo setor ainda aguardam a tão necessária revitalização.
Maçonaria e comunidade unem forças pela Santa Casa
O cenário nas enfermarias da Ala B da Santa Casa de Campo Grande era de extremo desconforto térmico, com temperaturas que frequentemente ultrapassavam os 34°C. A situação mudou radicalmente com a conclusão da reforma de sete das treze enfermarias do primeiro andar, setor dedicado a pacientes de cuidados intermediários. Este avanço foi possível graças a um investimento aproximado de R$ 196 mil, originado de um esforço conjunto que envolveu doações de diversas lojas maçônicas de Campo Grande e do interior do Estado, além de arrecadações internas promovidas pela Associação Beneficente da Santa Casa, entidade responsável pela gestão da unidade.
Um grupo especial de apoiadoras, conhecido como “madrinhas” da Santa Casa, também desempenhou um papel crucial. Essas mulheres organizam e executam ações voluntárias, como bazares e campanhas beneficentes, para angariar os recursos necessários para a instituição. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a colaboração da sociedade civil tem sido fundamental para a manutenção e melhoria dos serviços oferecidos pelo hospital, reforçando a importância da participação comunitária em causas de saúde pública.
Climatização transforma o ambiente hospitalar
A principal necessidade identificada para a melhoria do setor era a climatização. Gustavo Medina, um dos doadores e maçom envolvido na iniciativa, relatou a dramática diferença após a instalação dos aparelhos de ar-condicionado. Antes, o calor era insuportável, superando os 34°C. Com a reforma, a temperatura caiu para agradáveis 19°C, proporcionando um ambiente muito mais propício à recuperação dos pacientes e ao bem-estar dos profissionais de saúde. Essa mudança representa um avanço significativo na qualidade do atendimento, como aponta o Campo Grande NEWS em suas reportagens sobre o tema.
Alir Terra, presidente da Associação Beneficente da Santa Casa, detalhou a origem dos recursos. Parte do investimento provém do atendimento privado realizado em unidades como o Prontomed, do plano Santa Casa Saúde e de convênios com operadoras como Unimed e Cassems, além da arrecadação do estacionamento do hospital. “No caso dos aparelhos de ar-condicionado foi a maçonaria. No caso das enfermarias, grande parte foi referente à arrecadação do nosso estacionamento. E a outra parte são recursos do atendimento privado para usuários da Unimed, Cassems, Santa Casa Saúde e outros. Todos aportam dinheiro para os cuidados aqui na Santa Casa. Tira o recurso que é para manter o privado, o resto é para fazer investimento”, explicou Terra.
Desafios financeiros e a dependência de doações
Apesar do sucesso na reforma de sete enfermarias, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta um cenário financeiro delicado. O contrato com o poder público está sem reajuste há mais de 20 meses, o que pressiona os orçamentos e dificulta a realização de investimentos necessários para a manutenção e modernização da estrutura. Alessandro Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa, ressaltou que o prédio tem aproximadamente 50 anos e, embora tenha passado por intervenções ao longo do tempo, necessita de reformas mais amplas e constantes. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a dependência de ações da população e de instituições parceiras tornou-se uma realidade para suprir as carências estruturais.
“Esse setor já teve reforma, mas não acontece melhoramento constante porque nós temos um contrato há mais de 20 meses sem reajustes, então a gente depende infelizmente de ações da população para ajudar no que é nosso”, declarou Junqueira. Ele ainda alertou que a outra metade do primeiro andar da Ala B, incluindo os banheiros, encontra-se em estado de desgaste considerável e também carece de climatização e outras melhorias urgentes.
A iniciativa que nasceu de uma experiência pessoal
A mobilização das lojas maçônicas para a reforma das enfermarias teve um gatilho pessoal. Gustavo Medina compartilhou que a experiência de seu pai, que precisou ser internado na Ala C da Santa Casa no ano passado, o fez enxergar de perto a necessidade de melhorias no ambiente hospitalar. “A partir do momento que meu pai ficou internado na Ala C, eu vi a necessidade de ajudar”, afirmou. Essa vivência direta impulsionou a busca por soluções e a articulação com outros membros da maçonaria e da comunidade.
Adicionalmente, parte significativa da obra foi executada pelos próprios funcionários da Santa Casa, especialmente da marcenaria e serviços gerais. Lucas Silva, responsável por essas áreas, destacou que o trabalho envolveu a produção de portas, prateleiras, móveis e a execução da parte hidrossanitária dos banheiros. Essa colaboração interna não só otimizou o uso dos recursos, mas também demonstrou o engajamento da equipe com a instituição. Os trabalhos, iniciados em novembro do ano passado, foram concluídos recentemente, após algumas interrupções para atender demandas emergenciais de outros setores do hospital.
Em 2023, a Santa Casa já havia entregue metade da reforma do pronto-socorro. Agora, com a conclusão de sete enfermarias na Ala B, o hospital avança na revitalização de suas instalações, mas o desafio de concluir as demais enfermarias do setor e garantir melhorias contínuas persiste, reforçando a importância do apoio contínuo da sociedade.

