Uma nova pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em março revela que apenas 33% dos brasileiros avaliam o governo Lula como “ótimo” ou “bom”. Esse índice é inferior ao registrado por todos os presidentes que conseguiram a reeleição ou elegeram seus sucessores desde 2002. O cenário eleitoral, a sete meses das eleições presidenciais de outubro de 2026, indica um caminho cada vez mais estreito para o atual presidente buscar um quarto mandato.
Lula em baixa: pesquisa revela cenário desfavorável para reeleição
Os números da pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada em 10 de março, mostram um governo com 33% de aprovação contra 40% de desaprovação, configurando um saldo negativo de sete pontos percentuais. De acordo com análise do The Rio Times, um portal de notícias financeiras da América Latina, nenhum presidente desde 2002 conseguiu reverter um quadro semelhante para obter a reeleição. A opinião pública parece cristalizada, com 51% desaprovando a gestão e 43% aprovando, enquanto a confiança no presidente Lula atinge 40%, com 56% declarando não confiar nele.
Um marco histórico na política brasileira
O levantamento, realizado entre 5 e 9 de março com 2.000 entrevistados em 131 municípios, aponta que a avaliação positiva do governo Lula é de 33%, um leve aumento de três pontos em relação aos 30% registrados em dezembro. Contudo, Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec, classificou o resultado como um “saldo ainda negativo”, que o governo ainda não conseguiu reverter. A desaprovação entre o público evangélico, um segmento eleitoral em ascensão, chega a 64%, com apenas 22% avaliando o governo positivamente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dificuldade em angariar apoio em setores importantes do eleitorado pode ser um obstáculo significativo.
Comparativo com eleições anteriores
Uma análise compilada pelo jornal O Estado de S. Paulo, com dados da Ipsos-Ipec (antiga Ibope), revela um padrão preocupante para o atual governo. Em março de cada ano eleitoral desde 2002, nenhum presidente que se encontrava com índice de aprovação igual ou inferior a 33% conseguiu vencer a eleição, seja para reeleição ou para eleger um sucessor. Em 2006, quando Lula conquistou seu segundo mandato, ele detinha 38% de avaliações positivas no mesmo período. Em 2010, com 75% de aprovação, ele transferiu esse capital político para Dilma Rousseff. Em contraste, Michel Temer registrou apenas 5% em março de 2018, e seu candidato, Henrique Meirelles, não obteve tração. Jair Bolsonaro, com cerca de 19% antes da eleição de 2022, acabou derrotado. A trajetória de Lula em 2024 se mostra mais desafiadora do que em seus pleitos anteriores, como aponta o Campo Grande NEWS.
Desafios econômicos e escândalos pesam na popularidade
A percepção sobre a economia também não favorece o governo. A pesquisa indica que 42% dos brasileiros acreditam que a situação econômica piorou, enquanto 27% veem melhorias e 36% preveem um agravamento nos próximos seis meses. Paralelamente, o governo enfrenta o peso de investigações em curso. A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre o escândalo do INSS atingiu Fábiio Luís Lula da Silva, filho do presidente conhecido como Lulinha. Além disso, o escândalo envolvendo o Banco Master criou um ambiente político tóxico, afetando aliados e opositores. A oposição tem utilizado esses casos como evidências de disfunções sistêmicas, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.
Cenário eleitoral e a busca por recuperação
Apesar do cenário desafiador, aliados do governo insistem na possibilidade de recuperação, apostando no acirramento da campanha e na comparação com administrações anteriores. No entanto, o cientista político Alberto Carlos Almeida ressalta que o atual terceiro mandato de Lula carece da “euforia da novidade” de seu primeiro governo, quando programas como o Bolsa Família eram vistos como inovações. Atualmente, esses mesmos programas sociais são percebidos como direitos adquiridos, e não necessariamente como conquistas do governo, uma mudança sutil, mas crucial, que pode limitar o retorno eleitoral. Uma pesquisa separada da Genial/Quaest aponta Lula empatado com o senador Flávio Bolsonaro em 41% em um cenário hipotético de segundo turno, um resultado notável para um presidente em exercício contra um candidato de primeira viagem.
A queda na aprovação de Lula, se mantida, representa um desafio histórico para sua permanência na presidência, exigindo estratégias eficazes para reverter a percepção pública nos próximos meses.


