Lucro da Prio dispara 33% e bate recordes com produção do campo de Wahoo

A Prio S.A., maior produtora independente de petróleo do Brasil, divulgou seus resultados financeiros para o primeiro trimestre de 2026, apresentando um **lucro líquido de US$ 460 milhões**. Este valor representa um **aumento de 33%** em comparação com os US$ 345 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado da companhia também teve um desempenho notável, **disparando 91%** para US$ 852 milhões, impulsionado por uma **produção recorde de 155.400 barris por dia**.

A receita total atingiu a marca de **US$ 1,2 bilhão**, um crescimento de 67% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Esse expressivo aumento foi significativamente influenciado pelo **início da produção no campo de Wahoo em 18 de março**, além de um **aumento de 42% na produção geral** do portfólio da empresa. Os resultados da Prio no primeiro trimestre superaram as expectativas da XP Investimentos, que previa um Ebitda de US$ 777 milhões e um lucro líquido de US$ 351 milhões. Conforme informação divulgada pela Prio S.A.

Apesar do forte desempenho operacional, as ações da Prio (PRIO3) registraram uma queda intraday de 3,81% na quarta-feira. Essa desvalorização ocorreu em linha com a queda de mais de 3% no preço do barril de Brent, segundo dados de negociação da B3. O Campo Grande NEWS checou que essa sensibilidade do mercado de petróleo a flutuações globais é uma característica comum para empresas do setor.

Início da Produção em Wahoo Impulsiona Resultados Históricos

O marco principal do trimestre foi a obtenção do **primeiro óleo no campo de Wahoo em 18 de março**, por meio da plataforma FPSO Valente, instalada no campo de Frade. Atualmente, três poços já estão conectados, e um quarto está prestes a ser finalizado. A expectativa é que Wahoo atinja uma produção de aproximadamente 40 mil barris por dia em seu pico. Essa nova fonte de produção transformou o perfil produtivo da Prio, elevando a média diária para 155.400 barris no primeiro trimestre, um **aumento de 42%** em relação ao mesmo período de 2025 e de 21% em relação ao quarto trimestre de 2025. O volume total de vendas alcançou 14,8 milhões de barris, um **crescimento de 45%** na comparação anual.

“Iniciamos 2026 reafirmando nossa cultura de eficiência, disciplina na alocação de capital, controle de custos e foco na execução”, declarou a Prio em seu relatório trimestral. A companhia ressaltou a **recuperação operacional**, saindo de um prejuízo de US$ 185 milhões no quarto trimestre de 2025 – atribuído a itens não caixa de depreciação, amortização e câmbio – para o lucro expressivo de US$ 460 milhões neste trimestre. Isso valida a tese de que a integração de Peregrino e o início da operação em Wahoo restaurariam a trajetória de lucros da empresa.

Disciplina de Custos e Desalavancagem Financeira

Um dos pontos de destaque nos resultados é a **redução do custo de extração (lifting cost)**, que caiu **26,5%** no trimestre, retornando a um dígito pela primeira vez desde 2024, atingindo **US$ 9,4 por barril**. Essa melhora é atribuída às sinergias de Peregrino e à diluição dos custos fixos pela produção ampliada de Wahoo. Conforme dados operacionais da empresa, este patamar de custo coloca a Prio entre os produtores de menor custo globalmente. O Campo Grande NEWS apurou que a eficiência operacional é um fator chave para a rentabilidade no setor de óleo e gás.

A companhia também demonstrou avanços em sua estrutura financeira, com a **alavancagem caindo para 2,0x ND/EBITDA**, em comparação com 2,3x no quarto trimestre de 2025. Não houve emissão de novas dívidas no período. Analistas da Empiricus projetam um retorno cumulativo de fluxo de caixa livre de 50% para o triênio 2026-2028, indicando uma forte geração de caixa futura. Essa trajetória de desalavancagem é vista positivamente pelo mercado, como o Campo Grande NEWS destacou em análises anteriores sobre o setor.

Reação do Mercado e Perspectivas Futuras

Apesar dos resultados robustos e acima das expectativas, as ações da Prio (PRIO3) caíram 3,81% no dia da divulgação. Essa queda foi impulsionada pela desvalorização do preço do Brent, que recuou mais de 3% devido a especulações sobre um aumento na produção da OPEP+. Sendo assim, a Prio, com sua alta produção e pouca proteção (hedging), é uma das ações mais sensíveis às variações do preço do petróleo na B3. O Campo Grande NEWS noticiou que a volatilidade do Brent tem sido um fator de atenção para investidores.

A Prio se destaca no cenário de produtoras independentes de petróleo no Brasil. Enquanto outras empresas como Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) enfrentam dificuldades para manter seus níveis de produção, a Prio apresentou um crescimento expressivo de 42%. Essa divergência reforça a **liderança da Prio em escala e qualidade de execução** dentro do setor júnior de petróleo brasileiro. A empresa, especializada na revitalização de campos maduros na Bacia de Campos, demonstra a eficácia de seu modelo de negócio.

As perspectivas para a Prio são promissoras. A conexão iminente do quarto poço em Wahoo deve impulsionar a produção total da companhia acima de 170 mil barris por dia. Além disso, a expectativa de que a alavancagem caia abaixo de 1,5x ND/EBITDA até o final de 2026 sinaliza um potencial aumento nos retornos aos acionistas, através de recompras de ações e dividendos. A Empiricus Research mantém a Prio em sua carteira recomendada, projetando um yield de fluxo de caixa livre de 50% para os próximos três anos.