Light: Fim da recuperação judicial após R$ 1,5 bilhão em aporte

A Light, principal distribuidora de energia do Rio de Janeiro, deu um passo crucial para sair de um processo de recuperação judicial que se arrastava há dois anos. A empresa solicitou formalmente a um tribunal do Rio de Janeiro, em 15 de julho de 2026, o encerramento de sua recuperação judicial, um pedido que vem logo após a conclusão de um robusto aporte de capital de R$ 1,5 bilhão (US$ 296 milhões), realizado em 8 de julho de 2026. Essa capitalização foi a condição final necessária para atender aos termos do plano de reestruturação da companhia. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a operação representa um marco significativo para a Light e seus credores.

O plano de reestruturação, aprovado pelos credores em maio de 2024 e validado pela Justiça do Rio de Janeiro em 18 de junho de 2024, previa a necessidade de um aumento de capital como etapa derradeira. A diretoria da Light aprovou a operação em 14 de maio de 2026, estabelecendo uma meta mínima de R$ 1,0 bilhão (US$ 197 milhões), valor que foi confortavelmente superado.

Essa injeção de recursos não apenas atende a uma exigência do plano, mas também tem o potencial de transformar o balanço financeiro da empresa. A expectativa é que a dívida líquida da Light, que se encontrava em torno de R$ 9 bilhões (US$ 1,77 bilhão), seja reduzida para menos de R$ 6 bilhões (US$ 1,18 bilhão). Essa desoneração financeira é fundamental para que a empresa retome sua capacidade de investimento em infraestrutura essencial, algo que esteve paralisado durante o período de recuperação judicial.

A operação de capitalização envolveu a emissão de 238,47 milhões de novas ações ordinárias, cada uma negociada a R$ 6,29 (US$ 1,24). Três acionistas de referência foram os pilares deste aporte, garantindo a liquidez necessária. Ronaldo Cezar Coelho agora detém aproximadamente 20% da companhia, o banco de investimento BTG Pactual controla cerca de 15%, e Carlos Alberto Sicupira, cofundador da 3G Capital, possui por volta de 10% das ações. Esses investidores desempenharam um papel crucial em viabilizar a saída da Light do processo de recuperação judicial.

A estrutura do plano de recuperação

O plano de reestruturação da Light prevê um tratamento diferenciado para os credores. Os credores de menor porte terão seus créditos quitados integralmente. Já os credores de maior porte terão a opção de converter até 40% de suas dívidas em participação acionária na empresa. O restante da dívida será pago em um prazo que varia entre oito e doze anos. Essa estrutura busca equilibrar a necessidade de capitalização da empresa com a justa remuneração dos seus credores.

A conversão de dívida em capital é um dos pilares do plano, com uma projeção de R$ 2,2 bilhões (US$ 433 milhões) a serem transformados de passivos em patrimônio líquido. Essa conversão, aliada ao novo aporte, é o que permitirá a redução expressiva da dívida líquida da Light, como detalhado pelo Campo Grande NEWS.

Impacto para acionistas e o futuro da Light

Os acionistas que não participaram do aumento de capital enfrentarão uma diluição em sua participação acionária. O capital social total da empresa foi elevado para R$ 6,97 bilhões (US$ 1,37 bilhão), com o número total de ações saltando para 611,03 milhões. A análise para os investidores reside em ponderar essa diluição frente ao potencial de uma empresa desalavancada e com capacidade de investimento restaurada.

A Light S.A., juntamente com suas subsidiárias, atua na geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica no Brasil, com foco principal na distribuição no estado do Rio de Janeiro. A empresa, que serve milhões de clientes na segunda maior área urbana do país, entrou em recuperação judicial em 2023, um processo similar ao Chapter 11 nos Estados Unidos, que permite a reestruturação de dívidas enquanto as operações continuam.

Para investidores estrangeiros interessados no setor de utilities brasileiro, a saída da Light da recuperação judicial é um sinal positivo. Demonstra que concessionárias com altos endividamentos podem encontrar um caminho de volta à estabilidade com o apoio de capital local determinado. A recuperação da Light pode reforçar a confiança em um setor que tem visto outras distribuidoras enfrentarem dificuldades semelhantes com seus passivos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que, a longo prazo, os moradores do Rio de Janeiro possam experimentar um serviço de eletricidade mais confiável, à medida que os investimentos em infraestrutura, antes congelados, sejam retomados.

Próximos passos e oportunidades

Um período de exercício de bônus de subscrição está aberto de 16 de julho a 14 de agosto de 2026. Cada nova ação emitida veio acompanhada de dois bônus de subscrição, conferindo aos detentores direitos adicionais para adquirir ações. Um cronograma de lock-up gradual liberará as novas ações em etapas até 2029, uma estratégia para evitar uma saturação súbita do mercado e pressão sobre o preço das ações.

Após a aceitação formal do pedido de encerramento da recuperação judicial pelo tribunal, a Light poderá retomar investimentos cruciais em infraestrutura. Esses investimentos foram essenciais para a manutenção e expansão da rede elétrica, mas foram suspensos durante o processo de reestruturação. A retomada desses projetos é vital para a melhoria da qualidade do serviço prestado aos consumidores.