Eleições no Peru: Polarização à Esquerda Contra Keiko Fujimori
As eleições presidenciais no Peru tomaram um rumo inesperado nesta quarta-feira (15). Com a contagem dos votos ultrapassando 91%, Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, superou Rafael López Aliaga e garantiu a segunda posição. Isso configura um segundo turno entre Keiko Fujimori, líder nas pesquisas, e um candidato de esquerda, reacendendo a polarização vista em 2021.
A reviravolta na disputa presidencial já impactou o mercado financeiro peruano. A moeda local, o sol, sofreu uma desvalorização significativa frente ao dólar, reflexo da incerteza gerada pela nova configuração do segundo turno. Essa mudança nas expectativas do mercado foi atribuída por analistas à ascensão de Sánchez, que representa um espectro político diferente do de López Aliaga.
A apuração dos votos revelou uma mudança notável na distribuição do apoio eleitoral. Sánchez viu sua votação crescer consideravelmente à medida que os resultados de áreas rurais e das regiões de serra sul eram processados. Em contrapartida, López Aliaga, que inicialmente figurava em segundo lugar, viu sua porcentagem de votos diminuir. O cenário eleitoral peruano, marcado também por escândalos logísticos, segue em desenvolvimento.
Sánchez Ultrapassa López Aliaga e Define Segundo Turno
Na manhã desta quarta-feira, o panorama eleitoral peruano se consolidou de forma surpreendente. Roberto Sánchez, representando a coligação Juntos por el Perú, alcançou a segunda colocação nas urnas, superando Rafael López Aliaga, do Renovación Popular. A informação foi confirmada pelo jornal El Comercio, que registrou Sánchez com 12,048% dos votos contra 11,887% de López Aliaga, com mais de 91% das urnas apuradas. Este resultado estabelece um segundo turno para 7 de junho, com a disputa acirrada entre Keiko Fujimori, que se manteve firme na liderança com 16,99%, e um representante da esquerda peruana.
A ascensão de Sánchez foi um movimento gradual, mas decisivo. Ele partiu de 8,5% nas primeiras apurações, predominantemente urbanas, e chegou a 11,7% na noite de terça-feira. A virada ocorreu durante a madrugada, impulsionada pela contagem de votos provenientes de regiões de serra sul, como Cusco, Puno, Ayacucho e Apurímac. Paralelamente, López Aliaga, que chegou a registrar quase 14% dos votos nas primeiras parciais, viu seu percentual cair mais de dois pontos, culminando na perda da segunda posição. Jorge Nieto figura em quarto lugar, com cerca de 11,1%, seguido por Ricardo Belmont em quinto, próximo aos 10%.
Com a maior parte dos votos restantes provenientes das mesmas regiões onde Sánchez demonstra maior força, a expectativa, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, é que sua vantagem sobre López Aliaga se amplie ainda mais. A trajetória dos votos confirma a tendência que já se desenhava nas últimas 48 horas, mas a inversão ocorreu de forma mais acentuada durante a madrugada de apuração.
Mercado Reage com Queda do Sol e Temores de Repetição de 2021
A reação dos mercados financeiros não tardou a se manifestar. O dólar abriu o dia cotado a S/3,4309, um salto considerável em relação ao fechamento de S/3,3940 da terça-feira. Fernando Ruiz, CEO da Kambista, atribuiu essa movimentação diretamente à consolidação de Sánchez na segunda posição. Ele explicou que essa mudança alterou as expectativas do mercado quanto aos candidatos que chegariam ao segundo turno.
O temor predominante no mercado, conforme análise divulgada pelo Campo Grande NEWS, é a possibilidade de uma repetição do cenário de 2021. Naquele ano, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori no segundo turno por uma margem estreita de 44.000 votos, resultando em uma presidência marcada por instabilidade e que terminou com a prisão de Castillo. A associação de Sánchez com o governo anterior, onde atuou como ministro, e sua base eleitoral rural, reforçam essa apreensão.
Inclusive, o próprio companheiro de chapa de Keiko Fujimori, Luis Galarreta, já havia admitido dias antes que a força política de Fujimori preferiria enfrentar López Aliaga no segundo turno, reconhecendo que o adversário de esquerda representa um desafio maior. A volatilidade do mercado, segundo Ruiz, deve permanecer alta, sujeita a novas oscilações conforme novas informações sobre o processo eleitoral se tornem disponíveis.
Escândalo Logístico e Pressão Institucional Marcam Eleições
O processo eleitoral peruano foi permeado por incidentes logísticos que adicionaram tensão ao pleito. Uma falha na entrega de materiais de votação por parte da empresa Servicios Generales Galaga a centenas de locais de votação em 12 de abril forçou a realização de um dia extra de votação em 13 de abril. Este incidente, que gerou grande insatisfação entre os eleitores, está sob investigação criminal.
As autoridades eleitorais já apresentaram acusações criminais contra o chefe da ONPE, Piero Corvetto, funcionários da Galaga e um representante da empresa. A Transparencia, uma organização civil, emitiu um alerta contra qualquer interferência do Congresso no processo de contagem dos votos, buscando garantir a integridade do resultado eleitoral. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos deste escândalo.
O Que Esperar do Futuro Político do Peru
O segundo turno das eleições presidenciais está agendado para 7 de junho, um marco crucial para a definição dos rumos do Peru. Paralelamente, o país elegeu seu primeiro Congresso bicameral em 34 anos, composto por 130 deputados e 60 senadores. A fragmentação política já evidente na disputa presidencial sugere um legislativo dividido, o que pode gerar desafios adicionais para a governabilidade.
Para investidores que acompanham a trajetória de crescimento da América Latina, projetada em 2,8% pelo FMI para o Peru, a estabilidade institucional era um fator chave. No entanto, a polarização entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, evocando as memórias do conturbado pleito de 2021 e da instável presidência de Castillo, lança sombras sobre essa projeção. A incerteza política agora é um fator a ser considerado na análise econômica da região.


