O presidente chileno, José Antonio Kast, agita o cenário da mineração global ao nomear o economista Bernardo Fontaine como o novo presidente da Codelco, a gigante estatal do cobre. A decisão chega em um momento crítico para a empresa, que enfrenta um escândalo de manipulação de números de produção e um cenário financeiro desafiador. Fontaine, conhecido por suas posições pró-mercado e por ter sido um conselheiro próximo de Kast durante a campanha presidencial, assume o comando com a missão de reestruturar a companhia e sinalizar uma nova era de governança.
A nomeação de Fontaine, que entra em vigor em 26 de maio, substitui Máximo Pacheco e traz consigo a designação de dois novos diretores para o conselho: Luz Granier e Alejandro Canut de Bon. Essa renovação completa, com mandatos de quatro anos, indica uma clara intenção da administração Kast de imprimir sua marca na Codelco. Conforme divulgado pelo The Rio Times, a escolha de Fontaine é amplamente interpretada como um movimento em direção a uma gestão mais orientada ao mercado, com fortes laços com a equipe econômica do presidente.
A Codelco, que é a maior produtora de cobre do mundo, está no centro de uma polêmica após uma auditoria interna revelar que cerca de 20.000 toneladas de cobre foram adicionadas indevidamente aos números de produção de dezembro de 2025. Essa manobra permitiu que a empresa atingisse formalmente suas metas anuais, mas levantou sérias questões sobre a integridade de seus relatórios. As investigações externas já foram iniciadas, e o novo conselho, liderado por Fontaine, terá como um de seus primeiros e mais urgentes deveres a condução dessas apurações.
A crise de produção e a dívida da Codelco
Bernardo Fontaine não poupou críticas ao estado atual da Codelco. Em seu diagnóstico, o economista descreveu a empresa como se estivesse “carregando uma mochila de chumbo”, evidenciando os desafios financeiros e operacionais. Ele apontou que, nos últimos quatro anos, a Codelco transferiu cerca de US$ 7 bilhões para o Estado chileno, enquanto sua dívida cresceu em um montante superior a esse valor. “Em outras palavras, toda a contribuição para o Estado foi dívida pura”, ressaltou Fontaine, conforme noticiado pelo The Rio Times.
Essa situação financeira delicada, combinada com o escândalo contábil, exige uma intervenção robusta. A administração Kast aposta em parcerias público-privadas como uma solução estrutural para revitalizar a empresa. A nova diretoria, incluindo Granier, com experiência em infraestrutura e energia, e Canut de Bon, especialista em direito minerário, chega com a missão de investigar a fundo os problemas e propor caminhos para a recuperação.
Quem é Bernardo Fontaine, o novo líder da Codelco
Economista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, Bernardo Fontaine possui uma vasta experiência de mais de três décadas em negócios e consultoria. Ele já atuou como diretor em mais de 20 empresas chilenas em diversos setores, como serviços financeiros, varejo, logística, imobiliário e seguros. Sua atuação como membro da Convenção Constitucional em 2022 e sua participação no movimento “Con mi plata no”, em defesa dos fundos de pensão individuais, o destacam como uma figura com forte convicção em políticas de mercado.
Fontaine foi uma peça chave na articulação da plataforma econômica de Kast, tendo sido, segundo relatos, o responsável por apresentar o economista Jorge Quiroz ao presidente. Embora tenha recusado um cargo ministerial, sua influência na formulação dos primeiros 90 dias da nova administração é inegável. Conforme o Campo Grande NEWS checou, sua nomeação para a Codelco é vista como um passo estratégico para implementar uma governança mais alinhada aos interesses de mercado na estatal.
O sinal político e a abertura para o setor privado
A chegada de Fontaine à presidência da Codelco é o sinal mais claro até agora da virada da administração Kast em direção a uma governança mais amigável ao mercado na gigante do cobre. O Ministro de Economia e Mineração, Daniel Mas, confirmou que investigações e auditorias externas estão sendo lançadas, e que os novos diretores terão o “mandato especial de investigação e possível auditoria externa, para recuperar a informação que os chilenos merecem saber”.
Mas foi explícito sobre a abertura para o setor privado: “Para que o Chile seja uma verdadeira potência mineradora, a Codelco deve estabelecer alianças, compreendendo a relevância que o trabalho com o setor privado tem para o futuro da empresa”. Essa postura representa uma ruptura com a administração anterior, que priorizava reestruturações lideradas pelo Estado. O novo quadro abre as portas para a participação privada em projetos estruturais da Codelco, como a transição para o subsolo de Chuquicamata e o New Mine Level de El Teniente.
O mercado financeiro interpreta a nomeação de Fontaine como um sinal de seriedade por parte de Kast, tanto em relação à auditoria de produção quanto à reestruturação estrutural da Codelco. A resposta dos mercados, especialmente através dos spreads de títulos da empresa, será um indicador crucial para avaliar se essa mudança no conselho afetará a percepção da qualidade de crédito. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que novas emissões de títulos testem essa percepção.
O que esperar nos próximos passos
Investidores e analistas estarão atentos a alguns pontos chave nos próximos meses. Os resultados da auditoria externa sobre a questão das 20.000 toneladas de produção serão fundamentais para redefinir a base de comparação para os resultados futuros. Além disso, anúncios sobre acordos de parceria público-privada em grandes projetos, como Chuquicamata Underground e El Teniente New Mine Level, fornecerão sinais estruturais importantes para o mercado global de cobre. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a forma como a Codelco lidará com suas parcerias de era Boric, especialmente no setor de lítio com a SQM, também será um ponto de atenção, com implicações materiais para o fornecimento global desse mineral.


