O julgamento de Luiz Gustavo da Silva Gonçalves, acusado de matar o padrasto com 17 facadas, foi adiado na manhã desta sexta-feira (21) em Campo Grande. A sessão, que já contava com 22 jurados convocados e a presença de familiares da vítima, foi suspensa após os advogados de defesa, Wilson Mateus Capistrano e Edgard de Souza Gomes, não comparecerem sem apresentar justificativa.
O juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, tomou a decisão de dispensar os jurados e determinou a nomeação de um defensor público para atuar no caso. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, os advogados serão comunicados à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por infração ao estatuto da entidade.
Defesa ausente causa transtornos e adiamento do júri
Luiz Gustavo aguardava no corredor do Tribunal do Júri desde as 8h para ser julgado pela morte de Itamar de Lima Cristaldo Júnior, de 38 anos. A expectativa era de que o júri começasse pontualmente. No entanto, após cerca de 30 minutos de espera, o juiz Aluízio Pereira dos Santos anunciou o adiamento, explicando a situação aos jurados presentes.
Por volta das 8h15, o silêncio no auditório chamou a atenção. Os jurados, a promotoria e oficiais de Justiça aguardavam o sorteio. O juiz informou que a defesa estava atrasada e que o júri esperaria mais alguns minutos. Quinze minutos depois, diante da persistente ausência dos advogados, o magistrado decidiu seguir adiante com a nomeação de um defensor público.
“Se não veio até agora, não vai vir mesmo”, pontuou o juiz, destacando a falta de justificativa para o atraso. Ele ressaltou que a ausência injustificada causa prejuízos significativos, como o tempo perdido por todos os envolvidos, incluindo jurados, promotores e a própria estrutura do tribunal, conforme detalhou o magistrado ao Campo Grande NEWS.
Advogados serão notificados pela OAB após ausência injustificada
Em conversa com o acusado, o juiz apurou que os advogados haviam se reunido com Luiz Gustavo na semana anterior ao júri. O réu informou que não sabia o motivo da ausência e que não teria condições de contratar outro profissional, solicitando a atuação da Defensoria Pública. O termo da audiência, anexado ao processo, corrobora essa informação.
O juiz Aluízio Pereira dos Santos frisou que a comunicação prévia é essencial em casos de imprevistos. “O advogado, quando tem motivos, ele se justifica, ele apresenta requerimento. […] E aí tudo bem, a gente, diante da justificativa, acaba adiando e acolhendo o pedido.” No entanto, no caso em questão, nenhum dos dois advogados apresentou justificativa ou solicitou o adiamento.
O magistrado relembrou que, antigamente, advogados poderiam ser multados por faltas, mas essa medida foi considerada inconstitucional. Atualmente, a falta injustificada é tratada como infração ao Estatuto da OAB, levando à comunicação com a entidade de classe.
O que acontece agora com o réu e o processo
Enquanto aguarda uma nova data para o julgamento e a definição de seus novos defensores, Luiz Gustavo permanecerá preso. A decisão sobre sua condenação ou absolvição só ocorrerá após a realização do novo júri.
Luiz Gustavo é acusado de matar o padrasto, Itamar de Lima Cristaldo Júnior, em julho do ano passado, no Bairro Nova Lima. Ele desferiu 17 facadas contra a vítima. Após o crime, o jovem fugiu, mas posteriormente se apresentou à polícia acompanhado da mãe e de seu advogado.
Na época, Luiz alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que o padrasto era agressivo e costumava ameaçá-lo com uma faca. Segundo seu depoimento, uma discussão teria levado a uma luta corporal, na qual ele tomou a arma e desferiu os golpes. A mãe do rapaz também relatou um histórico de conflitos e agressões por parte de Itamar, chegando a ter pedido medida protetiva.
Diagnosticado com esquizofrenia e sob curatela da mãe, Luiz Gustavo afirmou que não matou o padrasto por vontade própria e declarou: “Ele podia ter matado a mim ou a minha mãe”. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ofereceu a denúncia contra o réu. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o caso segue em andamento, aguardando a remarcação do julgamento.
O Campo Grande NEWS procurou a defesa de Luiz Gustavo da Silva Gonçalves, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

