Barão do Tráfico: corpo de Leonardo Dias de Mendonça em impasse; família suspeita de envenenamento

O corpo de Leonardo Dias de Mendonça, o “Barão do Tráfico”, de 63 anos, que faleceu nesta quinta-feira (20) em Campo Grande, está retido em um impasse burocrático. A família enfrenta dificuldades para liberar o corpo e realizar o traslado para Goiânia, onde possui vínculos familiares, devido a divergências entre a Santa Casa, o SVO (Serviço de Verificação de Óbito) e o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal). A defesa alega que a falta de um documento que formalize a suspeita de envenenamento impede a liberação.

Segundo informações obtidas pelo Campo Grande NEWS, Leonardo Dias de Mendonça estava internado na Santa Casa desde segunda-feira (17) em estado grave. Sua morte gerou uma série de desencontros entre as instituições responsáveis pela liberação e análise do corpo. A situação se complicou com a alegação de que haveria suspeita de envenenamento, mas a documentação oficial não reflete essa informação.

A advogada da família, Ana Cláudia Alves, explicou que a Santa Casa inicialmente emitiu uma declaração para encaminhamento ao SVO. No entanto, o SVO teria informado que não poderia receber o corpo, por se tratar de um paciente internado por dias. Diante disso, a declaração foi alterada, e a Santa Casa teria comunicado à família e à defesa sobre uma possível suspeita de envenenamento, indicando a necessidade de encaminhamento ao Imol para necropsia.

Contudo, ao solicitar um documento que formalizasse tal suspeita, a patologia do hospital emitiu uma nova declaração que não continha nenhuma menção a envenenamento. Esse fato criou um novo obstáculo, pois o Imol, sem uma indicação formal de suspeita de envenenamento ou outro fundamento que justifique uma necropsia médico-legal, não teria atribuição para receber o corpo, conforme relatado pela defesa.

Corpo em trânsito e indefinição sobre liberação

Nesta sexta-feira (21), o corpo foi retirado da Santa Casa e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol. Enquanto isso, a defesa buscava uma requisição formal de autoridade policial para o envio ao Imol. Contudo, o próprio Imol teria informado que, nas condições atuais e com a documentação apresentada, não receberia o corpo. A defesa cobra uma providência da Santa Casa para regularizar a documentação e definir o destino do corpo.

A família aguarda uma definição sobre o que ocorrerá caso o Imol mantenha a recusa. A advogada questiona se a Santa Casa receberá novamente o corpo para a adoção das medidas cabíveis ou se haverá uma nova correção documental. A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que “até o presente momento, não houve encaminhamento ao Imol de corpo acompanhado de requisição de exame necroscópico em nome de Leonardo Dias de Mendonça”.

O portal Campo Grande NEWS entrou em contato com a Santa Casa de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre o impasse. Até o momento, não houve retorno, e o espaço permanece aberto para manifestação. A falta de uma declaração oficial sobre a causa da morte ou a formalização da suspeita de envenenamento tem sido o principal entrave para a liberação.

O histórico do “Barão do Tráfico”

Leonardo Dias de Mendonça, conhecido como “Barão do Tráfico”, cumpria pena na Penitenciária Federal de Campo Grande. Ele foi levado ao hospital após apresentar problemas de saúde e faleceu durante a internação. Seu histórico no crime é extenso, remontando ao fim da década de 1990. Em 2003, foi condenado a mais de 23 anos por tráfico internacional de drogas, após a apreensão de 327 quilos de cocaína em 1999.

Segundo reportagens da época, Leonardo era apontado como líder de um grupo envolvido com o tráfico. Registros telefônicos indicavam ligações para Colômbia, Suriname e Peru dias antes da apreensão. Ele negava o envolvimento, mas a defesa anunciava recurso contra a condenação. O “Barão do Tráfico” também ganhou projeção na Operação Diamante, que investigava tráfico e suspeitas de compra de sentenças.

Em 2023, reportagens associaram Leonardo a grandes estruturas do narcotráfico internacional e o apontaram como ex-aliado de Fernandinho Beira-Mar. Ele já esteve na lista de procurados da Interpol e foi investigado por suspeita de negociar cocaína com integrantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em troca de dinheiro e armamentos no início dos anos 2000. As investigações sugeriam uma movimentação de cerca de 400 quilos de cocaína por mês nesse esquema.

Comando de organização criminosa mesmo preso

Em 2009, Leonardo foi transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). Mesmo preso, ele comandava, por telefone celular, uma organização criminosa com ramificações internacionais, incluindo Suriname, Venezuela, Colômbia e Holanda. Naquele período, acumulava condenações que somavam 39 anos de prisão. A Polícia Federal atribuía ao grupo a movimentação de até quatro toneladas de drogas por ano.

Em 2013, Leonardo foi preso novamente e, em agosto de 2018, passou ao regime semiaberto com tornozeleira eletrônica. Em setembro de 2019, retornou à prisão durante uma operação da PF que investigava uma organização suspeita de usar aviões para transportar drogas para a Europa. O caso da liberação de seu corpo, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, demonstra a complexidade de procedimentos legais e burocráticos em situações que envolvem figuras de alta periculosidade.

A falta de clareza na documentação e a ausência de formalização da suspeita de envenenamento criam um cenário de incerteza para a família, que busca apenas dar um destino digno ao corpo de Leonardo Dias de Mendonça. A situação expõe a necessidade de agilidade e clareza nos processos institucionais para evitar transtornos em momentos de luto. O Campo Grande NEWS segue acompanhando o caso para trazer atualizações sobre a liberação do corpo.