A inflação em Campo Grande registrou um aumento significativo em abril, atingindo 1,02%, valor consideravelmente superior à média nacional de 0,67%. Essa elevação, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi puxada principalmente pela alta expressiva nos preços da batata-inglesa e dos combustíveis, impactando diretamente o orçamento dos moradores da Cidade Morena. O índice de abril também representa um avanço em relação a março, quando a inflação na capital sul-mato-grossense foi de 0,93%, acumulando 2,63% no primeiro quadrimestre de 2026.
Alimentos e transportes lideram alta no IPCA de abril
A análise detalhada dos grupos que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em Campo Grande revela que ‘Alimentação e bebidas’ foi o principal vilão, com uma variação de 1,86% e um impacto de 0,41 ponto percentual no índice geral. O grupo ‘Saúde e cuidados pessoais’ apresentou variação de 1,08% (impacto de 0,14 p.p.), seguido por ‘Transportes’, com variação de 1,04% e impacto de 0,23 p.p.
Essa conjuntura fez com que Campo Grande, que em fevereiro ostentava a segunda menor inflação do país, caísse para a décima terceira posição entre as cidades pesquisadas em abril. A capital ficou atrás de diversas outras capitais, como Brasília (0,16%), São Paulo (0,55%) e Rio de Janeiro (0,73%).
A alimentação dentro de casa foi fortemente pressionada por aumentos em itens essenciais. A batata-inglesa liderou com uma disparada de +23,81%, seguida pelo repolho (+19,41%), cebola (+18,70%) e tomate (+10,11%). Mesmo com o mamão (-9,96%), café moído (-1,71%) e pão francês (-1,26%) apresentando queda em maio, o impacto geral no grupo de alimentos foi significativo.
A alimentação fora de casa também sentiu o reflexo, com alta de 1,30% em abril, impulsionada pelos lanches (+1,63%) e refeições (+0,36%). Conforme o Campo Grande NEWS checou, o grupo ‘Alimentação e bebidas’ não apenas teve a maior variação mensal, mas também o maior peso na composição do IPCA, o que explica seu forte impacto na inflação local.
Combustíveis e transporte público elevam custos
O setor de Transportes, embora não tenha apresentado a segunda maior variação mensal, possui peso considerável no cálculo do IPCA e se tornou o segundo maior impacto na inflação de Campo Grande em abril. A variação de 1,04% neste grupo foi impulsionada pela alta de 7,27% no ônibus intermunicipal, 3,42% no óleo diesel e 3,09% na gasolina. O aumento nos combustíveis, influenciado pelo cenário internacional do petróleo, tem sido uma preocupação constante para os consumidores.
Habitação e outros grupos também contribuem para a alta
O grupo ‘Habitação’ também registrou um impacto relevante, com uma variação de 0,93%. Destaque para a alta de 5,54% no cimento e 2,27% na energia elétrica residencial. Outros grupos, como ‘Saúde e cuidados pessoais’ com 1,08%, também adicionaram pressão ao índice inflacionário.
Carga tributária e gastos públicos em debate
Paralelamente à alta da inflação, dados do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo revelam que cada morador de Mato Grosso do Sul já pagou mais de R$ 5 mil em impostos neste ano, totalizando mais de R$ 16,3 bilhões arrecadados no estado de janeiro a maio. Em Campo Grande, a arrecadação ultrapassou R$ 695 milhões. A presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, ressalta que esses valores precisam ser revertidos em serviços públicos eficientes, como educação, saúde e transporte de qualidade, especialmente considerando que Campo Grande possui uma das tarifas de ônibus mais caras do Brasil.
No âmbito nacional, a arrecadação de impostos já superou R$ 1,5 trilhão, enquanto os gastos públicos atingiram R$ 2,02 trilhões. Especialistas alertam que o aumento do gasto público sem o devido acompanhamento da receita pode gerar mais inflação e endividamento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a reforma administrativa é apontada como necessária para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida. A maior parte da arrecadação vem do ICMS, Imposto de Renda e Previdência.
Economia do Estado em destaque: emprego e renda em alta
Em contrapartida aos desafios inflacionários, Mato Grosso do Sul apresentou indicadores econômicos positivos em 2025. O estado atingiu o recorde de 1,46 milhão de pessoas ocupadas, com uma massa salarial de R$ 6,75 bilhões. A renda habitual média dos trabalhadores alcançou R$ 3.727, a sétima maior do país. A renda do trabalho passou a representar 80,7% da renda domiciliar per capita, um reflexo do dinamismo econômico, segundo o secretário estadual Artur Falcette. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o estado também se destacou no Ranking de Competitividade dos Estados, com o segundo melhor índice na dimensão Capital Humano. A escolaridade segue ligada à renda, com diploma universitário rendendo, em média, R$ 6.632 mensais, mais de três vezes o valor de quem não possui instrução.

