A inflação no Uruguai registrou uma aceleração em abril de 2026, atingindo 3,16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este aumento marca o retorno do índice à faixa de tolerância de 3% a 6% estabelecida pelo Banco Central do Uruguai (BCU), após ter ficado historicamente abaixo do piso em março. A divulgação dos dados pelo Instituto Nacional de Estadística (INE) nesta terça-feira, 5 de maio, mostrou uma variação mensal de 0,54%, ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas.
A inflação acumulada nos primeiros quatro meses do ano chegou a 2,23%, configurando o menor índice para este período desde 2009. Este cenário, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, reflete a eficácia da estratégia de desinflação gradual adotada pelo BCU, mesmo diante de pressões externas como o choque no preço do petróleo do Oriente Médio. A contenção da inflação em categorias essenciais continua a ser um ponto positivo, com o índice subjacente (excluindo frutas, vegetais e combustíveis) apresentando uma taxa anualizada próxima a 3,5% até janeiro.
A dinâmica de preços no Uruguai revela uma clara divisão entre bens comercializáveis e não comercializáveis. A inflação de bens transacionáveis, aqueles sujeitos ao comércio internacional, apresentou uma taxa mensal de 0,48% e anual de apenas 1,28%. Em contraste, a inflação de bens não comercializáveis, que engloba serviços consumidos localmente, atingiu 0,35% mensal e 5,86% anual, aproximando-se do teto da meta do BCU. Este padrão sugere um efeito desinflacionário de um peso mais forte sobre bens importados, contrastando com a pressão contínua nos salários do setor de serviços.
Transporte Lidera a Alta com Combustíveis em Evidência
O principal motor da aceleração inflacionária em abril foi o setor de transporte. Os preços deste segmento registraram uma alta mensal de 2,98%, impulsionada pela elevação dos preços da gasolina em 7,01% e do diesel em 6,99%. As passagens aéreas também dispararam, com um aumento de 17,94%. Essa escalada nos custos de transporte está diretamente ligada à pressão global sobre o preço do petróleo, com o Brent se aproximando de 92 dólares o barril devido a tensões no Oriente Médio. O INE já indicou que a tendência de alta nos combustíveis deve persistir em maio.
Outros setores também contribuíram para o cenário de preços. O vestuário, por exemplo, apresentou uma variação de 1,9% devido à mudança sazonal de estoques. Alimentos e bebidas, que representam o maior componente do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), mantiveram-se praticamente estáveis. Os aumentos em cortes de carne bovina foram compensados por quedas nos preços de frango e frutas, demonstrando um equilíbrio delicado no setor alimentar.
BCU Mantém Juros e Monitora Riscos
Em resposta ao cenário econômico, o Banco Central do Uruguai manteve sua taxa de política monetária em 5,75% no final de abril. Essa decisão segue um ciclo de cortes iniciado anteriormente no ano, quando a taxa foi reduzida de 6,5% em um contexto de inflação controlada. O relatório trimestral de política monetária do BCU, divulgado em 27 de abril, reconheceu que as projeções de inflação para 2026 iniciam em níveis mais baixos do que o esperado, com uma aceleração gradual projetada para convergir à meta de 4,5% no final do horizonte de política.
O BCU identificou o choque energético como o principal risco de elevação para a trajetória inflacionária, enquanto uma nova desvalorização do dólar é vista como um potencial risco de queda. Para investidores de renda fixa, a divulgação dos dados de abril reforça a ideia de que o BCU não necessita de novos afrouxamentos monetários na reunião de maio. A expectativa é que a taxa de juros permaneça estável até que a evolução dos preços dos combustíveis e do componente não comercializável se torne mais clara. Conforme o Campo Grande NEWS checou, as expectativas de inflação para os próximos 24 meses permanecem ancoradas em 4,5%, um sinal de consolidação da desinflação e credibilidade do regime monetário.
Perspectivas e Desafios Futuros
Os dados de maio indicarão a continuidade da pressão nos preços dos combustíveis, com a possibilidade de um novo índice de inflação mensal acima de 3%. A reunião de política monetária do BCU em maio provavelmente resultará na manutenção da taxa de juros em 5,75%, em vez de um corte adicional. O principal desafio estrutural para a desinflação no Uruguai continua sendo o componente não comercializável, que se mantém próximo a 5,86% anualmente. A análise detalhada desses fatores, como destacado pelo Campo Grande NEWS, será crucial para a formulação das próximas decisões de política econômica.
A bifurcação entre inflação transacionável e não transacionável é um ponto de atenção para investidores, evidenciando a influência do câmbio nos bens importados e a persistência de pressões de custo no setor de serviços. A experiência do BCU em gerenciar essas dinâmicas, aliada à ancoragem das expectativas de inflação, sugere uma abordagem cautelosa, mas confiante, na condução da política monetária.


