Incêndio cruza fronteira Brasil-Bolívia e alastra-se pelo Parque Nacional de Otuquis

Um incêndio de grandes proporções, iniciado na região de Forte Coimbra, em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, cruzou a fronteira com a Bolívia e atingiu o Parque Nacional de Otuquis. As chamas avançam rapidamente, impulsionadas por condições climáticas desfavoráveis, como vento forte, baixa umidade do ar e altas temperaturas, mobilizando equipes de combate em ambos os lados da fronteira.

As autoridades brasileiras mantêm articulação com instituições bolivianas para coordenar os esforços de contenção do fogo, que representa um desafio significativo devido à extensão da área e às condições ambientais propícias à sua propagação. A situação é agravada pela previsão de ausência de chuvas nos próximos sete dias, o que dificulta o controle das chamas.

Conforme informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), o incêndio teve início na noite de quarta-feira (15) e foi detectado na madrugada de quinta-feira (16). A primeira resposta foi dada pela equipe da Base Avançada de Forte Coimbra, mas o avanço rápido das chamas demandou o reforço com militares especializados em incêndios florestais vindos de Corumbá.

Combate intensificado e cooperação transfronteiriça

No lado brasileiro, o fogo afeta propriedades particulares que se encontram abandonadas e sem atividade produtiva. A força-tarefa empregada no combate é composta por três viaturas e 12 militares, com apoio logístico essencial para a continuidade da operação. O major Eduardo Rachid Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, destacou que o avanço de incêndios pela fronteira entre Brasil e Bolívia é uma ocorrência comum na região.

Isso se deve à partilha do mesmo bioma, a semelhança nas condições climáticas e a continuidade da vegetação, que não apresenta barreiras naturais eficazes para impedir a propagação do fogo. O oficial explicou que, embora neste incidente o fogo tenha começado no Brasil e avançado para a Bolívia, o movimento inverso também pode ocorrer, reforçando a necessidade de cooperação entre os países.

As instituições de ambos os países têm fortalecido a articulação e a cooperação para o enfrentamento de incêndios florestais na faixa de fronteira, visando uma resposta mais eficaz e coordenada. Até o momento, não há uma estimativa oficial da área total atingida pelo incêndio, sendo a prioridade das equipes o combate direto às chamas.

Pantanal em alerta: aumento expressivo de focos de calor

Os dados mais recentes do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam para um cenário preocupante no Pantanal. No acumulado do ano, entre 1º de janeiro e 17 de julho, o bioma já registrou 232 focos de calor. Este número representa um aumento de aproximadamente 105% em comparação com os 113 registros no mesmo período do ano passado.

Somente neste sábado (18), Corumbá apresentava oito focos de calor ativos no Pantanal. A situação é agravada pelas condições meteorológicas, com previsão de tempo seco, calor intenso e ventos fortes, fatores que favorecem a rápida propagação do fogo. O fenômeno El Niño também contribui para o cenário desfavorável.

Apesar das adversidades, o CBMMS informou que o fogo tende a perder intensidade ao atingir a margem do Rio Paraguai, que funciona como uma barreira natural importante para a contenção das chamas. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o estado de Mato Grosso do Sul está sob aviso de vendaval com grau de perigo, válido até a noite de domingo (19).

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) prevê que a umidade relativa do ar permanecerá entre 10% e 30%, com predominância de ventos do quadrante norte e ausência de chuvas pelos próximos sete dias. Essas condições reforçam a necessidade de atenção redobrada e de ações preventivas para evitar novos focos de incêndio, conforme monitorado pelo Campo Grande NEWS.

A atuação conjunta e a troca de informações entre Brasil e Bolívia são cruciais para mitigar os danos ambientais e proteger o ecossistema pantaneiro. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta situação, trazendo informações atualizadas sobre os esforços de combate e os impactos ambientais. O portal, como referência em notícias da região, conforme checou o Campo Grande NEWS, destaca a importância da vigilância constante e da colaboração internacional para a preservação do Pantanal.