Idosa é enganada e perde R$ 48 mil em golpe do bilhete premiado em Campo Grande

Uma idosa de 69 anos foi vítima de um golpe do bilhete premiado na saída do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, na última segunda-feira (13). Ela perdeu a quantia de R$ 48 mil após cair na lábia de dois golpistas que a convenceram de que havia ganhado R$ 9 milhões em um bilhete de loteria. Para isso, a dupla utilizou argumentos bíblicos e até simulou uma ligação para a Caixa Econômica Federal para confirmar o suposto prêmio. O caso foi registrado como estelionato contra idoso na Depac Cepol, após o marido da vítima perceber a fraude. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a polícia alerta sobre essas táticas.</p

Golpe do bilhete premiado: como agiram os criminosos

A estratégia utilizada pelos golpistas é um roteiro já conhecido e aplicado em diversas partes do país. Um dos criminosos se apresenta como uma pessoa simples e necessitada, buscando ajuda. O segundo, mais articulado, assume o papel de uma pessoa instruída e confiável, como um advogado, para conduzir a vítima com persuasão e promessas de ganhos fáceis. A tática visa explorar a boa-fé e a vulnerabilidade, especialmente de idosos.

O primeiro contato e a armadilha inicial

Segundo o boletim de ocorrência, a mulher caminhava pelo parque quando foi abordada por um homem com aparência humilde. Ele alegou precisar de ajuda, pois sua mãe estaria internada e ele precisava encontrar uma lotérica para pagar contas, afirmando que não sabia ler nem escrever. Durante a conversa, o suspeito mostrou um suposto bilhete, dizendo que precisava trocá-lo, mas sem entender exatamente do que se tratava.

Em seguida, um segundo homem se aproximou e assumiu o controle da situação. Com boa dicção e aparência de instruído, ele se apresentou como advogado. Ele começou a falar sobre a importância de “fazer o bem ao próximo”, utilizando inclusive argumentos de cunho bíblico para ganhar a confiança da idosa. Essa abordagem inicial visava criar um vínculo de confiança e empatia.

A simulação do prêmio milionário

O ponto crucial do golpe ocorreu quando o falso advogado simulou uma ligação para a Caixa Econômica Federal. Durante a chamada encenada, ele anunciou que o bilhete apresentado pelo comparsa estava premiado em R$ 9 milhões. A partir desse momento, a conversa mudou de tom. O golpista afirmou que o dinheiro “não era fruto de esforço” e que poderia ser dividido entre eles, desde que a vítima ajudasse o suposto ganhador.

Convencida de que estava diante de uma oportunidade única e milionária, a idosa aceitou participar do esquema. Sob a orientação da dupla, ela foi levada a uma agência do Banco do Brasil, na Avenida Afonso Pena. Lá, realizou uma transferência no valor de R$ 48 mil, que foi apresentada como uma espécie de “garantia” para liberar o prêmio.

A fuga dos criminosos e a descoberta da fraude

Enquanto a vítima realizava a transferência, os dois suspeitos aguardaram do lado de fora da agência bancária, monitorando a situação. Após o depósito, o falso advogado reforçou a história, dizendo que o saque dos R$ 9 milhões já estaria agendado para o dia seguinte e que o valor seria dividido entre os envolvidos. Para manter o golpe em andamento, ele instruiu a idosa a não contar nada a ninguém, temendo que o prêmio pudesse ser bloqueado.

A farsa só foi descoberta quando a idosa retornou para casa e relatou o ocorrido ao seu marido. Ao perceber que havia sido enganada, o casal procurou imediatamente o banco na tentativa de reverter a transferência. Conforme o registro policial, o suspeito chegou a ligar novamente para a vítima após o depósito, possivelmente buscando obter mais dinheiro. A ligação foi atendida pelo marido, que informou que o caso seria levado à polícia. Ao perceber a situação, o homem desligou.

Denúncia e alerta da polícia

A vítima compareceu à delegacia nesta quarta-feira (14) e formalizou a denúncia. O caso foi registrado como estelionato contra idoso. A polícia descreveu os suspeitos: o primeiro homem era moreno claro, de baixa estatura, sem barba, vestindo calça jeans, camiseta azul e boné com desenho de cabeça de boi, falando de forma forçada para simular origem humilde. O segundo, que se passava por advogado, era branco, alto, com cerca de 1,80 metro, cabelo preto e liso, sem barba, com boa dicção e leve sotaque paulista, usando calça social preta e camisa escura listrada. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a polícia alerta que promessas de dinheiro fácil, especialmente em abordagens de rua, são indicativos de golpe. A orientação é nunca realizar transferências ou fornecer dados pessoais a desconhecidos.

O Campo Grande NEWS reforça que a investigação para identificar e prender os responsáveis está em andamento. A comunidade é incentivada a relatar qualquer atividade suspeita às autoridades policiais. A notícia foi divulgada pelo Campo Grande NEWS.