Ala psiquiátrica do Hospital do Funrural fecha as portas
Após três anos de funcionamento, a ala psiquiátrica do Hospital Joaquim Corrêa de Albuquerque, conhecido como Hospital do Funrural, em Aquidauana, cidade a 141 quilômetros de Campo Grande, será desativada. A decisão, comunicada pelo diretor Eulálio Barbosa, impacta diretamente os oito pacientes que estavam internados na unidade, cujos tratamentos serão gradualmente encerrados com as altas médicas.
O principal motivo para o fechamento é a **interrupção dos repasses financeiros por parte do Governo do Estado**, que já se estende por seis meses. Sem o aporte estadual, que cobria parte significativa dos custos operacionais, a manutenção do serviço se tornou insustentável para a administração do hospital.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o diretor Eulálio Barbosa destacou a gravidade da situação financeira, afirmando que “faz seis meses que o Estado não paga. Não tem que continuar o serviço sem receber”. A declaração sublinha a dependência da unidade em relação aos repasses governamentais para a continuidade de suas atividades assistenciais.
Custo elevado e repasse insuficiente
A manutenção da ala psiquiátrica demandava um investimento mensal considerável, variando entre R$ 80 mil e R$ 85 mil. Esses custos englobam despesas essenciais como a folha de pagamento dos profissionais de saúde, além da alimentação e vestuário dos pacientes internados. O Hospital do Funrural dependia de um repasse de R$ 40 mil do Governo do Estado para cobrir parte desses gastos, com o restante sendo provido por recursos próprios da instituição.
A paralisação desses repasses estaduais, segundo o diretor, tornou impossível arcar com a totalidade das despesas, levando à decisão drástica de desativar a ala. A informação foi confirmada ao Campo Grande NEWS, que buscou contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para obter um posicionamento oficial sobre a interrupção dos pagamentos.
Desativação gradual e o futuro dos pacientes
A desativação da ala psiquiátrica não ocorrerá de forma abrupta. A diretoria do Hospital do Funrural optou por um processo gradual de extinção dos oito leitos, acompanhando as altas médicas dos pacientes que já estão em tratamento. A estratégia visa minimizar o impacto imediato sobre os pacientes, permitindo que retornem às suas residências conforme a evolução clínica.
“Quando o paciente tiver alta, volta para a casa”, explicou o diretor Eulálio Barbosa, detalhando o plano de transição. Essa abordagem busca garantir que os pacientes recebam os cuidados necessários até o momento de sua liberação, sem a interrupção abrupta do tratamento. A medida, contudo, deixa em aberto a questão sobre o futuro do atendimento psiquiátrico na região, caso a unidade não consiga reverter a situação.
Silêncio da Secretaria de Saúde
A reportagem do Campo Grande NEWS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para esclarecer os motivos da interrupção dos repasses ao Hospital do Funrural e buscar informações sobre possíveis soluções ou planos alternativos para os pacientes que perderão o acesso à ala psiquiátrica. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno por parte do órgão estadual.
O espaço permanece aberto para manifestações da SES. A falta de um posicionamento oficial levanta questionamentos sobre a comunicação entre o governo e as instituições de saúde, bem como sobre a prioridade dada ao atendimento psiquiátrico no estado. A situação expõe a fragilidade de serviços essenciais que dependem de financiamento público contínuo.
A desativação da ala psiquiátrica do Hospital do Funrural representa um **desfalque significativo na rede de atendimento em saúde mental** na região de Aquidauana. A expectativa agora recai sobre um possível pronunciamento da Secretaria de Estado de Saúde, que poderá trazer luz sobre os próximos passos e possíveis desdobramentos desta crise.

