Horta em quintal: aposentada de 79 anos combate insegurança alimentar

Em Mato Grosso do Sul, a luta contra a insegurança alimentar ganha um rosto em Eva Arruda, uma aposentada de 79 anos que transforma seu quintal em um oásis de produção. Em meio a 13.817 domicílios em risco no estado, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, Eva cultiva couve, banana e uma variedade de outros alimentos na Comunidade Esperança, em Campo Grande. Sua iniciativa, descrita com detalhes pelo Campo Grande NEWS, destaca a importância da autossuficiência e da resiliência em comunidades vulneráveis.

Horta de Eva: esperança que brota da terra

Eva Arruda, com sua força de vontade inabalável, mesmo perto dos 80 anos, dedica-se ao seu quintal. O que antes era um espaço comum, hoje é um canteiro vibrante que oferece alimentos frescos. Uma geladeira antiga foi adaptada para se tornar um berço para mudas de cebola, e em breve, alfaces se juntarão às couves já fartas. A produção não para por aí, com pés de limão, manga, mandioca e uma bananeira completando a paisagem produtiva. Duas galinhas e um galo adicionam proteína à mesa.

“Enquanto Deus for me dando força, vou fazendo devagarinho”, afirma Eva, demonstrando sua determinação em continuar trabalhando e produzindo. Sua renda, proveniente de aposentadoria por invalidez e pensão, é comprometida pelos gastos com medicamentos, mas o apoio de um projeto social, que lhe fornece um sacolão a cada dois meses, ajuda a equilibrar as contas e garantir a comida no prato.

Comunidade Esperança: desafios e redes de apoio

A Comunidade Esperança, situada ao lado de onde antes existia a favela Cidade de Deus, abriga 63 famílias que enfrentam seus próprios desafios. Para muitas, como Daniele da Silva, de 30 anos, a alimentação no dia a dia depende de doações e do Bolsa Família. “Tem pessoas que atendem a nossa comunidade com doações. A gente faz a correria também”, relata Daniele, mencionando a ajuda de um projeto ligado a um grupo católico que fornece alimentos semanalmente, incluindo verduras frescas. O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) também contribui com cestas básicas.

Daniele defende o Bolsa Família, programa que lhe garante R$ 850 mensais. Ela explica que, apesar de morar em uma comunidade sem custos de água e luz, as despesas com saúde, como medicamentos para seu pai que faz hemodiálise, são significativas. “A gente tem as outras necessidades, como remédio”, justifica, combatendo as críticas comuns sobre o recebimento de benefícios sociais.

Panorama da Insegurança Alimentar em Mato Grosso do Sul

Os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), divulgados na última sexta-feira (16), apontam que Mato Grosso do Sul registra um percentual de risco de insegurança alimentar inferior às médias nacional e regional. Dos 667.045 domicílios triados, 13.817 (2,1%) estão em risco. No Brasil, o índice é de 6,6%, e na Região Centro-Oeste, de 3%. A triagem, realizada por meio de duas perguntas simples sobre a disponibilidade de alimentos nos últimos três meses, identifica domicílios em risco caso haja resposta “sim” para ambas as questões.

O levantamento, que coincide com o Dia Mundial da Alimentação, é um alerta para a necessidade contínua de políticas públicas e iniciativas que garantam o acesso à alimentação adequada para todos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a Secretaria de Saúde lançou um painel inovador para monitorar o consumo alimentar e o estado nutricional da população.

Painel Alimentação e Nutrição: uma ferramenta para gestores

O novo Painel Alimentação e Nutrição, desenvolvido pela SES em parceria com a área de Alimentação e Nutrição e a equipe de Tecnologia da Informação, visa auxiliar gestores estaduais e municipais. A ferramenta permitirá o acompanhamento da cobertura do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) e a análise detalhada de informações sobre o consumo e o estado nutricional da população em todas as fases da vida. Com dados do último Censo do IBGE, o painel oferece um perfil nutricional e características de consumo alimentar por município.

“Com a ferramenta, os gestores poderão acompanhar a cobertura do Sisvan e monitorar a situação alimentar e nutricional da população nos territórios, associando os dados de estado nutricional com os de consumo alimentar, para todas as fases do curso de vida”, explica Anderson Holsbach, gerente de Alimentação e Nutrição da SES. A iniciativa busca aprimorar processos de trabalho e planejar ações mais eficazes para a promoção da alimentação adequada e saudável em Mato Grosso do Sul, conforme destacado em matérias do Campo Grande NEWS.