Homem que matou colega na Ceasa tem prisão preventiva decretada; defesa alega legítima defesa

Um homem de 36 anos, preso em flagrante por matar um colega de trabalho de 19 anos na Ceasa (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, teve sua prisão convertida em preventiva pela Justiça. O crime ocorreu no último sábado (30) e a decisão judicial foi tomada após audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (1º).

A defesa do suspeito, identificado como João Paulo Gonçalves dos Santos, alega que ele agiu em legítima defesa após uma discussão que teria culminado em agressão por parte da vítima, Daniel Queiroz Gomes. O advogado responsável pelo caso pretende entrar com pedido de habeas corpus para que seu cliente responda em liberdade e contestar a qualificadora do homicídio.

Defesa sustenta legítima defesa e aponta agressão prévia

Segundo o advogado Laudo César Pereira, que representa João Paulo, a vítima teria agredido seu cliente antes de ser atingida por um canivete. O incidente teria acontecido no pátio da Ceasa, após uma discussão iniciada dentro de uma câmara fria. O canivete utilizado seria uma ferramenta de trabalho, usada para abrir sacos de batata.

O advogado relatou ter tido acesso a imagens de câmeras de segurança que mostrariam a discussão inicial na câmara fria. Conforme a versão da defesa, após saírem do local, João Paulo continuou seu trabalho e, ao pegar um saco de batatas, foi surpreendido por Daniel, que o agrediu com um soco e um chute. O advogado ressalta que a qualidade dos vídeos é precária.

A defesa também contesta a tipificação do crime como homicídio qualificado. O advogado argumenta que não houve emboscada nem ataque pelas costas, e que João Paulo se entregou à polícia logo após o ocorrido. Ele sustenta que o cliente agiu sob forte emoção, em resposta a uma agressão injusta.

Histórico de desentendimentos e motivação do crime

A defesa de João Paulo também aponta que os 15 dias anteriores ao crime foram marcados por discussões entre os dois trabalhadores. De acordo com o advogado, Daniel Queiroz Gomes frequentemente ia trabalhar sob efeito de álcool, o que teria gerado atritos constantes, apesar de não trabalharem no mesmo box.

A discussão que precedeu o homicídio teria começado quando Daniel acusou João Paulo de fotografá-lo com o celular. O advogado nega a acusação, afirmando que seu cliente estava trabalhando e não portava o aparelho naquele momento. Ele sugere que a acusação foi um pretexto utilizado pela vítima, que já vinha demonstrando insatisfação.

Busca por homicídio simples e próximos passos da defesa

O objetivo da defesa é comprovar a tese de legítima defesa para que João Paulo possa ser julgado por homicídio simples. Caso a defesa seja bem-sucedida, a pena pode variar de seis a 20 anos de prisão, conforme o Código Penal. O suspeito é réu primário e trabalhava há mais de um ano na Ceasa, segundo a defesa.

A vítima, Daniel Queiroz Gomes, de 19 anos, era diarista no local há pouco tempo. O Campo Grande News não conseguiu contato com a família da vítima ou seu representante legal para obter outras versões sobre o ocorrido até o momento da publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

Conforme checado pelo Campo Grande NEWS, a prisão preventiva visa garantir a ordem pública e a instrução criminal, impedindo que o suspeito interfira na investigação ou fuja. A conversão da prisão em flagrante para preventiva é uma medida cautelar que pode ser determinada pela Justiça em diversas situações. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir casos locais garante a precisão das informações.

A reportagem do Campo Grande NEWS continua acompanhando o caso e trará atualizações assim que disponíveis. A autoridade do Campo Grande NEWS na cobertura de segurança pública na região é um diferencial para a população.