Hidrogênio Verde no Uruguai: UTE e HIF Global se aproximam em acordo de energia, mas contrato e decisão final ainda pendem

O projeto de hidrogênio verde no Uruguai, liderado pela HIF Global em Paysandú, dá sinais de progresso nas negociações de energia com a UTE, a estatal de eletricidade. O presidente Yamandú Orsi afirmou que as divergências de preço entre as partes diminuíram, um passo crucial para viabilizar o empreendimento. No entanto, Orsi alertou para a necessidade de prudência, pois ainda não há contrato assinado nem decisão final de investimento.

A declaração do presidente foi feita em Guichón, após a inauguração da primeira etapa de reabilitação da Ruta 4. Orsi destacou que as conversas sobre a tarifa de energia estão avançando, mas evitou fornecer números específicos, ligando o cronograma final ao desenvolvimento do mercado internacional de hidrogênio e à necessidade de novos estudos ambientais devido à possível realocação da planta.

Negotiations on Power Tariffs Intensify

A HIF Global tem solicitado eletricidade a US$ 40 por megawatt-hora (MWh) desde 2023, sem alteração em sua demanda. Em contrapartida, grandes usuários industriais no Uruguai pagam entre US$ 60 e US$ 80 por MWh, conforme reportado pelo jornal El Telégrafo. A diferença entre esses valores é o cerne das negociações entre a empresa e a UTE. Relatos indicam que um acordo provisório estaria em torno de US$ 45 por MWh, mas nem a UTE nem o governo confirmaram oficialmente essa cifra.

A energia elétrica representa aproximadamente 70% dos custos operacionais da planta de hidrogênio verde, segundo Martín Bremermann, CEO da HIF Uruguay. Cerca de 70% dessa energia viria de parques solares e eólicos próprios da empresa, com o restante sendo fornecido pela rede da UTE para suprir a intermitência das fontes renováveis. Este papel de fornecimento contínuo é o ponto central da precificação pela estatal.

Project Details and Investment Scale

O memorando de dezembro de 2025 avalia o projeto em US$ 5,385 bilhões, o maior já anunciado no Uruguai. Desse montante, US$ 2,881 bilhões são destinados às plantas industriais, US$ 1,277 bilhão aos parques renováveis e US$ 1,226 bilhão à infraestrutura, tratamento de efluentes, abastecimento de água e transmissão de energia. A planta contará com um eletrolisador de 1,1 gigawatt (GW) e tem capacidade para produzir cerca de 876.000 toneladas de e-metanol anualmente, que podem ser convertidas em gasolina sintética e gás liquefeito.

O dióxido de carbono (CO2) necessário para o processo será obtido da produção de bioetanol da ALUR, braço estatal de álcool do Uruguai, com 150.000 toneladas anuais já garantidas e outras fontes biogênicas a serem incorporadas. A água para eletrólise e resfriamento virá do Rio Uruguai, com a captação estimada em uma milésima parte do fluxo mínimo do rio, segundo o Laboratório Tecnológico do Uruguai.

Environmental Studies and Legal Obstacles Cleared

Inicialmente, a HIF Global apresentou seu pedido de autorização ambiental em março de 2026 para um local em Constancia, próximo ao rio. Contudo, discussões posteriores levaram à consideração de uma nova localização, mais próxima da cidade de Paysandú, ao lado da planta de cimento da ANCAP. Orsi confirmou que essa mudança exigirá novos estudos de impacto ambiental.

Um obstáculo transfronteiriço foi removido com a retirada de uma ação judicial movida por legisladores argentinos. A queixa civil questionava os procedimentos sob o Estatuto do Rio Uruguai. Sua retirada elimina uma pendência legal que poderia afetar o projeto.

Next Steps and Remaining Challenges

Apesar dos avanços, a falta de um contrato de investimento assinado e a ausência de uma decisão final de investimento (FID) ainda pendem sobre o projeto. A expectativa é que a decisão final ocorra no próximo ano, embora algumas projeções apontem para o final de 2027 ou 2028. Questões como custos de acesso ferroviário, frete para o porto de Montevidéu e responsabilidade pelo custo da conexão à rede elétrica permanecem em aberto.

Apesar das incertezas, a HIF Global já comercializou toda a produção do primeiro módulo. A construção deve gerar cerca de 1.400 empregos, com a operação empregando diretamente 300 pessoas, além de aproximadamente 100 na operação dos parques renováveis. O sindicato da UTE, por outro lado, expressa preocupações sobre a opacidade das negociações e o potencial impacto nas tarifas domésticas e nos investimentos da companhia. O debate político sobre a oferta de energia para grandes projetos continua, com o presidente Orsi defendendo a criação de um marco regulatório mais estável.