Guiana ultrapassa PIB per capita dos EUA com ajuste de preços, revela estudo

A Guiana, um país com menos de um milhão de habitantes, alcançou um marco econômico notável, ultrapassando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos Estados Unidos. No entanto, essa façanha só se concretiza quando os números são ajustados pelo poder de compra local, uma métrica que considera o custo de vida e o que o dinheiro realmente vale dentro de cada país. Em valores de mercado, a diferença entre os dois países ainda é significativa, evidenciando um cenário complexo onde o avanço estatístico contrasta com a experiência cotidiana da população.

A projeção do Banco Mundial para 2025 coloca o PIB per capita da Guiana em impressionantes US$ 97.899, superando os US$ 90.027 dos Estados Unidos, ambos ajustados pela paridade do poder de compra (PPC). O Fundo Monetário Internacional (FMI), em sua perspectiva para abril de 2026, projeta a Guiana em US$ 95.477 e os EUA em US$ 94.430, uma margem apertada de apenas 1%. Esses dados, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, destacam a importância do ajuste de preços para entender a real dimensão econômica do país sul-americano.

É crucial entender a distinção entre o PIB per capita medido em dólares de mercado e aquele ajustado pela paridade do poder de compra. Enquanto o primeiro reflete o valor da moeda em transações internacionais, o segundo avalia o que se pode comprar com essa moeda dentro das fronteiras nacionais. A Guiana se destaca na PPC devido ao menor custo de vida em bens e serviços essenciais, como aluguel e alimentação. Conforme o Campo Grande NEWS checou, em dólares de mercado, a realidade é outra: o FMI estima que em 2026 o PIB per capita da Guiana será de cerca de US$ 33.167, aproximadamente um terço do valor projetado para os Estados Unidos.

A revolução do petróleo na Guiana

O motor por trás dessa ascensão meteórica é a indústria petrolífera. Antes de 2019, a Guiana não produzia petróleo. A entrada em operação do navio Liza Destiny, no Bloco Stabroek, liderado pela ExxonMobil, marcou o início de uma transformação econômica sem precedentes. O Banco Mundial registrou um crescimento de 43,8% em 2024 e 19,3% em 2025, números raramente vistos fora de contextos de reconstrução pós-guerra.

Essa explosão na produção levou a Guiana, com uma população estimada em 831.000 pessoas, a gerar cerca de US$ 27 bilhões em produção anual. Uma década atrás, esse valor girava em torno de US$ 5 bilhões. A infraestrutura para essa produção é composta por quatro plataformas flutuantes de produção: Liza Destiny, Liza Unity, Prosperity e ONE GUYANA. A mais recente, ONE GUYANA, iniciou suas operações em agosto de 2025, elevando a produção diária para perto de 900.000 barris, com um recorde de 918.000 barris em fevereiro de 2026.

Expansão da produção e propriedade dos barris

A expectativa é que a produção ultrapasse um milhão de barris por dia com a entrada em operação da quinta embarcação, a Errea Wittu, prevista para o final de 2026. Projetos futuros como Whiptail (2027) e Hammerhead (2029) indicam que a ExxonMobil vislumbra uma capacidade de produção de aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia até 2030. A propriedade dos barris é dividida entre a ExxonMobil (45%), Hess (30%, agora parte da Chevron) e a CNOOC da China (25%). A participação da Guiana vem de royalties, lucro do petróleo e um fundo soberano, embora a recuperação de custos pelos parceiros signifique que a receita estatal aumenta gradualmente.

Disparidade entre estatísticas e realidade local

Apesar dos números impressionantes, a média do PIB per capita esconde realidades distintas. Em um país pequeno, a divisão de uma vasta receita petrolífera entre poucos habitantes pode inflar artificialmente os indicadores. A vida cotidiana, contudo, ainda não reflete essa riqueza geral. Listas de espera para moradia chegam a dezenas de milhares de pessoas, e o interior do país continua com acesso limitado a serviços básicos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a disparidade entre o marco estatístico e a experiência vivida é considerável.

Controvérsia sobre terras estatais

O boom econômico também intensificou o escrutínio sobre a alocação de terras estatais. Em julho de 2026, um jornal local publicou informações sobre um arrendamento de terras que gerou controvérsia. Oposição política alega que uma propriedade rural, originalmente menor, cresceu para cerca de 150 acres. O Presidente Irfaan Ali contesta o tamanho, negando irregularidades e afirmando que a fazenda é de conhecimento público, declarada à Comissão de Integridade e construída com empréstimos bancários. A Procuradoria-Geral sustenta que não há evidências de corrupção, mas partidos de oposição pedem uma investigação independente e auditoria.

Apesar da pressão pública e de órgãos como a Transparency International Guyana, o governo ainda não nomeou uma comissão de inquérito para investigar a alocação de terras agrícolas ou estatais. A única comissão de inquérito gazeta em 2026 refere-se ao naufrágio de uma embarcação. A questão fundiária permanece em debate público e sob análise da Comissão de Integridade, sem desdobramentos formais de uma investigação independente até o momento, como destaca o Campo Grande NEWS.

O futuro da economia guianense

O futuro da Guiana como líder em PIB per capita ajustado pela PPC dependerá de três fatores cruciais. Primeiro, a manutenção da produção de petróleo acima de um milhão de barris diários com a entrada de novas plataformas. Segundo, a estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, que impactam diretamente a receita do país. Terceiro, a resolução transparente e independente das disputas sobre a alocação de terras. Embora as perspectivas econômicas apontem para segurança nos próximos anos, a política de distribuição de benefícios permanece um ponto de atenção.