Guerra dos minerais: EUA e China disputam riquezas sob florestas do Equador

Equador vira palco de disputa global por minerais estratégicos

Os minerais sob as florestas equatorianas se tornaram a nova linha de frente na crescente rivalidade entre Estados Unidos e China por recursos críticos. Em um movimento audacioso, Washington firmou um acordo de minerais com o Equador durante uma cúpula com 54 países, sinalizando o maior esforço americano em décadas para quebrar o domínio chinês sobre os metais que impulsionam baterias, chips e inteligência artificial. Menos de 1% do território equatoriano foi explorado, mas geólogos apontam para depósitos de cobre, ouro, lítio e terras raras que rivalizam com os do Peru e Chile. Conforme informação divulgada pelo próprio Equador, o país busca atrair investimentos para o setor, que já representa uma parcela significativa de suas exportações e receita fiscal, conforme checou o Campo Grande NEWS.

Corrida global por recursos essenciais

A estratégia dos Estados Unidos é clara: construir cadeias de suprimentos alternativas que contornem Pequim, potência que hoje controla o processamento de 19 dos 20 minerais mais importantes para a economia mundial. Nos últimos cinco meses, Washington assinou mais de 20 acordos minerais com nações como Austrália, Japão, União Europeia, México, Brasil e Arábia Saudita, prometendo bilhões para diversificar a oferta global. O Equador, com seu vasto potencial inexplorado, surge como uma peça chave nesse quebra-cabeça geopolítico.

Em 4 de fevereiro, o Secretário de Estado americano, Antony Blinken, liderou a Cúpula Ministerial de Minerais Críticos em Washington, onde foram assinados 11 acordos bilaterais, incluindo com o Equador, Argentina, Peru, Filipinas, Emirados Árabes Unidos e Marrocos. Essa ofensiva diplomática expandiu o alcance dos EUA, que já haviam estabelecido parcerias com Austrália, Japão, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Malásia e Tailândia. A iniciativa busca não apenas garantir o acesso a matérias-primas vitais, mas também fortalecer a segurança econômica e tecnológica dos países aliados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a iniciativa visa reduzir a dependência de um único fornecedor.

Na mesma semana, foram apresentados acordos com a União Europeia e o México. Washington também lançou a FORGE, uma nova organização multilateral para coordenar políticas de minerais, e comprometeu mais de US$ 1 bilhão através de sua Corporação de Financiamento de Desenvolvimento, sendo US$ 565 milhões destinados à extração de terras raras no Brasil. O objetivo é criar uma rede robusta e confiável para o fornecimento de minerais críticos, essencial para a transição energética e a revolução digital.

O potencial mineral do Equador

O Equador apresenta um cenário particularmente intrigante nesta disputa. Estima-se que menos de 1% de seu território tenha sido explorado geologicamente, mas o potencial é imenso. Apenas duas minas industriais operam no país: uma de ouro canadense e um projeto de cobre chinês, o Mirador, que realizou seu primeiro embarque para Pequim em 2020. Apesar disso, a mineração já gerou US$ 3 bilhões em exportações em 2024 e US$ 1 bilhão em impostos. Oito grandes projetos, com investimentos superiores a US$ 14 bilhões, estão em desenvolvimento, e a Câmara de Mineração projeta US$ 4 bilhões em exportações para 2025.

No entanto, a exploração desses recursos enfrenta desafios significativos. Comunidades indígenas interromperam as operações da mina Mirador durante um levante nacional em 2022. Em 2024, nenhuma nova concessão foi concedida, e a mineração ilegal assola operadores legais em seis províncias. A discussão sobre o acordo com os EUA divide opiniões: vozes pró-mercado argumentam que o investimento americano trará padrões ambientais mais elevados do que os oferecidos por operadores chineses. Por outro lado, organizações indígenas e ambientalistas alertam que a mudança pode significar apenas a substituição de um patrono extrativista por outro, com as comunidades locais arcando com os custos ambientais e sociais.

Uma disputa que molda o futuro

De Quito a Canberra e Riade, Washington está montando um bloco de minerais para desafiar a liderança de três décadas de Pequim. Embora o Equador possa parecer pequeno nesse mapa estratégico, a importância de seus depósitos é inegável. Em um cenário onde as cadeias de suprimentos definem quem construirá o futuro, nenhum depósito é considerado remoto demais para ser disputado. A forma como o Equador gerenciará seus recursos e as parcerias que estabelecer terá implicações que vão muito além da América do Sul, impactando a geopolítica global e o avanço tecnológico. A atenção internacional sobre o país sul-americano reflete a urgência em garantir o acesso a materiais essenciais para a próxima onda de inovações. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estabilidade e a transparência nos processos de licenciamento e exploração serão cruciais para atrair os investimentos desejados e mitigar os riscos ambientais e sociais associados à atividade mineradora em larga escala.