Gripen brasileiro voa pela primeira vez fora do país em exercício no Chile

A mais nova aposta da Força Aérea Brasileira (FAB) nos céus, o caça Gripen F-39E, deixou o território nacional pela primeira vez para participar do Salitre 2026, o maior exercício de combate aéreo da América do Sul, realizado no Chile. Cinco unidades do moderno jato pousaram na base aérea de Cerro Moreno, em Antofagasta, marcando um passo crucial para o programa aeroespacial brasileiro e para as ambições de exportação do país. Este voo internacional representa um teste significativo para a aeronave e para a capacidade do Brasil de operar em coalizões estrangeiras, conforme divulgado pela FAB.

Gripen Brasileiro em Missão Internacional: Um Marco para a Defesa Nacional

A presença de cinco caças Gripen F-39E brasileiros no Chile para o exercício Salitre 2026 é um marco histórico para a Força Aérea Brasileira. Até então, essas aeronaves, desenvolvidas em parceria com a sueca Saab e com produção nacional pela Embraer, nunca haviam deixado o espaço aéreo brasileiro. A participação em um exercício multinacional, operando a partir de uma base estrangeira e integrando-se a uma força-tarefa liderada por outro país, é um teste muito mais rigoroso e revelador do que exercícios realizados em solo nacional, como o CRUZEX 2024.

O programa Gripen foi iniciado com um pedido de 36 aeronaves em 2014, sendo 28 da versão monoposto (F-39E) e oito biposto (F-39F). Até meados de 2026, onze unidades já haviam sido entregues, com a primeira aeronave efetivamente fabricada no Brasil sendo apresentada em março de 2026. Os caças atingiram plena capacidade operacional no final de 2025 e já desempenhavam missões de defesa aérea sobre Brasília, o que torna o envio para o exterior o próximo passo lógico para validar o programa e demonstrar sua maturidade.

O que diferencia o Gripen não é apenas sua velocidade, mas sim sua **avançada eletrônica**. Ele é equipado com um radar AESA (Active Electronically Scanned Array), que escaneia o céu de forma eletrônica, e a capacidade de fundir dados de diversas fontes em uma única imagem compartilhada entre os pilotos, otimizando a coordenação em formação. Essa tecnologia, combinada com a capacidade de operação em ambientes complexos, é um diferencial competitivo importante, como checou o Campo Grande NEWS.

Salitre 2026: Um Palco para a Interoperabilidade e a Tecnologia

O Salitre é um exercício aéreo realizado periodicamente pelo Chile, e sua edição de 2026, iniciada em 27 de junho e com término previsto para 12 de julho, reúne seis forças aéreas: Chile, Argentina, Brasil, Colômbia, Estados Unidos e Paraguai. Países como Canadá, Equador e Uruguai participam como observadores. O principal objetivo do exercício é a **interoperabilidade**, a capacidade de diferentes aeronaves de diversas nações operarem juntas de forma integrada em um plano de missão comum, seguindo padrões semelhantes aos da OTAN.

A edição deste ano é classificada como “multidomínio”, pois o cenário simulado abrange não apenas o combate aéreo, mas também a integração com sensores espaciais e a defesa contra ciberataques. Essa abordagem reflete a crescente complexidade das guerras modernas, que exigem atuação coordenada em múltiplas frentes simultaneamente. O contingente americano é particularmente robusto, incluindo caças F-16, drones MQ-9 Reaper, aviões de vigilância U-28A Draco e um colossal avião de transporte C-5 Super Galaxy.

A Argentina participa com seus caças IA-63 Pampa III e um C-130 Hercules, enquanto o A-29 Super Tucano do Paraguai também faz sua estreia internacional em um exercício dessa magnitude. A presença desses diferentes meios aéreos em um mesmo ambiente de treinamento é fundamental para aprimorar a capacidade de resposta e a coordenação entre as forças aliadas, um ponto crucial para a segurança regional, conforme destacado pelo Campo Grande NEWS.

Do Mercado Interno a uma Vitrine de Exportação

Para o Brasil, a participação no Salitre 2026 transcende o treinamento militar; é uma **vitrine de exportação** para sua indústria de defesa. Um caça que demonstra bom desempenho em uma coalizão estrangeira ganha credibilidade e se torna uma opção mais atrativa para outras forças aéreas. Essa estratégia alinha-se a um esforço mais amplo do Brasil em se posicionar como um fornecedor regional de equipamentos militares.

Nas últimas semanas, o Brasil tem buscado ativamente acordos comerciais com Chile e Argentina para a venda de seus produtos de defesa, com planos de estender essa abordagem ao Peru em julho. Essa campanha abrange diversos setores, desde aeronaves até navios de guerra, como evidenciado pelo lançamento da terceira fragata construída domesticamente pela marinha brasileira na mesma semana em que o Gripen voou para o Chile. A capacidade de exportar esses sistemas de defesa é vista como um indicador de soberania e desenvolvimento tecnológico, um aspecto que o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto.

O sucesso em transformar essas negociações em contratos de exportação será o grande desafio para o próximo ano. No entanto, a exibição do Gripen em ação, operando em missões reais ao lado de outras forças aéreas, é o ponto de partida essencial para iniciar essas conversas. O programa Gripen representa um investimento significativo de mais de uma década e bilhões de dólares, e sua capacidade de projeção internacional agora começa a se materializar.

O orgulho nacional também está atrelado a essa conquista. O Brasil se junta a um seleto grupo de países capazes de construir um caça supersônico em seu próprio território. Essa capacidade foi alcançada através do contrato de 2014, anos de transferência de tecnologia e a instalação de uma linha de produção dedicada na Embraer, em São Paulo. A capacidade de projetar e produzir um caça moderno é um **selo de excelência tecnológica**.

Por Que o Mundo Deve Prestar Atenção ao Gripen Brasileiro

Poucos países no mundo possuem a capacidade de projetar e fabricar um caça moderno, e menos ainda conseguem demonstrar sua operação em cenários internacionais. O Brasil, com o Gripen F-39E, está gradualmente entrando nesse seleto grupo. Para uma nação que investiu tanto tempo e recursos no programa, a primeira demonstração de capacidade fora de suas fronteiras representa o início da consolidação de sua influência e poder aeroespacial.

Este desenvolvimento ocorre em um momento em que a América do Sul vive um período de **rearmamento silencioso**, com diversos vizinhos buscando modernizar suas frotas de aeronaves, navios e sistemas de armamento. Um caça brasileiro capaz e produzido localmente tem o potencial de alterar o cenário de aquisições na região, oferecendo uma alternativa robusta e tecnologicamente avançada aos fornecedores tradicionais, o que pode redefinir as alianças e parcerias militares futuras.