Uma suposta ordem governamental para que ministros evitem encontros com Bruce Mac Master, presidente da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI), gerou forte reação de ex-ministros e senadores. O caso levanta questões sobre a relação entre o governo e líderes empresariais independentes, em um momento crucial para discussões orçamentárias no país.
O ex-ministro Alejandro Gaviria usou a rede social X para classificar o governo de “cada vez mais arrogante, isolado e ineficaz”. A declaração surge após a jornalista Vicky Dávila, da revista Semana, reportar que fontes governamentais confirmaram a proibição de reuniões com Mac Master. A ANDI, que representa cerca de 1.500 empresas, tem sido crítica em relação a pontos do orçamento de saúde para 2027.
A polêmica ganhou força com a publicação de Dávila, que citou fontes anônimas do governo sobre o veto. Segundo ela, a medida poderia se estender a membros do conselho da ANDI. O site La Silla Vacía notou que a própria Semana não havia publicado a reportagem, e descreveu Dávila como uma porta-voz informal do governo. Até o momento, a Presidência não confirmou oficialmente a diretiva nem se pronunciou sobre as críticas de Gaviria e de outros senadores.
Gaviria critica isolamento e fim da dissidência
Alejandro Gaviria, que já ocupou os ministérios da Saúde e da Educação em governos anteriores, expressou sua preocupação com o que percebe como uma tentativa de silenciar vozes independentes. “A ordem é clara: não falar com associações empresariais, jornalistas ou executivos que demonstrem qualquer independência”, escreveu Gaviria no X, em uma tradução divulgada pelo The Rio Times.
Ele acrescentou que o objetivo aparente seria “acabar com a dissidência, construir à força um tipo de consenso artificial”. Gaviria concluiu sua análise prevendo um resultado desfavorável: “O resultado é previsível: um governo cada vez mais arrogante, isolado e ineficaz.” A declaração do ex-ministro ecoa preocupações sobre a abertura e o diálogo do atual executivo.
O caso ganha contornos pessoais, pois a esposa de Gaviria, a economista Carolina Soto, retirou sua candidatura para a presidência da Câmara Colombiana de Infraestrutura após, segundo ela, enfrentar oposição governamental. A situação ressalta um clima de tensão entre o setor empresarial e o governo.
ANDI e o veto a Bruce Mac Master
Bruce Mac Master lidera a ANDI, a principal entidade empresarial da Colômbia, desde 2013. Conforme o site Las2orillas, o conselho da associação reconfirmou sua posição em 8 de setembro de 2026, apesar de sinais vindos do governo indicando preferência por outra liderança. A ANDI representa um amplo espectro de setores, incluindo indústria, finanças e comércio.
A revista Semana, através de Vicky Dávila, já havia reportado anteriormente que Mac Master mantinha “interações zero” com o atual presidente. Embora oficialmente não haja conflito declarado, as informações sugerem uma fricção crescente. O site Cambio também mencionou divergências sobre doações para a reconstrução de Chocó, onde Mac Master optou por um modelo de fideicomisso diferente do proposto pela primeira-dama.
A controvérsia sobre o acesso a Mac Master ocorre em um momento em que a ANDI questiona o financiamento da saúde no orçamento de 2027. A associação alertou que o ajuste proposto para o pagamento por paciente deixaria um déficit de 3,7 trilhões de pesos (aproximadamente US$ 1,16 bilhão). A ANDI defende um aumento de 15,6% no financiamento, em vez dos 12,94% previstos.
Críticas bipartidárias e o futuro do diálogo
A reação à suposta proibição de encontros com Bruce Mac Master atravessou o espectro político. O senador Andrés Forero, do Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe, criticou a medida, afirmando que “associações empresariais’ autonomia e independência é um valor democrático que não deve ser perdido”. Ele pediu ao governo que reconsidere a “decisão inconveniente e alarmante”.
O senador Ariel Ávila, da oposicionista Aliança Verde, foi ainda mais incisivo. Ele apontou que o presidente não concede coletivas de imprensa nem entrevistas, falando apenas com meios “amigáveis”. Ávila acusou o governo de pressionar jornalistas e líderes empresariais, comparando a conduta a “qualquer autoritário de república das bananas”.
A falta de confirmação oficial por parte do governo e a ausência de respostas às críticas de Gaviria e dos senadores deixam o cenário em aberto. O debate sobre o orçamento de saúde em 2027 servirá como um termômetro para as futuras relações entre o executivo e o setor produtivo colombiano. A ANDI insiste que as decisões orçamentárias devem ser baseadas em critérios técnicos, um ponto que tem gerado atrito com o Ministério da Saúde.


