Governador de Sinaloa, México, é indiciado nos EUA por tráfico de drogas

Governador de Sinaloa indiciado nos EUA em caso de tráfico de drogas

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações criminais contra o atual governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e nove outros funcionários. A indictment, divulgada pelo Distrito Sul de Nova York, alega uma aliança sistemática entre altos funcionários do estado e uma das facções mais poderosas do Cartel de Sinaloa, conhecida como “Los Chapitos”. As acusações envolvem conspiração para importar narcóticos para os Estados Unidos, o que pode acarretar penas de 40 anos à prisão perpétua para os réus.

A notícia, divulgada pelo The Rio Times, destaca a gravidade do caso, que atinge o mais alto escalão político de Sinaloa. Entre os indiciados estão um senador federal, o prefeito de Culiacán e outros funcionários estaduais e ex-servidores. A cooperação do México para a extradição dos acusados, que acreditam-se residir no país, torna-se um ponto central e delicado nas relações bilaterais.

Acusações detalhadas e envolvidos

A indictment nomeia dez réus, incluindo o governador Rocha Moya, de 68 anos, que enfrenta acusações de conspiração para importar narcóticos e posse de armas de fogo. O senador Enrique Inzunza Cazárez, 53, que atuou como secretário-geral de Rocha, compartilha as mesmas acusações. O prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez Mendívil, e o ex-secretário de finanças do estado, Enrique Díaz Vega, também estão entre os políticos indiciados.

O envolvimento de agentes da lei também chama a atenção. Dámáso Castro Zaa´vedra, vice-promotor estadual, supostamente recebia US$ 11.000 mensais do cartel para proteger membros e vazar informações sobre operações. Juan Valenzuela Millán, ex-comandante da polícia de Culiacán, enfrenta acusações adicionais pelo sequestro e assassinato de um informante da DEA e de um familiar deste. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a extensão do envolvimento de autoridades é um fator preocupante.

Implicações políticas e reação

De acordo com a acusação, “Los Chapitos” teriam apoiado a campanha de Rocha para governador, em troca de permissão para instalar funcionários corruptos em posições chave na segurança e no governo. O Departamento de Justiça dos EUA alega que Rocha participou de reuniões com líderes do cartel e lhes concedeu impunidade para operar no estado. O governador Rocha, filiado ao partido Morena, do presidente Claudia Sheinbaum, negou as acusações em sua conta no X, classificando-as como um “ataque à Quarta Transformação”, movimento político fundado pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. Ele afirmou que não fará mais declarações públicas.

Claudia Sheinbaum confirmou ter conversado com o governador, mas não o apoiou publicamente. O líder do partido Morena no congresso, Ricardo Monreal, minimizou a indictment, chamando-a de “assunto político” sem base probatória. A notícia é um duro golpe para a imagem do governo mexicano, especialmente em um momento de tensões diplomáticas com os EUA, como a recente descoberta de agentes da CIA operando sem autorização no México e ameaças de designar cartéis como organizações terroristas.

O desafio da extradição e soberania

A extradição dos dez indiciados, que acredita-se estarem no México, é um obstáculo significativo. Governador e senador possuem imunidade constitucional, exigindo ação congressual para que enfrentem processos criminais no país. O Ministério Público do México declarou que a extradição deve respeitar as leis mexicanas e a soberania nacional. Essa postura pode gerar atritos entre os dois países, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS, que acompanha de perto as relações diplomáticas.

A situação é particularmente explosiva devido ao momento político. As acusações surgem semanas após confrontos públicos entre Sheinbaum e os EUA sobre a presença de agentes da CIA e em meio a discussões sobre o USMCA e ameaças de Donald Trump de classificar cartéis como terroristas. A forma como o México lidará com a solicitação de extradição definirá a relação bilateral e a percepção de risco para ativos mexicanos nos próximos meses.

Uma campanha mais ampla do DOJ

Esta indictment faz parte de uma série de casos iniciados desde 2023 pelo Distrito Sul de Nova York contra a infraestrutura política do Cartel de Sinaloa. Mais de 30 indivíduos já foram acusados em casos conectados. O procurador dos EUA, Jay Clayton, enfatizou que os cartéis não operam com eficácia sem o apoio de políticos e agentes de segurança corruptos. O Campo Grande NEWS ressalta que a investigação demonstra a amplitude das operações do cartel e sua infiltração em estruturas de poder.

Para investidores que acompanham a trajetória institucional do México, a acusação de um governador em exercício por tráfico de drogas pelas autoridades americanas eleva o risco de governança a um patamar inédito desde a apreensão de Mayo Zambada no ano passado. A resposta do México, seja por cooperação, resistência ou negociação, moldará o futuro da relação bilateral e o prêmio de risco nos mercados mexicanos.