Gerdau: Lucro dispara 34% no 1º tri com força da América do Norte

Gerdau Lucra R$ 1 Bilhão com Aço Americano em um Trimestre Desafiador no Brasil

A Gerdau, maior produtora de aço do Brasil, divulgou um resultado impressionante no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado atingindo R$ 1 bilhão, um aumento de 33,8% em relação ao ano anterior. A receita líquida, no entanto, apresentou uma leve queda de 3,8%, totalizando R$ 16,7 bilhões. O EBITDA ajustado, um indicador chave da performance operacional, subiu 23,3%, superando as expectativas do mercado e alcançando R$ 3 bilhões. Essa performance robusta, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, foi majoritariamente impulsionada pela forte contribuição da América do Norte, que respondeu por 75% do EBITDA consolidado.

Enquanto as operações nos Estados Unidos colhem os frutos das tarifas de importação de aço, que sustentam preços domésticos elevados e impulsionam a demanda em setores como automotivo e industrial, o mercado brasileiro enfrenta um cenário mais complexo. A receita das operações brasileiras caiu 16,3%, refletindo a pressão de importações chinesas de aço plano e uma demanda enfraquecida no setor de construção civil, agravada pela taxa Selic de 14,75%.

A disparidade entre os resultados americano e brasileiro evidencia a estratégia de diversificação geográfica da Gerdau e sua capacidade de adaptação a diferentes ambientes de mercado. A empresa, que opera 31 unidades produtoras em diversos países, tem sabido capitalizar as oportunidades em mercados com políticas comerciais mais favoráveis à produção local. O resultado do primeiro trimestre de 2026, como analisado pelo Campo Grande NEWS, reforça a tese de que a exposição à produção nos EUA oferece uma proteção natural contra a volatilidade econômica brasileira e cambial.

América do Norte: O Motor do Lucro da Gerdau

A contribuição da América do Norte para o EBITDA ajustado da Gerdau foi espetacular, saltando de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2025 para R$ 2,25 bilhões no mesmo período de 2026, um crescimento expressivo de 87%. Esse desempenho é resultado de uma combinação de fatores favoráveis, incluindo a sustentação dos preços do aço nos EUA pelas tarifas impostas pelo governo anterior, a demanda robusta nos setores automotivo e industrial, e a proteção contra a concorrência de importações asiáticas e europeias. A estrutura de tarifas, embora em constante negociação, tem se mostrado um escudo eficaz para as operações americanas da Gerdau.

A margem EBITDA de 17,7% reflete o alavancagem operacional construída nas usinas americanas. O modelo de mini-mills, que utilizam fornos elétricos a arco alimentados por sucata, possui custos fixos mais baixos e maior flexibilidade de produção, o que se traduz em maior resiliência e lucratividade. Essa vantagem estrutural, aliada aos preços elevados do aço doméstico, consolida as operações dos EUA como alguns dos ativos de produção de aço mais rentáveis das Américas, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.

Brasil: Pressão de Importações e Juros Altos

No mercado doméstico, a Gerdau enfrentou um cenário desafiador. A receita caiu 16,3% para R$ 6,3 bilhões, com um recuo de 7,5% no volume total de vendas. A pressão vem principalmente das importações de aço plano da China, que chegam ao Brasil com preços que a Gerdau tem dificuldade em igualar sem comprometer suas margens. Além disso, a demanda do setor de construção civil tem sido afetada pela alta taxa de juros, que encarece o financiamento imobiliário e a execução de projetos de infraestrutura.

Embora o governo brasileiro tenha sinalizado a intenção de implementar medidas antidumping contra importações chinesas em 2026, o calendário político, com as eleições presidenciais de outubro se aproximando, pode limitar a agressividade dessas ações. A incerteza sobre a efetividade e o tempo de implementação dessas medidas adiciona um elemento de risco para a recuperação do mercado interno.

Retorno aos Acionistas e Investimentos

Em um movimento de retorno aos acionistas, a Gerdau aprovou a distribuição de R$ 106 milhões em dividendos, correspondendo a R$ 0,18 por ação preferencial da Gerdau (GGBR4) e R$ 0,08 por ação da Metalúrgica Gerdau (GOAU4), com pagamento previsto para 9 de junho. Paralelamente, a Metalúrgica Gerdau lançou um novo programa de recompra de até 10 milhões de ações preferenciais (GOAU4), equivalente a 1,2% do capital em circulação, sinalizando a confiança da administração no valor intrínseco das ações.

Os investimentos em capital (Capex) no primeiro trimestre totalizaram R$ 1,1 bilhão, representando 23% do orçamento para 2026 e 27% menos que o trimestre anterior. Esse ritmo de investimento sugere um acompanhamento confortável do plano de capital, com potencial para maior alocação de recursos para acionistas ao longo do ano. A postura da alocação de capital da Gerdau, combinando dividendos, recompra de ações e um Capex moderado, inclina-se para o retorno aos acionistas.

Perspectivas e Riscos para a Gerdau

A sustentabilidade do preço do aço nos EUA, sob o regime de tarifas, é uma variável crucial para as operações americanas. Qualquer alteração significativa na política comercial, como uma redução nas tarifas, ou uma desaceleração econômica nos EUA, que diminua a demanda, poderia comprimir as margens da Gerdau. No Brasil, a intensificação da concorrência chinesa pode persistir antes que medidas de proteção comercial efetivas sejam implementadas. A divergência entre EBITDA e lucro líquido no primeiro trimestre, onde o EBITDA superou as expectativas e o lucro líquido ficou abaixo, também aponta para o impacto de despesas financeiras, efeitos cambiais e provisões fiscais, que podem continuar a consumir uma parcela maior dos lucros operacionais.

A capacidade da Gerdau de gerenciar esses riscos, especialmente a recuperação da demanda e dos preços no mercado doméstico, enquanto mantém a performance robusta nos EUA, será fundamental para a sua trajetória de crescimento e para a valorização de suas ações no médio prazo, conforme aponta análise do Campo Grande NEWS.